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  <title>Bear Blog Trending Posts</title>
  <updated>2026-08-02T16:00:57.372115+00:00</updated>
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    <name>Bear Blog</name>
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    <title>Teatro com Libras e histórias de vó</title>
    <updated>2026-08-01T12:05:00+00:00</updated>
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    <content type="html">&lt;p&gt;Há uns meses assisti a um teatro de rua na temática de Paulo Freire. A peça trazia muitos elementos sobre educação e tinha um jeito leve e brincalhão de passar pelos atos. Um nível altíssimo de língua portuguesa, pois parecia que o grupo brincava com as palavras; as frases, versos e cantigas se encaixavam com muita leveza.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O grupo todo era talentosíssimo, mas hoje vou destacar a atriz que estava fazendo a interpretação em Libras. Gente, que entrega sensacional. A expressividade, os gestos, a cadência. Só ela adicionava uma riqueza à peça, parecia que dava alma pra coisa, e veja só, eu diria que melhorava o entendimento do texto pra todos os presentes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O último ato trouxe de volta as peripécias da linguagem, valorizando a cultura falada popular. Pra isso, eles cantavam sobre coisas que avós diziam, talvez uma forma de dizer que se perdeu, ou uma gramática diferente, ou ditados que não são mais tão comuns. Com isso eles passavam perguntando pra plateia quais eram as coisas que as avós delas diziam, que hoje não se diz mais (pelo menos não da mesma forma). O resultado foi riquíssimo! Ouvir de várias pessoas as falas das avós delas foi muito bonito; parece que trouxe mais vida pra memória delas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Afinal, qual a fala da MINHA avó? Eu te conto, ela dizia "&lt;em&gt;Faz por donde, menino!&lt;/em&gt;". Fique comigo nesse post, depois das fotos eu vou explicar o que isso significa:&lt;/p&gt;
&lt;div class="bearming-gallery"&gt;
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&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Essa conversa de Paulo Freire me deixou pensativo e lembrando com carinho da minha avó por parte de pai. Veja, eu venho de família caipira do interior paulista. Meus avós e meu pai se mudaram pra cidade quando meu pai tinha 20 anos, já que a vida na roça vinha se mostrando difícil em termos de possibilidades de trabalho. Minha vó nunca estudou, então ela não sabia ler nem escrever.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Me intriga o fato de a minha avó ter cultivado um tipo de sabedoria diferente. Na falta de poder ler, ela passava muito tempo conversando com as amigas, com as vizinhas, traçando seu conhecimento de forma oral. Algumas dessas amigas tinham netos numa idade poucos anos a frente do meu irmão mais velho, então ela tinha muita informação sobre como funcionavam vestibulares e alguns tópicos acerca da educação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ela tinha uma convicção: a educação era a única alavanca capaz de transformar nossa vida. O incentivo ao estudo pra mim sempre foi tão natural, pois nunca me restou dúvida do sacrifício que meus ascendentes fizeram e quão cruel foi a falta de estudo e possibilidades. Nessa convicção e por meio dessas conversas, ela entendeu que &lt;strong&gt;inglês&lt;/strong&gt; era importante. Tinha que estudar esse negócio. Assim, por volta de 2006 ou 2007, ela tirava uma parte da sua aposentadoria pra que meu irmão fizesse aula de inglês. Eu ainda não, pois não dava para os dois fazerem a aula, mas alguns anos depois, quando meu irmão começou a trabalhar e eu pude também estudar inglês.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Veja só, meu trabalho hoje exige a tal língua estrangeira e eu uso todos os dias. Antes de eu me entender por gente, minha avó — que era analfabeta — já sabia o caminho da educação. Já sabia o que tinha que fazer, e botou a gente pra estudar. Essa história me causa duas sensações: eu fico intrigado por perceber como ela era uma pessoa sábia, sensata e com uma visão de mundo que contrariava as estatísticas. E também fico muito orgulhoso e muito grato de ter tido essa avó.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Voltando às falas de vó do teatro, a fala dela "&lt;em&gt;Fazer por donde&lt;/em&gt;" significa então "faça sua parte", "faça por merecer", "dê o seu melhor", "faça o que for possível". Acho que era a forma dela de dizer pra eu fazer a minha parte, que ela estaria fazendo a dela e pensando no melhor pra gente. E assim foi feito. A saudade dói, claro, mas os sentimentos de carinho e gratidão amenizam tudo. E do lado de cá, eu sigo &lt;em&gt;fazendo por donde&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ei! Agora é com você! Tal como no teatro que pedia pra plateia contar as expressões e histórias de vó, como um exercício de manter a linguagem popular e a memória viva, eu vou deixar o convite pra você também deixar um &lt;a href='/deixe-um-salve/' target='_blank'&gt;comentário aqui no guestbook&lt;/a&gt; me contando qual é a expressão, fala ou ditado da sua vó que hoje não é tão comum mais. Talvez as respostas viram um novo post, quem sabe? Ou eu atualizo aqui? Veremos. Um abraço e &lt;a href='/deixe-um-salve/' target='_blank'&gt;deixe seu salve&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
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    <published>2026-08-01T12:05:00+00:00</published>
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    <title>Adulto pt2</title>
    <updated>2026-07-28T13:42:00+00:00</updated>
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    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/thblog/image-237.webp" alt="image" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Preciso fechar o raciocínio do post &lt;a href='/adulto/' target='_blank'&gt;Adulto&lt;/a&gt; e aprimorar a ideia após algumas interações sobre o assunto. Às vezes os posts pedem uma dupla, fazer o que né?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Recebi uma &lt;a href='https://paraquemencontrar.bearblog.dev/' target='_blank'&gt;garrafa pelo mar&lt;/a&gt; no &lt;em&gt;guestbook&lt;/em&gt; que me trouxe uma dimensão que eu não pensava muito sobre: exercer a adultice e a liberdade é maravilhoso. Sim, as vezes eu esqueço que houve um tempo de pedir permissão pra tudo e "não ser dono do próprio nariz". A vida adulta oferece muitas limitações, não seria ingênuo de pensar numa liberdade plena sendo que tem muitos fatores limitantes (trabalho, dinheiro, saúde, pessoas), mas ainda assim é bom poder tomar as próprias decisões.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu sinto que esqueço um pouco dessas vantagens porque não lembro de ter almejado de fato chegar na vida adulta. Perdi minha mãe aos 17, após alguns anos lidando com câncer. Por isso me sinto muito mais estilingado pra vida adulta do que efetivamente transicionado. E penso também que justamente uma falta de transição pode me gerar esses sentimentos incômodos as vezes sobre o ser adulto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A outra ideia jogada no caldeirão foi da Bruna do &lt;em&gt;falacatarina&lt;/em&gt; com o post: &lt;a href='https://falacatarina.com/2026/05/30/a-cura-vai-acontecendo-e-quando-a-gente-percebe-esta-voltando-a-ser-esquisita-como-era-aos-15-anos/' target='_blank'&gt;A cura vai acontecendo e quando a gente percebe, está voltando a ser esquisita como era aos 15 anos&lt;/a&gt;. Aí eu pensei: SUMEMO!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Deixa eu contextualizar pra vocês. Desde que eu fiz 18, o trabalho consumiu tudo de mim em termos de energia. A casa dos 20 anos foi particularmente caótica, tinha pouco espaço na minha vida pras outras coisas. Não que eu fosse um workhalolic ou nada do tipo. Simplesmente depois de uma semana acordando cedo pra pegar transporte, organizar alimentação, voltar pra casa, eu já não tinha mais energia nenhuma. E os fins de semana eram pra me recuperar e voltar pro ciclo de arrombamento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O início do trabalho remoto em 2020 foi doido também. Mas sinto que desde uns 3 anos pra cá eu consegui retomar o controle da minha vida em relação equilíbrio do trabalho. Voltei a ter hobbies, praticar esportes, voltei a desenvolver e manter minhas amizades, voltei a fazer o que eu gosto. Me sinto mais eu. Aliás, estou entendendo quem sou eu agora, só aos 30. Estou dando espaço pras coisas boas acontecerem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E talvez o fato de eu estar me entendendo só agora contribua pra não me ver tão adulto quanto os outros adultos. Mas assim, sinceramente? &lt;a href='https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/thblog/images-1-1.webp' target='_blank'&gt;Safoda&lt;/a&gt; eles. A vida é boa assim.&lt;/p&gt;
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    <published>2026-07-28T13:42:00+00:00</published>
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    <title>Morte em vida</title>
    <updated>2026-07-26T15:14:00+00:00</updated>
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      <name>paraquemencontrar</name>
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    <content type="html">&lt;p&gt;Escrevo após passar um final de semana bem solitário. Estive mais introspectiva nos últimos dias, mas depois de tanto tempo sem conversar pessoalmente com outro ser humano (7 dias), senti um pouco a urgência de socializar e me divertir. Só que não tinha ninguém para chamar. Meus amigos mais próximos não estavam na cidade e não quis me colocar naquela situação de sondar os preguiçosos e receber uma desculpa qualquer. Ah, como sinto falta de tempos em que eram todos mais espontâneos e disponíveis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estou acostumada com a solidão e somos parcialmente amigas, embora ela me assombre com maior frequência do que eu gostaria. O que ocorre é que vivo sozinha, não há nenhuma família onde moro e não me relaciono amorosamente com ninguém (nem é algo que eu almeje). Isso significa que, diferente de 100% dos meus amigos, eu não desfruto da convivência com outras pessoas diariamente. Eles precisam dividir a bateria social deles em vários pedacinhos; já eu preciso encontrar maneiras de gastar a minha com estranhos na rua. Busco me alimentar dos sorrisos e gentilezas das pessoas com quem esbarro ao longo do dia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estava refletindo sobre como cheguei nesse ponto. Eu nunca fui uma pessoa popular, mas na minha vida adulta tive a alegria de fazer boas amizades e nutrir contatos com colegas de faculdade por muitos anos. Muitos amigos acabaram se mudando para São Paulo&lt;sup class="footnote-ref" id="fnref-1"&gt;&lt;a href="#fn-1"&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; ou para o exterior; outros, na medida que envelhecemos, foram se tornando cada vez menos disponíveis. Não por causa de filhos - ainda não estamos nessa fase. Mas os sinto muito cansados e sem tanto ânimo pra se divertir, naturalmente por motivos de capitalismo tardio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Agora, um fator agravante de todo esse quadro é o seguinte: &lt;strong&gt;abandonei o Instagram&lt;/strong&gt;. Mesmo com a redução considerável do meu círculo e da iniciativa do pessoal para marcar encontros, volta e meia me chamavam para algo e vinham puxar papo. Desde que eu parei de interagir com os stories das pessoas (isso pois já não publicava nada há mais tempo), parece que esqueceram completamente da minha existência. A sensação é de uma &lt;strong&gt;morte em vida&lt;/strong&gt;. Silêncio absoluto. Só os mais íntimos seguiram me procurando.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Poderiam argumentar que também preciso tomar a iniciativa, não ficar sentada esperando que as pessoas se lembrem de mim. Mas, sinceramente, tinha expectativa de que meus amigos sentissem a minha falta; não estivessem com a mente tão carcumida por horas diárias de reels; não necessitassem de um avatar virtual para manter uma interação comigo. É claro que, sentindo a falta deles, eu entrei em contato e busquei notícias. Mas virou uma via de mão única. Por mais amor que eu tenha a essas pessoas, meu coração dói um bocado quando sinto que falta reciprocidade no empenho para manter uma amizade viva.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não busco, com esse relato, simplesmente desabafar sobre a redução do meu círculo de amizades. Suspeito que muitos blogueiros aqui também fizeram essa mudança e abandonaram essa praga há mais tempo que eu, que parei de entrar há seis meses. Talvez tenham sentido o mesmo esquecimento? Como lidam com isso? Apreciaria muito qualquer troca a respeito dessa questão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dito tudo isso, reforço que abandonar o Instagram foi uma das melhores decisões que já tomei na vida. Recomendo!&lt;/p&gt;
&lt;div class="post-comments-box"&gt;
&lt;h4&gt;Quer comentar algo?&lt;/h3&gt;
Envie uma mensagem no &lt;a href="/deixe-uma-mensagem/"&gt;livro de visitas&lt;/a&gt; ou, melhor ainda, me escreva um &lt;a class="rss-email-link" href="mailto:umaestranha@tutamail.com"&gt;e-mail&lt;/a&gt;. Será um prazer ler o que você tem a dizer!
&lt;/div&gt;
&lt;section class="footnotes"&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li id="fn-1"&gt;&lt;p&gt;Que cidade desgraçada, gente. Abaixo São Paulo! Pare de roubar meus amigos! Adoro te visitar mas, por favor, dá um tempo.&lt;a href="#fnref-1" class="footnote"&gt;&amp;#8617;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/section&gt;
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    <published>2026-07-26T15:14:00+00:00</published>
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    <id>https://travessia.bearblog.dev/sobre-a-flor-bela/</id>
    <title>Sobre a flor bela</title>
    <updated>2026-07-30T17:44:00+00:00</updated>
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      <name>travessia</name>
      <email>hidden</email>
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    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/travessia/jpg.webp" alt="" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A primeira vez aconteceu sem que eu nem percebesse. Acho que sempre acontece assim, sem que a gente perceba. Não pareceu de verdade naquela hora, sonho ruim. Se tornou realidade aos poucos, no dia a dia, ano a ano, cada vez mais real. A briga naquela primeira vez era sobre algum motivo que não era, nunca foi. Começou na saída de casa, passou pelo terreno do antigo paiol de madeira, pelo meio dos canteiros das dálias e bocas de leão e saiu pelo portão enferrujado que insistia em enfrentar a passagem do tempo na avenida movimentada. Desceu pela rua de pedra, sem calçada, com capim, poças e barro dos lados. Era noite. A discussão esquentou, subiu de tom, eu não sabia mais como sair, não sabia para onde a discussão estava indo. Lembro dos gritos, da raiva. Não lembro do assunto, do motivo, porque não era. Lembro dos gritos, da raiva. E do tapa. Um tapa. Um único, na cara. O momento de espanto deu lugar a um profundo sentimento de humilhação, degradante, instantâneo. Na cara. Ninguém tem direito de bater na cara. Se não falo em rosto é porque rosto é bonito, no rosto está a beleza dos sentimentos expressados. No rosto não se bate. A cara é que leva o tapa. Mais um instante imensuravelmente grande e a intensidade baixou, o tom de voz se transformou, desculpe foi pronunciado cem vezes, com cada vez mais agressividade mal disfarçada, a desculpa que parece um ultimato, que quer dizer ou você desculpa ou faço de novo, mas que vem vestida de arrependimento, enquanto diz desculpe foi nervosismo, te amo nunca mais vai acontecer de novo. Mas aconteceu. Muitas vezes. Levei anos para entender que quem leva um tapa e fica, leva outro. E outro. Eles querem nunca ser tapas, sempre mal disfarçados por mil desculpas, nunca são tapas, nunca é a violência como a gente vê por aí. É nervosismo, é impaciência, são os problemas na família, é o pai que também batia, a mãe que nunca entendeu, a pressão do trabalho, da universidade, da vida. Eu, porto seguro, jovem porto nada seguro, devia ajudar, desculpar. Tinha obrigação de. Se namora para isso, repetia, o amor deve ser maior. Desculpei. Uma vez, duas, três e muitas vezes. As mesmas tantas vezes que apanhei. Verbo difícil de conjugar assim, em primeira pessoa do passado vivido. Já tinha apanhado quando criança, de pai e mãe, mas no particípio passado. Impessoal, mais distante, muito menos constrangedor. Apanhar, em primeira pessoa, é mais triste. Admitir, para si ou para outros, apanhei, é dolorido. Apanhei muito. Muito mais do que gostaria de ter apanhado, muito mais do que gostaria de lembrar. Muito mais absoluto, porque não há relativo ou comparativo na inaceitável violência. Não eram só os tapas, os socos, o cabelo puxado. Era o labirinto discursivo, a discussão que rodava em círculos espirais até chegar ao inevitável, minotauros no fim do caminho. Lembro de tentar soluções, maneiras de desviar do desfecho marcado. Nunca encontrei. A vergonha maior era quando alguém via, como naquele dia, em frente ao cursinho. Eu queria evitar, a vergonha era minha. Devia ser minha? O tapa, na cara, numa conversa com outras três pessoas. Não lembro por quê. Tinha porquê? O nervosismo chega, a gente nem percebe. A cara perplexa das colegas só não tinha mais gravidade que o tapa. E a vergonha. Tentei sair, ir embora. Não podia. Era preciso resolver antes. E resolver era desculpar. E se não desculpava, tinha mais raiva. Pela rua a briga continuava. Muitas brigas foram na rua. Andávamos muito na rua naquela época. Eu só tinha uma bicicleta, me levava para todos os lugares.  Mas não levava dois, então andávamos a pé. Teve aquele dia em que avisei que iria viajar por uns dias com a família. Inadmissível. O vou ficar triste se transformou em você precisa se importar que eu vou ficar triste e ficar. Daí virou um tudo bem, você ainda pode reverter a situação e dizer agora que não vai. Depois, o tom de voz mais duro, os gritos de você não pode ir. Nenhuma resposta mais era válida. Em nenhum momento alguma resposta poderia ser válida. Lembro que esse dia era de dia, um sábado à tarde. A agressão nunca tem dia, ela chega e te atinge. Nas ruas próximas, casas de parentes. A cidade era pequena, todas as ruas eram próximas de casas de parentes. A culpa era minha, a preocupação que alguém visse, também. Sofria a agressão, sofria o medo de alguém ver e pensar mal, um casal tão bonito, ia na igreja. Andávamos muito pela rua. Num aniversário, fomos à pizzaria. Comemorar datas era esquecer tudo, um novo ciclo, um recomeço. O mesmo recomeço de sempre. Durante todo o caminho escondi, misto de tolice com romantismo, o livro presente, comprado com muitas economias. Livro escolhido a dedo, presente certo para alguém que escrevia poemas. Pensei várias vezes na ironia, a sensibilidade de quem escreve poemas e agride. As ruas presenciaram momentos piores. Teve aquela briga que durou muitas quadras, calçadas, cruzamentos noturnos. Misto de humilhação e vergonha. Eu queria sumir, mas não podia sair, não podia deixar alguém tão nervoso desamparado, no meio da noite. Fiquei. Tentava consertar o que não pode ser. A discussão aumentou em uma esquina, bairro residencial, parte nobre da cidade. Antes da outra esquina o tom subiu mais do que de costume, era território desconhecido, e mesmo assim, óbvio. O puxão de cabelo foi forte, um soco, me deixei cair no chão. Decidi ficar, não levantar mais, desistir de tudo. Um chute, forte, com o bico do sapato nas costas foi o preço final. No chão, cara no asfalto, chorei. Pensei no meu avô. Pensei no livro de poesia, no recado do nome. Já sabia o ritual, aceitei. Aceitei. Não tinha muito tempo para choro. Era preciso consertar, acalmar, fazer as pazes, não permitir uma crise mais grave, desculpar. Precisava de ajuda, mas quem não precisa de ajuda? Eu podia ajudar, pensava. E tentei. Deixei de sair, deixei de ficar com a família, de fazer coisas, queria cuidar. Se tudo estava bem, ficava bem. O melhor era deixar bem, Quando não tinha agressão, não se falava de agressão, senão perigava ter nervosismo e agressão. Quando tinha agressão, não se falava de agressão, só se era agredido. Sempre havia o risco de alguma coisa não sair bem e ter agressão. Nunca foi medo, só o risco. Nunca tive medo. O risco rondava e pairava no ar, entrecortado pelos bons momentos, de amor. Sou bipolar. A frase proferida, sentença de autodiagnostico. Eu li na internet agora sabemos o que é meu amor. Pronto, mais uma camada de desculpas e justificativas. Você só precisa cuidar para não me deixar com raiva. Sou bipolar. Você precisa cuidar de mim para que só o lado bom apareça senão a culpa é sua. Era jovem a ponto de não entender a dolorosa impossibilidade da premissa. E senti na pele, em muitos lugares. Teve aquela vez, num bom lugar, a casa de retiros espirituais onde nos conhecemos. Lugar de paz. É irônico, percebo. A ironia, que na época era desespero, hoje é vergonha. Nesse dia tentei, de todos os jeitos. Tentei por não querer que aquele lugar fosse maculado, tentei porque achava que se algum lugar fosse refúgio, eu teria um refúgio, e a gente podia ter um refúgio. Mas discussão iniciada, o caminho estava traçado. Quem dera soubesse como evitar a trilha marcada – logo eu, que sempre gostei das trilhas não marcadas. Mas não soube. Nunca soube, nem hoje sei. Apenas era. Das coisas óbvias como ciúme e possessividade, às coisas banais como uma vontade errada ou uma ironia a mais. Motivos, desculpas. A discussão se desenrolou em turnos espirais, intrincados, complexos, na paradoxal ironia de um retiro de silencio. Lembro que eu queria silêncio. Silêncio de tudo. Silêncio de palavras, silêncio de gritos, silêncio de socos. Só silêncio. Queria silêncio, mas não podia. Eu nada nunca pude. Poderia, hoje eu sei, hoje eu posso. Mas ontem passou e ontem eu não podia. Alguém viu um empurrão aqui, um grito lá. Depois a explosão, fora, na noite. Minotauro no final do labirinto. Tapa, beliscão, puxão de cabelo. Na tentativa de fuga desesperada, em busca do refúgio, tive a camisa agarrada, a manga rasgada. Era uma das minhas duas camisas. O pior foi o pensamento imediato: um vestígio deixado, vou ter que explicar os comos e porquês para minha mãe, quando pedir a ela para consertar. Teria que mentir. Nunca gostei de mentir. Dentro da casa, no silêncio do retiro, uma amiga me viu, sem direção. Uma que muitas vezes me orientou. Viu pouco, achou que eram uns gritos apenas, como se violência psicológica fosse pouco. Você não pode aceitar, não pode deixar que isso aconteça relacionamentos precisam crescer, precisam ser uma soma, não uma subtração. Uma soma. Sempre somei. Defendi meu ponto, inabalável, de que era alguém que precisava de ajuda, que eu iria ajudar. Amiga, aceitou. Somei mais alguém para ajudar. Poderia ter somado todas, todas as pessoas, hoje sei. Só uma é que poderia ajudar. E nunca quis. O diagnóstico, da internet, nunca teve acompanhamento. O medo era ir no psicólogo, do psicólogo ao psiquiatra, do psiquiatra à internação. Minha família não vai me ajudar, vai querer me internar. Você é que precisa me ajudar. Precisa me ajudar. Só tenho você. Promete que nunca vai deixar me internarem, promete que nunca vai me deixar, promete que vai me cuidar. Dizia que sim prometia, sim cuidaria, sem saber bem o que fazer. Muitas vezes só deixei acontecer, sem forças para nadar rio acima. Apenas deixava de responder, impotente, ignorando os gritos cada vez mais próximos, a contração no rosto e nas mãos que anunciavam os golpes eminentes. Levava o pensamento para longe. Era difícil, a casa era grande, tinha grades nas janelas, portas fechadas, o controle do portão, você não pode sair agora. As tentativas de sair acabavam em mais desespero, não você não pode ir, já que fez tudo isso agora precisa consertar. A culpa era minha, parece que só eu não entendia. Mas entendi, tornei minha. Quando cansava de me debater na discussão infinita ou me defender das agressões, apenas deixava acontecer. O corpo ficava, vulnerável, o pensamento ia, tentando ser altivo. Encontrava meu avô que tinha partido muito cedo. Lembro que enquanto me entregava aos tapas, cuspes, puxões de cabelo que iam e viam, pensava no meu avô. Sentia vergonha. Vontade de chorar. O que ele pensaria de mim, naquele momento, o que ele me falaria? Queria imaginar que me acolheria, mas era de tempos antigos, poderia também achar que a culpa era minha. Nunca chorei por alguma surra. Chorava pensando no meu avô. Quando a agressão acabava, a [des]culpa chegava, me desculpe, não queria fazer isso, foi o nervosismo, mas tenho isso você sabe, sou bipolar, você precisa me desculpar, te amo, você precisa me cuidar, você não pode ir embora agora, tenho medo de estar perdendo a sanidade. Não quero precisar de remédio, ou pior, internação. É horrível. Você precisa me cuidar. Você me ama, não ama? Você não ama? Amo. Sabia pouco de amor naquela juventude. Achava que amava, que tinha que cuidar, em todos os momentos. Você disse que cuidaria de mim, ajudaria, você prometeu. Eu prometi. Prometi ainda mais, prometi amar, na saúde e na doença, na alegria e nas muitas tristezas, por todos os nossos dias amém. Festa bonita, família tradicional. Quando muita, a agressão acostuma. Afinal, não era sempre. Os bons momentos entre uma briga e outra. Casa nova, vida nova. Mas nem tanto. Prometi ajudar. Ajudei a procurar ajuda. A psicóloga, que pouco pode quando a terapia é nossa, sentenciou: o problema era eu. A antiga hipótese agora irrefutável verdade clínica. Eu não sabia como estancar o nervosismo quando ele aparecia. Eu não sabia acalmar. Pior, eu mesmo era responsável pelas crises nervosas. Só me restava aguentar e ajudar. Já em nossa casa, minha própria casa, as agressões continuaram. Não havia refúgio. Lembro da primeira vez, mais uma nova fronteira final, mais um limite ultrapassado – teve limite algum dia? Mais um lugar seguro maculado, mais uma esperança de que as coisas podiam ficar bem destruída. A primeira agressão na casa própria a gente nunca esquece. Tiveram outras, maiores, menores. Lembrava do livro de poesia, na antiga estante do meu avô, agora reformada e azul, no quarto parcamente mobiliado que eu insistia em chamar de escritório, lembrava da autora, adágio no presente do indicativo. Teve aquela briga, no dia em que eu disse vou para a montanha, você quer ir também? Não, e você não pode ir, sim vou, fui. Sábado de muita chuva. Caí na trilha, cortei o braço. Achei que o pior do dia já tinha passado. Mas sempre pode ser pior. De volta em casa, não havia refúgio. Havia briga. E teve briga, teve agressão. Muitas vezes me defendia, resoluto orgulho tentando ver nisso algum vestígio de dignidade. Numa tentativa de me desvencilhar bati o braço cortado no chão. Abriu a ferida. Muito sangue. Fui ao hospital no meio da noite, sangrando. Violência doméstica? Ninguém perguntaria quando me visse, óbvio. Apenas caí na montanha. Outras vezes eu comprava a briga, só para ser sujeito da ação, ter participação. Um grito mudo de desespero para um fim inevitável. E respondia os gritos à altura, um a um, escalando a tensão, sabendo exatamente onde iríamos chegar, desejando o desfecho. O gozo que me restava. Quando a agressão finalmente chegava, eu provocava, fuga nefasta. Pode bater, pode bater mais, não ligo, para nada. Quando terminava, só queria ir dormir, só me deixe dormir. Mas não dava para dormir. Era preciso primeiro consertar. Era preciso desculpar. A desculpa ultimato. Eu quero te pedir desculpas, mas você precisa me acalmar. Você me deixou assim. Você precisa resolver. Você precisa manter a calma e me acalmar enquanto apanha. Nunca revidei um golpe. Nunca revidei um golpe. Pensava no livro de poesia, no jogo de palavras, na força daquele nome. Alguém precisa ceder, eu pensava. Quem apanha já não tinha cedido faz tempo? E cedia. Mas não era só isso, não era tão simples. Não assim, você precisa me acalmar de verdade, não pode fazer de conta, precisa ser com sinceridade. A humilhação final, o labirinto que nunca acabava, o desespero de querer que tudo acabasse, que acabasse a discussão, a briga, os gritos o tempo. Era preciso achar forças para perdoar, no meio da humilhação. Perdoar. Quantas vezes pensei no que significa esse verbo. Vontade que a surra tivesse continuado ao invés da obrigação de engolir tudo, de engolir a raiva, engolir o orgulho que ainda insistia em se manter, irresoluto, engolir toda aquela loucura, toda aquela insensatez, engolir os golpes, engolir o choro, engolir a sensação de não ter saída. Está tudo bem, foi nervosismo, eu sei, vai ficar tudo bem, vamos ficar bem. Eu prometi ajudar. Não queria psiquiatra, remédio, internação. Aquela clínica particular, víamos da janela do ônibus todos os dias, dava medo, apertava mais forte minha mão, não quero vir para cá, você precisa prometer que não vai deixar. Não vou, prometo. Prometi ajudar. Pensava no livro de poemas, quase sorria com a ironia destrutiva do nome. Minha família não vai me ajudar, só tenho você. Só tinha eu, prometi ficar, precisava ajudar. Um dia, muitos anos depois, descobri que não precisava mais. A vida nos mostra outros caminhos, as trilhas são muitas. Mas você não pode fazer isso, terminar assim de repente. Mas são anos de agressões, você sabe, sempre soube, não há amor que resista. Mas você não pode fazer isso, precisa me dar outra chance. Todas as chances foram outras chances. Você não pode fazer isso. Gritos. Gritos que eu escutava cada vez menos. Vieram os pais, tribunal tríplice. Pela primeira vez em toda a vida os três concordaram: eu não podia fazer isso, a culpa era minha. Não era, eu já sabia. Mais gritos. Os gritos agora iam longe, evocavam o silêncio que existia por trás deles. Tem silêncio lá fora. Preciso de silêncio. Silêncio de gritos, de choro, de discussão e de agressões. Você não pode fazer isso, porque o nervosismo aparece. Aparecia sempre. Uma última discussão, desvairada, gritos. Gritos. Resisti. Você precisa ajudar, a súplica agressiva, fora de lugar. Eu prometi ajudar, mas nada pode ser maior que eu, preciso ajudar a mim. Mas você prometeu. Prometi. Você não pode. Posso. Ela gritou pela última vez. Fui irredutível. Saiu, com o carro, o cachorro e os gritos. Pensei no livro de poesia, no triste anuncio de uma verdade quase inconcebível, inaceitável, que precisou ficar muito tempo guardada por ser tristemente contrária ao que deve ser denunciado, quase inacreditável, durante anos indizível: flor, bela, espanca.&lt;/p&gt;
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    <link href="https://travessia.bearblog.dev/sobre-a-flor-bela/" rel="alternate"/>
    <published>2026-07-30T17:44:00+00:00</published>
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    <id>https://th.blog.br/cartola-e-um-cara-gente-fina/</id>
    <title>cartola é um cara gente fina</title>
    <updated>2026-07-29T19:07:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>thblog</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/thblog/image-238.webp" alt="image" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando confrontados pela parceira com uma pergunta do tipo "&lt;em&gt;você já teve um amor?&lt;/em&gt;", muitos caras responderiam algo do tipo &lt;em&gt;jamais minha ex era maluca&lt;/em&gt; ou algo assim. Já Cartola disse assim:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Tive sim&lt;br /&gt;
Outro grande amor antes do teu, tive sim&lt;br /&gt;
O que ela sonhava eram os meus sonhos&lt;br /&gt;
E assim íamos vivendo em paz&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Nosso lar&lt;br /&gt;
Em nosso lar sempre houve alegria&lt;br /&gt;
Eu vivia tão contente&lt;br /&gt;
Como contente ao teu lado estou&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;A princípio, você pensar que ele não esqueceu a ex, que talvez a prefira. Mas os próximos versos resolvem essa dúvida:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Tive, sim&lt;br /&gt;
Mas comparar com o teu amor seria o fim&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;E por fim, de forma sábia, ele termina com:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Eu vou calar&lt;br /&gt;
Pois não pretendo amor te magoar&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;O que foi de bom tom parar por aí hahaha mensagem entendida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa canção tem estado na minha cabeça por uns dias justamente pelo eu lírico ter honestidade afetiva e preferir uma resposta mais difícil emocionalmente, do que dar uma resposta fácil e barata que iria diminuir o que ele havia sentido no passado, e ele também reforça que o amor atual é maior sem comparação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tenho ouvido muito Cartola esses dias por algum motivo, e às vezes eu fico nessas divagações de pegar um pequeno detalhe das músicas e explorar por dias. Se você gosta desse tipo de post, dê uma olhada também em &lt;a href='/as-musicas-de-carnaval-explicam-o-status-quo/' target='_blank'&gt;as músicas de carnaval explicam o status-quo&lt;/a&gt; onde a gente fala de uma masculinidade em crise explicada pelas músicas, e também &lt;a href='/prova-de-carinho/' target='_blank'&gt;Prova de carinho&lt;/a&gt; do Adoniran, que traz um contraste com o Cartola e já seria um sambista mais... digamos... ardiloso, como você pode na música acima e também em "Trem das Onze". Aliás, você sabe que o Adoniran tá mentindo em Trem das Onze, né? Filho único sim... pode confiar...&lt;/p&gt;
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    <published>2026-07-29T19:07:00+00:00</published>
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    <id>https://eskayvendo.bearblog.dev/saudades-do-meu-ex/</id>
    <title>saudades do meu ex</title>
    <updated>2026-08-01T13:10:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>eskayvendo</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;eu sou &lt;a href='https://eskayvendo.bearblog.dev/o-drama-da-mudanca--outros-updates'&gt;avesso à mudanças&lt;/a&gt; e isso me afeta especialmente na forma como trabalho. já por muitos anos faço uso do &lt;strong&gt;scrivener&lt;/strong&gt;, um editor de texto super famoso, comum tanto na gringa como por aqui - pelo menos no meu círculo social, muita gente já utilizou e na internet sempre vejo brasileiros falando a respeito. eu gosto tanto do programa que cheguei a comprar a licença dele, o que me rendeu, depois de uns meses, a atualização para o famigerado Scrivener 3, que vinha sendo aguardada na comunidade fazia mais de ano. escrevi um sem número de histórias com ele e, desde o primeiro uso, senti que tinha achado a solução para meus problemas de organização e de "cegueira temporal".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;mas aí vem o ônus: eu tendo de usar o windows (vômito) por anos, só pra não poder perder o uso ao scrivener. eu detesto o windows desde que aprendi a manusear minimamente um linux (comecei com o ubuntu, passeei pelo xubuntu, lubuntu, voltei pro ubuntu e agora estou no kali - eu sei, uma mudança e tanto!), então não aguentava ter de fazer uso desse sistema de merda só pra manter UM programa que não tinha versão pra linux. um dia me cansei, especialmente depois de várias travadas do windows. resolvi que ia tacar o foda-se, instalar o ubuntu de novo e dava um jeito de arrumar o scrivener nele depois.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;foi aí que começou a minha saga. basicamente achei um &lt;a href='https://rdewalt.substack.com/p/installing-scrivener-on-linux'&gt;tutorial&lt;/a&gt; que ensinava o passo a passo para botar o linux pra rodar numa máquina virtual usando o wine. funcionou uns 80%, pois ainda tive muito trabalho ajustando outros erros que apareciam pelo caminho e que não eram cobertos pelo tutorial (normal, pois, assim como cada floco de neve é único, o mesmo vale para instalações linux).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;no final, consegui fazer o programa rodar depois de 3 dias só me dedicando à questão. tudo certo, exceto que, por algum motivo, o wine fazia meu scrivener não aceitar corretamente a formatação UTF-8, deixando meu texto sem acentuação. rodei e rodei, mas nunca achei um jeito de consertar essa merda. acabei usando dessa forma mesmo, ainda que seja muito estressante pra mim escrever com erros tão crassos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;um dia meu notebook, o Júnior, foi de base, levando meus arquivos (que consegui recuperar depois) &amp; meu coração (que nunca mais voltou a ser o mesmo). o Júnior foi meu primeiro notebook BOM, presente da minha amiga e ex-namorada. o cara era tão velho de guerra que já tinha chegado na minha amiga USADO e mesmo assim durou mais uns... 6, 7 anos na minha mão?? não tenho certeza, mas se fosse por mim ainda estaria com o Júnior até hoje. "ah, mas o hardware desatualizado", ah mermão, foda-se, o negócio funcionava pro que eu precisava!!! novas tecnologias não têm poder nenhum sobre mim enquanto as antigas ainda estiverem funcionando perfeitamente pras minhas demandas. foi a mesma coisa com meu celular, mencionado nesse post sobre &lt;a href='https://eskayvendo.bearblog.dev/lendo-livros-de-carne-e-osso'&gt;minhas leituras&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;consegui outro notebook, até que esse também me deixou na mão, pois a tela sofreu um apagão - mas antes disso, fiz o mesmo processo de sempre: instalei o ubuntu, os programas que eu precisava com mais urgência pro trabalho e aí chegou a vez do scrivener. só que, dessa vez, não consegui fazer o programa rodar nem por um caralho. tentei inclusive usar o lutris, que é muito utilizado para fazer rodar jogos sem versão pro linux, mas foi em vão. acabei ficando sem scrivener e resolvi que ia testar outros programas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;pensei, por um tempo, de fazer anotações sobre cada programa para depois reunir numa postagem só com meus comentários, mas a real é que fiquei com preguiça - foram tantos que já nem lembro o nome da maioria, sendo sincero. dos poucos que me recordo, foram aqueles que não me deram tanto trabalho:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;novelWriter&lt;/strong&gt;, que não usei para escrever ficção (seria muito complicado de arrumar o material depois, para fazer a edição, revisão e diagramação), mas sim para escrever as postagens desse blog (a formatação markdown dele já deixava tudo praticamente pronto pra cá);&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;bibisco&lt;/strong&gt;, que usei para escrever ficção, mas não seguiria usando porque senti que era muito poluído graficamente falando. se você é uma pessoa que gosta de vários frufrus no programa, ele tem algumas opções bem interessantes, caso adquira o premium.&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;ellipsus&lt;/strong&gt;, que foi o campeão, pra mim, dentre os citados, mas cujos ônus me impedem de gostar dele tanto quanto do scrivener. primeiro que ele é online, sem programa desktop e eu &lt;em&gt;detesto&lt;/em&gt; com todo meu coração usar coisas online. segundo porque não possui um sistema de organização de cenas/capítulos muito bom, dependendo da formatação do texto, como qualquer docs da vida faria, e pra mim que escrevo histórias com muitas cenas, muito material, isso faz uma falta danada. ele também tem uma versão paga que libera algumas features interessantes de estatísticas e tal, mas acho que faz mais sentido pra quem escreve em inglês, já que provavelmente opera com algum tipo de IA para fazer análises como "para qual público (idade/nível de educação) esse texto faz sentido".&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;enfim, agora estou aqui pelo kali, que é bem diferente das outras distros que usei. quero me habituar ao kali porque ele é o mais utilizado para cybersegurança e atualmente estou estudando a área, mas confesso que várias vezes me sinto meio tapado por não conseguir fazer funcionar os programas que quero, esbarrando em erros que ainda não consegui corrigir. isso nem é tanto culpa do kali, mas sim da minha falta de tempo - as coisas com linux podem demorar um pouco mais pra se arrumar, especialmente se você tá se deparando com um problema desconhecido e esse é o caso pra mim. acho admirável pessoas como cálien, que saca demais de &lt;a href='https://spacecrowperson.bearblog.dev/entreblogs-um-novo-rice-de-linux-pra-mim'&gt;mexer nos compiuter&lt;/a&gt;, mas eu ainda tô no baby steps e às vezes o baby aqui cai de cara no chão pra não levantar de jeito nenhum.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;mas como mamãe não criou nenhum desistente (apenas um dramático muito prolixo), prometi a mim mesmo que quando concluir o trabalho que estou pertinho de lançar (é logo agora no começo de agosto!), vou sentar o rabo na frente do note e só me levantar quando tiver voltado pro meu scrivener!!! não falo disso apenas pelo meu apego ao programa (apesar de sim, ter muito essa questão, com certeza), mas também porque sinto falta de escrever ficção. por um tempo achei que fosse melhor desistir de ser escritor, de só trabalhar no texto dos outros porque é um local onde posso exercer tanto a minha criatividade quanto minha habilidade técnica. depois de uma sessão de terapia chorando compulsivamente ao pensar em nunca mais escrever, no entanto, acho que essa não é uma opção, então bora de trabalhar nos compiuter, né? é o que temos pra hoje.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;Quer responder essa postagem? &lt;a href="mailto:kay.j.batista@gmail.com?subject=Re: saudades do meu ex"&gt;Fala que eu te escuto!&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
</content>
    <link href="https://eskayvendo.bearblog.dev/saudades-do-meu-ex/" rel="alternate"/>
    <published>2026-08-01T13:10:00+00:00</published>
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    <id>https://semdominio.bearblog.dev/paginas-de-sketchbook-1/</id>
    <title>Páginas do meu sketchbook #1</title>
    <updated>2026-08-01T12:46:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>semdominio</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;Bom dia, pessoal!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Hoje o dia está lindo. Já, já começa o meu curso sobre Ártemis na USP, faz um sol maravilhoso, um ventinho gelado. Já, já também vou preparar um cafezinho, porque não tomei essa bebida dos deuses a semana toda. Tudo nos conformes, no auge do bom humor, mesmo que a vida apresente tantas outras coisas que deveriam nos derrubar. Incrivelmente, não tem dado certo. Sigo firme e forte, de vento em popa. Quando vamos nos encaixando em nós mesmos, percebemos que a vida sempre pode ser maravilhosa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Então, &lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/medo-do-beda/'&gt;conforme pensei nesses últimos dias&lt;/a&gt;, vou começar hoje a sessão “Páginas do meu sketchbook” aqui no blog! Algumas dessas páginas já foram vistas por olhos que não os meus, outras ainda estão envergonhadas diante desse olhar. Decidi trazer as páginas que, por algum motivo específico, me agradam. E aí vou comentando um pouquinho com vocês sobre elas, de forma breve, eu espero.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vamos lá!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div align="center"&gt;
★&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/semdominio/sdfdsfs.webp" alt="sdfdsfs" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
Essa primeira página que eu escolhi foi para deixar bem evidente que o sketchbook é, ao mesmo tempo, um lugar para estudos mais sérios e coisas mais soltas, tudo misturado. Ele é meio como esse blog. Acho que a essa altura vocês já perceberam que gosto de misturar o sério com o bobo, o estudo com a piada, o belo com o feio. Na vida sou meio assim, meio a meio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div align="center"&gt;
★&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
A parte da esquerda é um estudo de pés do &lt;em&gt;Curso de desenho Charles Bargue&lt;/em&gt;. Esse livro tem uma proposta bem autodidata mesmo. Você aprende por observação e insistência. Se você quer aprender à sua moda, sem muitas intervenções, ele é uma ótima ideia. O trabalho central é copiar as pranchas que trazem os modelos quantas vezes você quiser. O livro começa com desenhos mais simples, com várias dessas linhas dando orientações, e, depois, passa para coisas mais complexas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/semdominio/20260801_091627.webp" alt="20260801_091627" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vou deixar aqui também o vídeo do YouTube de onde peguei essa recomendação. A &lt;a href='https://www.youtube.com/@BiaPrado'&gt;Bia Prado&lt;/a&gt; é muito inteligente e tem uma didática maravilhosa. Aprendi bastante com ela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div style="display:flex; justify-content:center;"&gt;
&lt;iframe
src="https://www.youtube.com/embed/c62RpT3J19I?si=Fprp3-bjzPmiLnPp"
style="width:100%; max-width:560px; aspect-ratio:16/9;"
allowfullscreen&gt;
&lt;/iframe&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div align="center"&gt;
★&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O lado direito, mais solto e brincalhão, funcionou para fazer alguns testes de cores de aquarela. Algumas delas são brilhantes, da Pestilento, mas talvez não tenha dado para perceber na foto que eu tirei nessa manhã ainda não muito clara. Eu queria fazer um quadro usando essas estrelinhas douradas, e acabei ainda não fazendo. Mas já tenho inúmeros rascunhos dele no sketchbook, que mais pra frente posso mostrar também.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto de deixar esses quadrados de aquarela no sketchbook porque depois eles funcionam como testes sobreposição, como um fundo no qual sobreponho outras coisas, como lápis de cor, giz pastel, marcadores.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O meu detalhe preferido dessa página é a pequena maçãzinha desenhada dentro de um dos testes de aquarela. Ela foi feita com o pastel oleoso Gallery, da Mungyo, no mesmo dia em que o comprei. Quis logo testar como ele ficaria sobreposto a um fundo avermelhado. Amei o resultado. E me apaixonei perdidamente por esse pastel. A caixinha tem apenas 12 cores, mas consigo atingir cores complexas, que evocam profundidade, com pouco esforço.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Agora ele custa uma fortuna, mas na época consegui pagar 60 reais com a taxa de importação incluída, acreditam? Fico sempre na espreita para ver se pego alguma promoção dele por aí.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/semdominio/20260801_092907.webp" alt="20260801_092907" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div align="center"&gt;
★&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
Por hoje é isso, pessoal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tenham um lindo dia, um final de semana radiante e um ótimo início de BEDA.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
Com amor,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;em&gt;Uma garota de 30 anos&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Quer comentar esse texto?&lt;/strong&gt; Dê um alô no &lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/guestbook/'&gt;Guestbook&lt;/a&gt; do blog.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/a-odisseia-de-christopher-nolan-e-a-critica/'&gt;Anterior&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Para escrever para mim, clique &lt;a href='https://letterbird.co/garota-30anos' target='_blank'&gt;aqui&lt;/a&gt;. Caso aguarde uma resposta, verifique também a sua caixa de spam.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;hr /&gt;
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    <link href="https://semdominio.bearblog.dev/paginas-de-sketchbook-1/" rel="alternate"/>
    <published>2026-08-01T12:46:00+00:00</published>
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    <id>https://tsuyushi.bearblog.dev/fanfic-ou-original/</id>
    <title>Fanfic ou Original?</title>
    <updated>2026-08-02T01:18:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>tsuyushi</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;Esses tempos, eu me fiz a seguinte pergunta:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;Por que eu vou escrever fanfic, se eu posso escrever os meus originais?&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;E isso sempre foi uma pergunta que sondou muita gente que escreve fanfic, acredito eu — não só internamente, mas que partiu também de outras pessoas. E, depois de tanto tempo, eu realmente me peguei refletindo sobre ela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como &lt;a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" href="https://tsuyushi.bearblog.dev/sobre-meu-burnout-escrevendo/"&gt;comentei anteriormente&lt;/a&gt;, escrevo desde que me conheço por gente. E, sim, eu sempre escrevi fanfic, ainda que naquela época eu não tinha noção de que isso poderia se chamar fanfic. Eu assistia os programas na TV e imaginava outras histórias com aquelas personagens — colocava personagens originais junto, também. Inclusive, até minhas próprias sonas (os projetos iniciais de fursona que eu tinha na época, haha).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por muitos anos, sempre me foi muito claro a razão pela qual eu gostava de fazer fanfic, apesar de ter minhas originais. E meus universos originais são &lt;strong&gt;minha paixão&lt;/strong&gt;, apesar de não parecer. Sou tão, tão apaixonada neles, que por muito tempo eu estava contente que eles residiam somente na minha cabeça (e em alguns rascunhos que tenho guardado deles).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu tenho, efetivamente, dois grandes projetos de originais: &lt;strong&gt;Contos esplêndidos&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;As razões de Deus&lt;/strong&gt;. Esse ano, ainda, eu comecei os rascunhos de um novo universo chamado &lt;strong&gt;Herança de Plumas&lt;/strong&gt;. Todos eles eu vou citar aqui no blog, no momento certo. Mas saibam que os dois primeiros estão comigo tem, pelo menos, uns dez anos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em meados do meu aniversário, eu resolvi que queria que &lt;strong&gt;Contos esplêndidos&lt;/strong&gt; fosse mais palpável — e comecei a encomendar os designs do personagem principal desse mundo, meu filho querido. Disso, eu encomendei também o marido dele. E estou expandindo, aos poucos, para ter ao menos o design do elenco principal (e mais um tanto de artes do meu filho, também, porque eu amo ele).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por essa razão, me questionei: &lt;em&gt;para que eu voltaria a escrever fanfic, se eu tenho meus mundos originais que comecei a trabalhar agora?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E, depois de muito refletir, eu entendi: eu &lt;strong&gt;não tenho como&lt;/strong&gt; criar personagens originais o suficiente para satisfazer todas as dinâmicas que eu quero trabalhar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A conclusão me veio, obviamente, pelo meu ship novo — que está residindo na minha cabeça sem pagar aluguel tem algum tempo. Analisando, pensando, eu entendi que eu quero realmente trabalhr esse ship, tanto quanto meus originais. E está tudo bem, porque não faria sentido eu criar uma personagem original com essa mesma dinâmica somente para fazer um conto (talvez dois ou três).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A graça da fanfic é essa: imaginar outros cenários com aquelas personagens. Explorar dinâmicas entre as personagens. Fazê-las se desenvolver. Para mim, sempre foi sobre o criar. E, por mais que, sim, &lt;strong&gt;daria para criar um par de personagens para cada dinâmica que eu gosto&lt;/strong&gt;, não acho que faça sentido, ao menos para mim. As personagens estão ali, eu gosto de como elas são, visualmente falando; eu gosto de suas personalidades; gosto de seus nomes. Se eu for somente replicar tudo isso, qual sentido teria?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Posso, sim, criar um amalgama de coisas, como aconteceu com a Rin — que virou minha barda do RPG — e o Manato — o namorado oficial dela. Mas não é isso que eu quero agora. E, paralelo a isso, eu vou remodelando os meus mundos originais (que, depois de dez longos anos, precisam de alguns fatos atualizados. Alguns tantos).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em suma, eu escrevo fanfics para conseguir satisfazer a vontade que está na minha cabecinha, do mesmo modo que crio meus mundos originais: para satisfazer as caraminholas dessa mesma cabecinha, só que com ainda mais autonomia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mais algum escritor de fanfics perdido por aí que também teve esse dilema? De voltar ou não às fanfics, depois de escrever originais?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: center;"&gt;🎀🐇🎀&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Você pode &lt;a href="https://tsuyushi.bearblog.dev/guestbook/" target="_blank"&gt;assinar o Guestbook&lt;/a&gt; se quiser deixar uma opinião geral,  me &lt;a href="https://letterbird.co/tsuyushi" target="_blank"&gt;enviar um e-mail&lt;/a&gt; ou deixar um comentário abaixo:&lt;/p&gt;
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    <published>2026-08-02T01:18:00+00:00</published>
  </entry>
  <entry>
    <id>https://spacecrowperson.bearblog.dev/irreparaveis-montanhas-vis/</id>
    <title>Irreparáveis montanhas vis</title>
    <updated>2026-08-01T12:51:29.130968+00:00</updated>
    <author>
      <name>spacecrowperson</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;Eu vejo vocês indo embora agora, &lt;br /&gt;
sua grandiosidade grande demais para mim. &lt;br /&gt;
Montanhas vis da mais bela flora, &lt;br /&gt;
beleza vasta, quase sem fim, &lt;br /&gt;
apavoram todos, de dentro a fora, &lt;br /&gt;
ora a vaca, ora o capim.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;São inertes, mas inconstantes, &lt;br /&gt;
muito mais velhas que qualquer um. &lt;br /&gt;
São gigantes, mesmo dormentes, &lt;br /&gt;
mesmo pequenas, mesmo singelas, &lt;br /&gt;
são imensas, muito maiores &lt;br /&gt;
que qualquer coisa que há em mim.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Irreparáveis montanhas vis, &lt;br /&gt;
porque se vão, me abandonando aqui!? &lt;br /&gt;
Como ousam, como querem &lt;br /&gt;
que eu respire longe daí!? &lt;br /&gt;
Não se importam com o que fizeram, &lt;br /&gt;
com a pequenez que eu senti? &lt;br /&gt;
A impotência, incapacidade, &lt;br /&gt;
nunca terei tua grandeza, &lt;br /&gt;
tua flora, tua fauna, tua névoa, &lt;br /&gt;
tua calma. &lt;br /&gt;
Serei pouco.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas insatisfeitas, levam consigo &lt;br /&gt;
ainda as memórias, ainda a beleza, &lt;br /&gt;
que um dia eu testemunhei. &lt;br /&gt;
Não que mereça, mas por pura sorte, &lt;br /&gt;
um dia eu presenciei. &lt;br /&gt;
Teu esplendor, na mais bela vista, &lt;br /&gt;
no mais belo mar de verde e azul, &lt;br /&gt;
era tudo que me ancorava, &lt;br /&gt;
o teu ambiente e a minha dor. &lt;br /&gt;
Levo de mim ainda o teu formato, &lt;br /&gt;
todo o teu brilho e a tua cor. &lt;br /&gt;
E levo. Pois são inertes as pequenas montanhas.&lt;/p&gt;
</content>
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    <published>2026-08-01T12:51:29.130968+00:00</published>
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    <id>https://blogdoth.bearblog.dev/vendendo-a-alma-para-o-sistema/</id>
    <title>Vendendo a alma para o sistema</title>
    <updated>2026-07-29T12:15:14.159731+00:00</updated>
    <author>
      <name>blogdoth</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;Julho praticamente acabou e posso dizer que esse mês foi intenso. No trabalho tive entregas importantes junto com minha equipe que vão direcionar os caminhos da companhia nos próximos meses.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu estou lendo o livro O Perfume, de Patrick Süskind, e a minha expectativa era publicar uma resenha aqui até o final desse mês. Mas infelizmente eu ainda não consegui terminar. Ainda estou na metade. Mas estou gostando muito...baita livro. Cheguei a iniciar o rascunho da resenha.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img src="https://i.imgur.com/sQVbd5J.jpeg" alt="A imagem gerada foi renderizada em um estilo gráfico de alto contraste, utilizando apenas as cores creme e marrom-escuro para criar uma estética de poster editorial com texturas de pontilhado (halftone). Nela, estão sobrepostas janelas de um navegador Chrome, exibindo um documento do Google Docs e uma aba de chat. O texto do documento está em português e diz: "Ler o livro o perfume não foi uma tarefa fácil, principalmente porque o que menos gosto em ler livros de autores gringos é a dificuldade de ler nome dos personagens, nomes de ruas e qualquer coisa que não seja possível traduzir para o português. Patrick Süskind é alemão e a história que eles escreveu se passa na Paris do século XVIII e eu não sei absolutamente nada de francês. Ler sobrenomes e nomes de ruas e edifícios foi uma tarefa hercúlea.". Na parte inferior da imagem, os ícones do dock do macOS foram estilizados graficamente nas cores creme e marrom." /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando eu terminar de escrever eu vou publicar aqui no blog.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como alguns que já frequentam meu blog há um tempo já sabem, eu trabalho como designer gráfico. Na minha carreira eu já trabalhei numa agência especializada em marketing político e prometi pra mim mesmo que nunca mais faria esse tipo de trabalho... Corta para 2026 e estou negociando para participar como designer de uma campanha de um deputado do Rio de Janeiro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que eu posso fazer? Eu adoro dinheiro e além disso as contas precisam ser pagas. Às vezes precisamos vender nossa alma pro sistema.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Que tudo dê certo.&lt;/p&gt;
&lt;div class="post-actions"&gt;
&lt;a href="mailto:blogdoth4@gmail.com?subject=Re:%20Vendendo a alma para o sistema"&gt;E-mail&lt;/a&gt;
&lt;a href="https://blogdoth.bearblog.dev/guestbook/"&gt;Guestbook&lt;/a&gt;
&lt;a class="ver-todos" href="https://blogdoth.bearblog.dev/blog/"&gt;Voltar&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;h3 id=posts-populares&gt;POSTS POPULARES&lt;/h3&gt;&lt;p&gt;

&lt;ul class="embedded blog-posts"&gt;
    
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        &lt;span&gt;
            &lt;i&gt;
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    18 Feb, 2026
&lt;/time&gt;
            &lt;/i&gt;
        &lt;/span&gt;
        &lt;a href="/o-chato-fitness/"&gt;O chato fitness&lt;/a&gt;
        

        

        
    &lt;/li&gt;
    
    &lt;li data-tags="popular"&gt;
        &lt;span&gt;
            &lt;i&gt;
                &lt;time datetime="2025-11-25T11:15Z"&gt;
    25 Nov, 2025
&lt;/time&gt;
            &lt;/i&gt;
        &lt;/span&gt;
        &lt;a href="/sobre-blogs-pessoais/"&gt;Sobre blogs pessoais&lt;/a&gt;
        

        

        
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            &lt;i&gt;
                &lt;time datetime="2025-10-23T11:00Z"&gt;
    23 Oct, 2025
&lt;/time&gt;
            &lt;/i&gt;
        &lt;/span&gt;
        &lt;a href="/o-culto-a-performance/"&gt;O culto a performance&lt;/a&gt;
        

        

        
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        &lt;span&gt;
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                &lt;time datetime="2025-09-11T11:00Z"&gt;
    11 Sep, 2025
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            &lt;/i&gt;
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    28 Aug, 2025
&lt;/time&gt;
            &lt;/i&gt;
        &lt;/span&gt;
        &lt;a href="/manual-pratico-da-desimportancia/"&gt;Mini manual da desimportância&lt;/a&gt;
        

        

        
    &lt;/li&gt;
    
&lt;/ul&gt;‎‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎&lt;/p&gt;
</content>
    <link href="https://blogdoth.bearblog.dev/vendendo-a-alma-para-o-sistema/" rel="alternate"/>
    <published>2026-07-29T12:15:14.159731+00:00</published>
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  <entry>
    <id>https://mikahgosto.bearblog.dev/pre-beda-de-agosto/</id>
    <title>Pré-BEDA para Agosto de 2026</title>
    <updated>2026-07-26T18:40:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>mikahgosto</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;div style="text-align:justify;"&gt; Se por acaso você não faz a menor ideia do que é BEDA, significa Blog Every Day August (ou Blog Every Day April), um desafio em que criadores de conteúdo publicam um artigo novo no blog todos os dias durante o mês de agosto ou de abril. 
&lt;p&gt;Esse ano, o pessoal do Entreblogs se superou e criou mais que isso e vamos ter um super evento chamado Dungeons and Blog - Os Guardiões da Blogosfera&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;Quando começaram a divulgação sobre o BEDA eu pensei: "pff... até parece que eu vou dar conta de postar alguma coisa todo santo dia, vou tentar alguns sem compromisso", mas aí fui me empolgando na empolgação da galera e cá estamos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Achei que ia só escrever qualquer coisa que viesse na cabeça mesmo que nem é no caderno das páginas matinais, mas aí uma ideia de usar alguns temas veio na minha mente e eu agarrei ela. Agora, em vias de começar o evento em si, venho compartilhar tal ideia pro caso de ajudar quem ainda está em busca de inspiração.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Além de que talvez esse post tambem sirva de índice do que vem por aí se eu realmente conseguir reunir por aqui o link de todas as postagens. Vai que..&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dito isso, vamos lá o/&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;Primeiro de tudo, pensei: "Sobre o que normalmente eu gosto de falar no meu blog?".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isso me ajudou a perceber que as ideias podiam vir de um lugar comum e não exatamente de algo completamente novo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lembro de ler algo sobre isso em alguma das newsletters sobre criatividade que eu acompanho há um bom tempo, boas ideias moram no cotidiano também, então vamos resolvi começar olhando para elas. Com isso praticamente 99% do que pensei pro BEDA até agora veio desse raciocínio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo, pensei: "Quantas semanas terá o mês de agosto?", abri o calendário, e vi que começaria em um sábado, então teremos 4 semanas e um pouquinho. Ok, e se... forem temas semanais?&lt;/p&gt;
&lt;h3 id=e-assim-ficou-o-planejamento&gt;E assim ficou o planejamento:&lt;/h3&gt;&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;p&gt;&lt;mark&gt;&lt;strong&gt;Sábado:&lt;/strong&gt;&lt;/mark&gt; planejamento semanal e revisão da semana que tá acabando, porque quero estar mais consciente do meu dia a dia esse mês, não cair no piloto automático &lt;a href='https://mikahgosto.bearblog.dev/vivendo-junho-de-2026'&gt;como foi em junho&lt;/a&gt; e acho que pode ser legal compartilhar como faço isso &lt;em&gt;versus&lt;/em&gt; a realidade;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;p&gt;&lt;mark&gt;&lt;strong&gt;Domingo:&lt;/strong&gt;&lt;/mark&gt; mini playlist e qualquer coisa aleatória que der vontade, já que voltei a ouvir mais músicas e sinto falta de criar umas playlists, mas vou focar em deixar elas pequenas, no minimo 5 e no máximo 10;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;p&gt;&lt;mark&gt;&lt;strong&gt;Segunda:&lt;/strong&gt;&lt;/mark&gt; dia de psicologia para escrever sobre algo que aparece muito no meu trabalho ou já tive que estudar por conta de algum caso;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;p&gt;&lt;mark&gt;&lt;strong&gt;Terça:&lt;/strong&gt;&lt;/mark&gt; culinária e minha relação com a cozinha/cozinhar e quem sabe compartilhar uma receita aqui, acolá;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;p&gt;&lt;mark&gt;&lt;strong&gt;Quarta:&lt;/strong&gt;&lt;/mark&gt; coisas aleatórias que já pesquisei bastante para meu caderno de conhecimentos (que de certa forma ainda não foi iniciado concretamente, só na minha cabeça, mas vai que agora sai);&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;p&gt;&lt;mark&gt;&lt;strong&gt;Quinta:&lt;/strong&gt;&lt;/mark&gt; TBT de escritora e aqui talvez seja levemente roubado, pretendo repostar algo que já publiquei em algum lugar, seja alguma edição da newsletter que tentei escrever em 2025 ou alguma(s) da(s) histórias que já publiquei na internet, esse na hora eu decido;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;p&gt;&lt;mark&gt;&lt;strong&gt;Sexta:&lt;/strong&gt;&lt;/mark&gt; postagem da Hakim&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;h2 id=hakim-a-florista&gt;Hakim, a florista&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/mikahgosto/img_20260726_152351_710.webp" alt="IMG_20260726_152351_710" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No dia que saiu o &lt;a href='https://entreblogs.com.br/beda/2026/recrutamento'&gt;link de recrutamento&lt;/a&gt; para o BEDA, vi que no formulário tinha que criar uma personagem, assim nasceu Hakim, que, acompanhando a ideia do meu marido, é apenas meu apelido ao contrário mesmo, então sou eu e ao mesmo tempo não sou eu :)&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Hakim, a florista, cultiva palavras em um jardim pautado e transforma todas elas em um buquê de postagem seguindo um tema a cada dia da semana, como raízes que chegam cada vez mais fundo num mesmo assunto.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Eu ainda não tenho total certeza do que vou fazer com essa personagem, mas eu gostei da ideia que alguém compartilhou no blog e vou adaptar do meu jeitinho, quem sabe sejam contos e Hakim faça um meio papel de bardo nessa história toda...&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/br&gt;
&lt;/br&gt;
&lt;div style="text-align:center;line-height:40%;margin-bottom:50pt;margin-top:20pt;"&gt; 
&lt;p&gt; Tocando aqui 🧠:&lt;/p&gt;
&lt;p style="font-style:italic;"&gt;&lt;a href="https://music.youtube.com/watch?v=A-Y7EQ1Cq2M&amp;si=wB6666tWSfEXhI6E"&gt; Believe In The Kingdom - King Topher &lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;01:45 ━━━━●───── 2:11&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   ㅤ ㅤ◁ㅤ ❚❚ ㅤ▷ ㅤㅤ&lt;/p&gt;
&lt;/br&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class="previous-post" href="/cuidar-de-mim-tambem-e-cuidar-de-voce" title="Cuidar de mim também é cuidar de você"&gt;Previous&lt;/a&gt; |
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&lt;p&gt;𔓘 &lt;a href="mailto:micarlajcandido@gmail.com?subject=Re: Pré-BEDA para Agosto de 2026"&gt;E se quiser trocar uma ideia sobre isso, é só clicar aqui :)&lt;/a&gt;
&lt;/br&gt;
&lt;/br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align:center;"&gt;「 Ｂｅｂａ áｇｕａ 」 &lt;/p&gt;
</content>
    <link href="https://mikahgosto.bearblog.dev/pre-beda-de-agosto/" rel="alternate"/>
    <published>2026-07-26T18:40:00+00:00</published>
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  <entry>
    <id>https://spacecrowperson.bearblog.dev/blogs-dungeons-desenvolvimento-de-personagem/</id>
    <title>[Blogs &amp; Dungeons] Desenvolvimento de personagem</title>
    <updated>2026-07-29T01:17:48.279419+00:00</updated>
    <author>
      <name>spacecrowperson</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Esse post faz parte de uma iniciativa do &lt;a href='https://entreblogs.com.br'&gt;Entreblogs&lt;/a&gt; para o mês de agosto.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Olá amigos! Como preparação para esse BEDA, eu resolvi desenvolver o meu personagem com uma lista de 24 perguntas que eu uso pra explorar meus personagens de RPG, e acabei resolvendo compartilhar aqui com vocês.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;1. Qual o nome do seu personagem?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;C. C. C. Casement.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;2. Quantos anos ele tem?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É difícil compreender a escala de idade entre espécies e sátiros são conhecidos por viverem significativamente mais do que humanos, mas Casement é um jovem adulto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;3. Onde e quando ele nasceu?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Casement nasceu fora de Sgolbertne, em uma cidade que hoje foi esquecida até pela poeira que a recobriu. Não haviam escribas suficientes ou magistrados que se importassem o bastante para que alguém se lembrasse. Talvez por isso esse registro tenha se perdido até na mente de Casement.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;4. Qual a aparência física do seu personagem?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img src="https://lh3.googleusercontent.com/d/1O7qMTEVYGZiFLbmEURhLMsEngLlrdscX=w500" alt="C. C. C. Casement" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;5. Quais os traços de personalidade mais marcantes do seu personagem?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Além de atrapalhado e desengonçado, Casement mantém uma atitude um tanto quanto otimista, sempre que possível. Exceto quando ela está com medo. Aí não há otimismo que se mantenha perto da iminência da morte por tropeço em fio solto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;6. Quais as maiores inseguranças do seu personagem?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Casement não gosta muito dos próprios cascos. São barulhentos, impráticos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;7. Quais os maiores medos do seu personagem?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Casement tem medo de muitas coisas, mas principalmente de se perder. Nada e ninguém deveria cair no esquecimento. Não novamente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;8. Quais os valores que regem a vida do seu personagem?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Casement acredita que tudo é vital para a construção do presente. Por isso, a história é o seu bem de maior valor. E da mesma forma, como o presente constantemente vira passado, o presente vira algo novo com cada novo passado. Assim, o presente é invariavelmente variável.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;9. Qual a principal lembrança de infância do seu personagem?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Engraçada essa pergunta, nesse contexto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;10. O que o seu personagem aprendeu durante a adolescência?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Que tudo o que nós vivemos nos molda, mesmo sem que nós saibamos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;11. Como seu personagem vê seus pais ou cuidadores?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não vê. Não há pais ou cuidadores que Casement possa ver. Nem em retrospecto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;12. Como seu personagem lida com o fracasso?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Que fracassos? Casement não fracassa, Casement evolui!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;13. Seu personagem tem alguma habilidade ou talento especial?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;14. Como seu personagem lida com a autoridade?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;HA! Autoridade, como se isso existisse! Casement sabe que a única autoridade é o tempo, ninguém mais consegue impor seus desejos a ela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;15. O que seu personagem faria para proteger alguém que ama?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tudo que não acabasse botando ele em um risco maior do que a própria pessoa. Não há sentido em deixar que os dois morram.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;16. Qual a maior falha do seu personagem?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Casement não tem boa memória.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;17. Como seu personagem reage em situações de conflito?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Casement tem uma tendência a cair em conflitos sem intenção. Por isso, ela adquiriu uma certa experiência ao redor desse tipo de situação e consegue dominar seus adversários com sua língua de aço e celeridade incrível. Celeridade essa também muito útil quando a língua não é suficiente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;18. O que seu personagem faz para lidar com as memórias do passado?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Felizmente, Casement não sofre desses males. Seu passado não o assombra, Casement não se arrepende de nada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;19. Seu personagem já traiu alguém ou foi traído?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não que elu se lembre.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;20. O que o seu personagem mais teme perder?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A vida. Ou memórias. Ou suas roupas, em um ambiente público com pessoas que ela conheça. Ou jogos de aposta. Ou o diário de bordo. Ou...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;21. Existe algo que seu personagem julga ser imoral, mas faz em segredo?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Bom, se vocês soubessem não seria segredo. ;)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;22. Quais os hábitos diários do seu personagem?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Acordar e apontar aleatoriamente para a nova direção de exploração do dia. De lá, os hábitos mudam.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;23. O que o seu personagem considera uma ameaça?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Qualquer coisa que possa destruir informações além do recuperável.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;24. Como seu personagem fala?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eloquentemente. Consoantes identificáveis e bem pronunciadas, vogais distintas e claras, uma boa projeção e modulação confortável.&lt;/p&gt;
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    <published>2026-07-29T01:17:48.279419+00:00</published>
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    <title>1 de Agosto</title>
    <updated>2026-08-02T02:59:51.059662+00:00</updated>
    <author>
      <name>bolhadear</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;Acordo mais cedo do que eu queria e me recuso a sair da cama até o horário que acho adequado. Junta todo mundo para montar a mesa de café da manhã e tirar fotos. Tem briga, porque sempre tem que ter. Corto o bolo e distribuo os pedaços, cada um de um tamanho diferente. Como e fico cheio. As visitas chegam. Começo a escrever um texto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ajudo a fazer a salada. Continuo quebrando cabeça com o texto. Almoço depois de todo mundo porque ainda me sinto cheio. Repito a sobremesa porque uma coisa não tem nada a ver com a outra. "Vamos sair daqui a pouco". &lt;em&gt;Daqui a pouco&lt;/em&gt; demora mais uma hora e meia. Mudo a ordem dos parágrafos, forço uma metáfora com um conceito que eu não sei se entendo direito, arremato com uma piadinha metalinguística.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Visitamos a casa velha, caindo aos pedaços. Tudo parecia tão maior quando eu era criança. Fazemos planos, de comprá-la e reformá-la, que nunca irão se concretizar. Falamos de problemas que toda família tem. Voltamos para casa e as visitas vão embora. Releio o texto e finalmente entendo o que quero dizer. Acho a conclusão pessoal demais e apago tudo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Depois de apertar &lt;code&gt;delete&lt;/code&gt;, entro numa chamada de vídeo que dura mais de duas horas. Falamos sobre o mundo, e sobre nós. Inventamos teorias malucas. Mudo a conclusão do texto na minha cabeça. Traço pelo menos uma meta, só para não passar em branco.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nos últimos minutos que restam, posso afirmar: foi um bom aniversário.&lt;/p&gt;
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    <id>https://eskayvendo.bearblog.dev/re-ia-de-verdade/</id>
    <title>re: IA de verdade // humanos que odeiam a humanidade</title>
    <updated>2026-07-26T18:00:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>eskayvendo</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;depois de ler &lt;a href='https://diels-daydreams.bearblog.dev/ia-de-verdade-mudou-o-jeito-que-eu-vejo-ia-de-mentira/' target='_blank'&gt;essa postagem da Diel&lt;/a&gt; fiquei bem pensativo e isso me deixou contente; nem sempre estou lendo o blog das pessoas para encontrar algo que queime meus parcos neurônios, mas quando acho é como estar no meio de uma caminhada e descobrir um sebo de livros num cantinho escondido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;depois de muito pensar sobre o texto da Diel, resolvi escrever o meu, que vai explorar, em parte, o que sinto sobre as IAs (focando nas LLM) e como correlaciono isso com o que via das IA na ficção.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;com todas as tentativas de humanizarem IA que vejo por aí, é meio recorrente que eu esteja puto com o assunto. uma das mais recentes bostas que tive o desprazer de ler foi uma empresa que "recria o seu filho" através de IA, focada em mulheres que perderam seus filhos precocemente, que sofreram abortos espontâneos ou similares. tipo, vai se foder, sabe? não vou linkar essa abominação por aqui, mas você provavelmente vai achá-la com facilidade no seu buscador favorito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;em outra seara igualmente perturbadora, uma família &lt;a href='https://www.npr.org/2025/05/07/g-s1-64640/ai-impact-statement-murder-victim' target='_blank'&gt;recriou uma vítima de assassinato&lt;/a&gt; para fazer uma declaração no julgamento do acusado que a matou. não sei nem por onde começar a analisar isso especialmente porque, apesar de entender o impacto que a morte e o luto subsequente à perda de um ente querido tem nas pessoas, não consigo deixar de questionar o quão válidas é uma atitude do tipo. sinto que precisaria de um post todo só sobre luto para examinar mais a fundo uma atitude assim, então por enquanto não digo nada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;quanto ao tópico "recriar gente morta por IA" eu poderia citar o episódio &lt;em&gt;be right back&lt;/em&gt; de black mirror, que coloco no meu top 5 da série, mas a realidade não é tão interessante quanto a ficção: você pode compartilhar com essas empresas as fotos, vídeos, mensagens e o que for sobre seu ente querido perdido, mas não vai receber de volta uma cópia ultra realista dele, que pensa, fala e age como essa pessoa. e mesmo que fosse, o quão fidedigna à realidade seria essa cópia? quantas coisas você não sabe sobre a pessoa amada e que ficariam de fora? considerando isso, ainda seria a mesma pessoa? ou talvez a pergunta seja: importaria que essa versão não passasse disso? &lt;em&gt;uma versão?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;não sei, não me parece que usuários correndo atrás desses "produtos-promessas" estejam prontos para admitir que não querem o retorno do seu ente querido, mas sim da versão dele de que se recordavam e tanto gostavam. a propaganda do app que recria seu filho perdido faz questão de frisar "manda mensagem quando sente saudades de você". a mulher que recriou seu irmão assassinado disse: "eu não sabia como colocar &lt;em&gt;meus&lt;/em&gt; sentimentos em palavras."&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;as pessoas não estão preenchendo um buraco causado pela ausência de quem partiu, mas sim alimentando sua necessidade de ouvir aquilo que tanto desejam, sob o disfarce de serem as palavras de quem amavam. não me surpreenderia se começassem a fazer isso com as pessoas ainda em vida.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;uma coisa que Diel disse em seu texto foi o seguinte:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Essa “robô inocente” trope é muito usada para criticar preconceito e até racismo, mas agora eu sinto que o ódio é completamente justificado.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;na hora me veio a história de &lt;em&gt;o homem bicentenário&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;uma das primeiras histórias de robô que me marcou muito foi o filme, inspirado na novela de mesmo nome de isaac asimov. o filme com robin williams é extremamente emocional, levando para um lado da humanização (literal) do robô andrew, que se esforça para ser um humano em sua completude, inclusive &lt;mark&gt;quando deseja ser capaz de morrer&lt;/mark&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;só de lembrar disso, meu coração se aperta e fica pequenininho no peito, pois como não associar as ações de andrew com o masking autista? somos obrigados a aprender a "fingir" uma humanidade protocolar, enquanto vemos a nossa forma de agir padrão ser excluída e apagada; vestimos a pele do neurotípico pois, sem ela, somos "coisas" e não pessoas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;a metáfora do robô, do alien e até do zumbi é frequentemente apropriada pelos autistas e não sem razão - temos forma humanoide, mas não nos sentimos humanos e o nosso entorno faz questão de jogar na nossa cara que nunca seremos aceitos como humanos, pois para isso deveríamos ser neurotípicos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;enfim, tendo um apego emocional tão grande ao filme, um dia resolvi ler a história original. me surpreendi muito na época, pois se o filme tinha uma mensagem de "o amor é aquilo que te torna humano", podendo ser até meio rasa, no caso do conto era possível sobrepor a experiência de pessoas negra ao robô, já que o mote principal era "para ser uma pessoa você deve ter direitos".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;andrew chega na casa de seu senhor como um empregado ao qual não se paga e que não precisa se ter cuidados, exceto o de "manutenção de mercadoria". ele eventualmente cria seus próprios produtos de artesanato e seu mestre vende-os, ficando com uma porção do valor para si e depositando outra numa conta para andrew ainda que, em se tratando da legislação da história, ele como robô não possa ter acesso a esse dinheiro. em dado ponto, andrew passa a se vestir como homem, mas os humanos acham estranho, não querem aceitá-lo. numa conversa com seu novo senhor - o neto do mestre original -, andrew percebe que precisa melhorar seu vocabulário, que talvez isso o tornasse mais aceitável para os humanos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;vou parar de descrever a história por aqui, mas há um momento, antes disso, em que andrew literalmente diz que queria ser alforriado. alguém poderia dizer que todos os outros detalhes que citei - ser um empregado sem direito ou salário; o percentual ganho pelo mestre ainda que o trabalho seja &lt;em&gt;dele&lt;/em&gt;, andrew; a rejeição à sua adoção de gestos humanos; sua necessidade de estudar, pois seu vocabulário é limitado aos afazeres domésticos e à servidão aos humanos - são meramente uma "super leitura" que forçaria a sobreposição do robô enquanto pessoa negra, mas com uma dessa é impossível de negar. nessa história, o humano é a pessoa branca e o robô é a pessoa negra escravizada lutando por seus direitos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;que homem maravilhoso era asimov!&lt;/em&gt;, eu pensei quando terminei de ler o homem bicentenário. &lt;em&gt;os outros autores de scifi deveriam seguir seu exemplo no aspecto social, não apenas ao reproduzir as três leis robóticas etc.&lt;/em&gt; por um tempo fiquei feliz de pensar em asimov dessa forma.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;então, me veio, de uma vez só, a informação de que esse homem tão admirável não passava de um reles assediador de mulheres e, ainda por cima, um arrombado racista.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;um breve edit aqui! (27/07/26)&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;a Diel respondeu minha postagem, apresentando um contraponto à interpretação que eu trouxe do robô enquanto metáfora para a pessoa negra escravizada. vou deixar a resposta dela na íntegra para que possam ler, pois acho que tem bastante a acrescentar!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Diel:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Sobre o uso de robôs como metáfora para racismo. Se você olhar de primeira, parece que faz muito sentido. Servos incansáveis, sem direitos, sem personalidade própria, sem outras perspectivas, facilmente substituíveis. A desumanização do robô pode a priori ser comparada ao das pessoas negras, mas se você pensar um pouco perde o sentido.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;A categoria "robô" foi criada com o propósito de servir, criada por humanos, nós somos aqueles que decidem como eles se comportam e agem. Não por coerção, mas por programação. Não existe como criar verdadeira consciência, apenas imitá-la e até isso é uma escolha humana.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Robôs não tinham um povo próprio, uma história própria, uma casa violentamente invadida e destruída, nomes que foram apagados, ou etnias extintas. Robôs não foram sujeitos a séculos de opressão, tortura, estupro e trabalho forçado. Eles não foram pessoas espancadas até virarem servos. Robôs sempre foram robôs e sempre serão robôs.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;descobri sobre asimov de forma totalmente não intencional. eu estava procurando um conto de octavia butler para ler, um tempinho depois de ler &lt;em&gt;kindred&lt;/em&gt; e ficar obcecado. achei &lt;em&gt;sons da fala&lt;/em&gt;, ainda na versão original, em inglês e escaneada. animado, vi que havia uma introdução de asimov e fui lê-la. qual não foi a minha surpresa ao ver que logo nas primeiras linhas asimov basicamente assediava octavia, se focando na aparência dela e em como gostaria de vê-la (?) não é nenhuma novidade que homens comentem sobre a beleza de uma mulher antes de elogiá-la no trabalho, como se a percepção de ela ser bonita ou não influenciasse em alguma coisa no seu desempenho profissional, mas eu esperava bem mais de um cara que todo mundo dizia ser tão inteligente, sabe?&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;"além de bonita, ainda escreve bem? uaaaau, assim eu fico impressionado" - frase que pode ter sido dita pelo seu nerd babaca padrão ou por isaac asimov&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;no final, foi como darwin sendo questionado sobre o desenvolvimento da mulher e respondendo como qualquer outro machista de sua época - com a diferença de que asimov tinha um currículo ainda pior e que eu logo descobriria. pois, não bastasse ser um assediador em série, ele também era um grandessíssimo racista. samuel delany, um dos grandes autores de ficção científica dos eua, &lt;a href='https://www.publicbooks.org/samuel-delany-on-capitalism-racism-and-science-fiction/' target='_blank'&gt;escreveu&lt;/a&gt; que enquanto passava por asimov para receber dois Nebula Awards em 1968, este lhe disse que só tinham votado no livro dele porque delany era negro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;então, voltando ao homem bicentenário. escrito e lançado em 1976, ganhador de um (haha) nebula awards. um robô tendo a experiência de um homem negro. de repente essa história ganha uma textura estranha, um gosto esquisito que me deixa com vontade de cuspir. porque não é que &lt;em&gt;a história&lt;/em&gt; necessariamente vá deixar de ser aquilo que é - uma sequência de situações em que um robô pode receber a leitura de um homem negro ex-escravizado -, mas sim que não consigo entender o que teria feito asimov escrever essa história 8 anos depois de ter chamado samuel delany de macaco e ter dito na sua cara que sua obra só tinha sido premiada como uma resposta performática. 8 anos é bastante tempo pra mudar, de fato, mas... será? essa história é uma tentativa de mudança? uma demonstração de que já não pensa mais como antes? eu acredito que pessoas podem deixar de ter convicções bostas, sim, até porque fui uma delas, mas acho fraco partir do pressuposto de que a ficção pode servir como "resumo" dos ideais de uma autoria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;talvez eu tenha dado uma volta imensa na minha tentativa de responder ao post da diel, mas sinto que o negócio é o seguinte: pra mim as pessoas que criam uma IA com a intenção de emular um ser humano são, de certa forma, como asimov. babacas se apropriando da humanidade alheia, tentando te convencer de que sim, essas duas coisas são a mesma coisa - seu filho morto e essa caixinha de mensagens dizendo "oi, mamãe, senti sua falta"; um robô e um homem negro tentando superar o racismo estrutural para ter sua própria vida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;não me entenda mal, eu escrevo fantasia e ficção científica, entendo o valor de uma metáfora, não quero dizer que toda representação precisa ser de 1 pra 1. quando ursula k. le guin escreveu &lt;em&gt;floresta é o nome do mundo&lt;/em&gt;, sua relação com o vietnã foi muito clara, mas nem por isso me fez sentir que ela estava fazendo pouco dos vietnamitas colonizados da vida real - além de, claro, ter ali um claro elemento especulativo com os sonhos que transformam a realidade. na verdade, sua história me fez conseguir mergulhar um pouco mais na perspectiva dessas pessoas, enxergar como o imperialismo estadunidense é um lixo por A + B com uma prosa bela e onírica, admirar a construção dos momentos de sonho na narrativa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;como comentei antes, eu cheguei a pensar o mesmo de &lt;em&gt;o homem bicentenário&lt;/em&gt;. mas o lance é que não podemos separar o criador da criação, por mais que tentemos. se eu leio um autor filho da puta, eu leio com essa consciência - não leio necessariamente para procurar os traços da filhadaputice, não, nem de longe. mas também não quer dizer que não paro pra pensar a respeito do que levou o sujeito até aquela obra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;sinto que tudo parte do mesmo princípio, sabe? seja a ficção ou a IA, é interessante sabermos o que leva o criador até o momento da criação. o que se passa na cabeça de alguém que diz "ei, me envie as fotos da sua criança morta, tenho algo de que você vai gostar". alguém que trata pessoas negras de carne e osso como lixo, mas escreve se apropriando do seu sofrimento, da sua história.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;vai ver que é isso o que está por trás de todo o meu ódio pela IA que tenta personificar seres humanos, mesmo que seja uma simples "humanização" do palavreado ao dar uma resposta: ela é criada por alguém que, no final, não tá nem aí pra pessoas de verdade, mas quer me fazer chorar por uma sequência eurística calculada para puxar meu saco e me fazer sentir especial. é tão patético e desprezível que, de fato, não há como olhar da mesma forma para a metáfora do robô ou da inteligência artificial ficcional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;agora, quando paro para pensar em &lt;em&gt;o homem bicentenário&lt;/em&gt;, me pergunto por que alguém iria querer um robô tão realista, se talvez não seja justamente como uma forma de ocultar a própria vergonha de preferir ter um escravo de metal em casa do que se dispôr a contratar um funcionário e lhe pagar direitos. em &lt;em&gt;androides sonham com ovelhas elétricas&lt;/em&gt; de phillip k. dick, o livro que deu origem a blade runner, ter um pet natural é sinônimo de status, pois a maioria dos animais foi extinta e são dificílimas de se encontrar. quando localizados, os animais podem ter preços absurdos. as pessoas passam, então, a comprar animais de mentira, mas que tentam simular a aparência de um animal de verdade, de forma que os vizinhos não percebam ser uma réplica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;então é isso que vejo quando olho pra alguém por aí na internet comentando ocmo o seu "chat é tão legal e incentivador". apenas tenho reafirmada a realidade de que o mesmo mundo que está cagando e andando para seres humanos de verdade, deseja tão ansiosamente transformar em gente um boneco de bytes que fala qualquer merda pra te agradar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;Quer responder essa postagem? &lt;a href="mailto:kay.j.batista@gmail.com?subject=Re: re: IA de verdade // humanos que odeiam a humanidade"&gt;Fala que eu te escuto!&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
</content>
    <link href="https://eskayvendo.bearblog.dev/re-ia-de-verdade/" rel="alternate"/>
    <published>2026-07-26T18:00:00+00:00</published>
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    <id>https://semdominio.bearblog.dev/sobre-a-arte-de-escrever/</id>
    <title>Sobre a arte de escrever</title>
    <updated>2026-07-28T12:35:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>semdominio</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Sentir é coisa de pele &lt;br /&gt;
Amor é tudo que move.&lt;sup class="footnote-ref" id="fnref-1"&gt;&lt;a href="#fn-1"&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
Hoje venho aqui cumprir promessa antiga. Há algumas semanas, escrevi um &lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/re-thblog-e-mikahgosto-de-onde-vem-o-meu-amor-pelos-livros/'&gt;texto sobre a leitura no começo da minha vida&lt;/a&gt;, e prometi para a &lt;a href='https://mikahgosto.bearblog.dev/'&gt;Mikah&lt;/a&gt; que o texto teria a ver também com ela. Acabou que não teve tanto a ver assim, porque eu mantive de fora o papo da escrita. No momento, era suficiente falar da leitura. Hoje, venho aqui para trazer esse texto, inicialmente pensado há quase 1 mês, que dialogava com ela e com outros textos que estavam rolando no Discover do Bear Blog na época.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De antemão, me desculpo pelo atraso. Ainda assim, acho que vocês vão entender que ele tem também o seu motivo e a sua utilidade. É o que diz a escritora: “até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso – nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”&lt;sup class="footnote-ref" id="fnref-2"&gt;&lt;a href="#fn-2"&gt;2&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Então, bora para o texto de hoje!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div align="center"&gt;
★&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
Na realidade, o título de hoje deveria ser “Sobre a arte de escrever todos os dias (&lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/2-meses-de-blog/'&gt;ou quase todos os dias?&lt;/a&gt;) para um blog”. Mas aí a coisa ficaria imensa. Ainda assim, tenho em mente que aqui falo sobre como escrever para um blog, e não sobre como escrever um livro, uma coluna no jornal, uma pesquisa acadêmica. Essas coisas precisariam, talvez, de uma solidez maior do que a que eu vou abordar aqui.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas, de toda forma, escrever para um blog também é uma arte, e, por isso, também possui o estilo, a rotina, a dificuldade e o prazer próprios dessa arte.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao contrário de &lt;a href='https://mikahgosto.bearblog.dev/infinitos-rascunhos/'&gt;meus amigos blogueiros&lt;/a&gt;, eu não tenho rascunhos escritos e não publicados por qualquer motivo que seja (e, na maioria das vezes, esse motivo é o perfeccionismo, nas palavras dos próprios detentores da questão). Tenho, sim, ideias anotadas por aí e que ainda não estão desenvolvidas. Elas são dispostas em formatos de tópicos que, muitas vezes, acabo nem me recordando do seu significado quando retorno alguns dias depois. Mas esses rascunhos estão longe de se constituir como texto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pensar é uma coisa e escrever é coisa diversa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essas minhas ideias anotadas às pressas são atropeladas, no dia a dia, por outras novas, e, assim, acabo escrevendo quase sempre sobre a ideia nova, deixando as atropeladas para trás. É por isso que as coisas aqui acabam sempre um pouco “atrasadas”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O meu fluxo de escrita para o blog funciona sempre na direção do meu apetite do dia. Não me privo e não tenho amarras quanto a isso. Nunca passou pela minha cabeça: puts, eu deveria escrever aquele texto lá sobre como escrever todos os dias... Eu simplesmente anoto a ideia, sei que ela está lá. Quando eu quero, quando estou sem ideias em um dia, abro o caderno como um cardápio, e escolho o que mais me dá vontade de comer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isso faz com que eu sempre consiga publicar uma coisa ou outra por aqui, vocês são testemunha. É porque esse desprendimento com o resultado, aliado ao deixar-ser da vontade, pode nos conduzir a essa constância. Em suma, sempre que estou aqui – e estou aqui quase sempre – estou bem com o fato de estar aqui e também com o que quer que eu esteja fazendo aqui. É meio como diz o poeta: “o melhor lugar do mundo é aqui e agora”&lt;sup class="footnote-ref" id="fnref-3"&gt;&lt;a href="#fn-3"&gt;3&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes de ter o blog, escrevi incontáveis diários que, evidentemente, nunca ninguém leu. Eles eram mais ou menos como as coisas que eu escrevo por aqui, mas, como eram feitos à mão, o texto ficava disposto de maneira mais resumida – e haja mão! Além disso, pelo contexto da vida, acredito que eles eram escritos de uma forma mais desesperada. Eu ainda mantenho esse tipo de diário, embora agora eu o utilize muito menos, justamente por conta desse blog. Aqui escrevo muito livremente, como vocês viram, então a ideia meio que se mantém.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Desde pequena tive diários, e os guardo até hoje. Tenho ainda meus registros de mudança de colégio, de conflituosas amizades, de errâncias e angústias do período em que eu acreditava que tinha que escolher uma profissão definitiva aos 16, 17 anos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Também nessa mesma época, dos meus 17 aos 20 e poucos, tive o delírio que eu seria uma escritora. Conhecia, pela primeira vez, as escritoras mulheres, e queria devorar todas elas. Digo pela primeira vez porque, até então, meu universo dos livros – que já era relativamente vasto para um ser daquela idade – era recheado de homens. Maravilhosos, sim, mas homens. Com as mulheres, era diferente. Para mim, eu descobria uma forma totalmente nova de escrever, e, lendo aquelas palavras, sentia que poderia ser como elas. Virginia Woolf, Sylvia Plath e Hilda Hilst me botaram na cabeça que eu ia ser escritora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E, guardadas as proporções, será que, de certa forma, me tornei uma delas?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nessa época, eu rondava os cafés de São Paulo procurando um sofá para me aninhar com livros e cadernos. Ficava lá o dia inteirinho, entre os estudos para as provas e as delícias das mulheres. &lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/eu-amo-indice-onomastico-e-caderno-sem-pauta/'&gt;O Starbucks era o meu café preferido&lt;/a&gt;, porque era grande e ninguém se incomodava com o fato de eu comprar apenas um café e ficar sentada por horas naquelas poltronas quentinhas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Imaginem o tamanho da minha emoção quando, ao começar a escrever este blog, eu descobri, por conta de uma caminhada ao acaso, que abriu um Starbucks pertinho da minha casa. Toda aquela fantasia de escritora retornou, mais de 10 anos depois! É o destino?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href='https://mikahgosto.bearblog.dev/o-que-me-mantem-escrevendo/'&gt;Como a Mikah&lt;/a&gt;, também já tive a experiência de escrever em grupo. Essa experiência foi igualmente finalizada com brigas, divergências, rumos da vida que levaram cada um para um lado. Escrever coletivamente significa que o resultado será também coletivo. Significa que a criação não será somente vontade do seu gosto. E, naquela época, talvez nenhum de nós estivesse muito disposto a abrir mão de determinadas coisas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Hoje, vejo que os trabalhos coletivos imprimem um pouco da cara de cada um. E isso é lindo: a disposição de ceder. Talvez a gente aprenda isso com o tempo. Mas também não gosto de menosprezar as minhas motivações e as dos meus amigos quando éramos jovens demais. Nós estávamos certos naquele momento. Fizemos o que podíamos com as nossas capacidades, inteligências, forças. E valeu o que tinha que valer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Hoje, penso que se a gente tivesse um lugar para desaguar o nosso trabalho individual de forma autêntica, talvez tivéssemos durado mais enquanto grupo. Mas eu estava longe de conhecer esse blog, a escrita como algo fácil e agradável para mim, e, também, a minha “voz de autora”, que fui criando aos poucos aqui com vocês e, antes, nos meus diários – desesperados ou não.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já escrevi para me salvar de mim e dos outros. Para desafogar o meu desespero. Muitas e muitas páginas foram escritas e rasgadas na sequência. Eu queria só me livrar daquelas palavras. Hoje escrevo mais calma. Sinto o ar entrando em meus pulmões enquanto digito aqui para vocês. Hoje escrevo como quem conversa com alguém interessado, com alguém que faz as objeções (no meu juízo) corretas, as perguntas precisas, os comentários entusiasmados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Já se tonou aquilo que chamam de “hábito”, mas não dessa forma absurda na qual a pessoa tem de fazer todo um malabarismo da vida para que aquela prática se torne cotidiana. Foi meio que involuntário. Em tão pouco tempo, isso aqui já faz parte do meu &lt;a href='https://thblog.bearblog.dev/o-medidor-de-caos-da-vida-adulta/'&gt;“caos da vida adulta”&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Imagino que escrevo, &lt;a href='https://thblog.bearblog.dev/o-medidor-de-caos-da-vida-adulta/'&gt;como disse o th&lt;/a&gt;, cartas, que eventualmente entram em convergência com outras. E, assim, tecemos também a nossa boa conversa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, finalmente, você, leitor, que sabe fazer a pergunta precisa, pode ficar com essa aqui na cabeça: e agora? Como escrever todos os dias, então? Pois eu tenho uma dica que até hoje não me falhou. Talvez com você também funcione. Adicione essa dica aos ingredientes anteriores (não se preocupar com o resultado, escolher aquilo que lhe apetece).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que eu faço é: nunca poupo, escrevo sempre &lt;em&gt;a minha melhor ideia&lt;/em&gt;. Penso que &lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/festa-de-gala/'&gt;sou como Kylian Mbappé&lt;/a&gt;. Ele, no mundo da bola. Eu, no mundo dos textos. Acredito que todo texto é possibilidade de gol. Mas, &lt;em&gt;e isso é ainda mais importante&lt;/em&gt;, acredito também em todas as chances futuras. Elas virão. Podemos ficar tranquilos. Ideias melhores sempre virão. Chances mais claras de gol sempre virão. Por isso, esbanjemos! Gastemos o nosso melhor hoje! Afinal, amanhã será melhor ainda.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É preciso escrever &lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/dorama-ou-chaves/'&gt;com abundância&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div align="center"&gt;
★&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div style="display:flex; justify-content:center;"&gt;
&lt;iframe
src="https://www.youtube.com/embed/_op2-ySOWQs?si=J-twdMhpvpleRcqo"
style="width:100%; max-width:560px; aspect-ratio:16/9;"
allowfullscreen&gt;
&lt;/iframe&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Quer comentar esse texto?&lt;/strong&gt; Dê um alô no &lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/guestbook/'&gt;Guestbook&lt;/a&gt; do blog.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Para escrever para mim, clique &lt;a href='https://letterbird.co/garota-30anos' target='_blank'&gt;aqui&lt;/a&gt;. Caso aguarde uma resposta, verifique também a sua caixa de spam.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;section class="footnotes"&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li id="fn-1"&gt;&lt;p&gt;Gilberto Gil. Aqui e agora. &lt;em&gt;Refavela&lt;/em&gt;, 1977.&lt;a href="#fnref-1" class="footnote"&gt;&amp;#8617;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li id="fn-2"&gt;&lt;p&gt;Clarice Lispector. Carta para a irmã Tania Kauffman, 1948. Disponível em: &lt;a href='https://www.revistaprosaversoearte.com/uma-bela-e-instigante-carta-de-clarice-lispector-para-a-sua-irma-tania-kaufmann/#goog_rewarded'&gt;https://www.revistaprosaversoearte.com/uma-bela-e-instigante-carta-de-clarice-lispector-para-a-sua-irma-tania-kaufmann/#goog_rewarded&lt;/a&gt;&lt;a href="#fnref-2" class="footnote"&gt;&amp;#8617;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li id="fn-3"&gt;&lt;p&gt;Gilberto Gil. Aqui e agora. &lt;em&gt;Refavela&lt;/em&gt;, 1977.&lt;a href="#fnref-3" class="footnote"&gt;&amp;#8617;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/section&gt;
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    <published>2026-07-28T12:35:00+00:00</published>
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    <id>https://logs.bearblog.dev/um-mes-de-bad-vibes-no-trabalho/</id>
    <title>Um mês de bad vibes no trabalho</title>
    <updated>2026-07-29T14:59:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>logs</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;em&gt;Superou meu post &lt;a href='https://logs.bearblog.dev/uma-semana-de-vibe-boa/' target='_blank'&gt;"Uma semana de vibe boa"&lt;/a&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tenho a sensação de que quando estou em um péssimo humor, meus textos parecem não sair.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No final de maio, eu postei falando a respeito de uma semana de vibe boa e realmente foi. Parecia que eu via cores na vida, tudo estava bom e nada parecia me abalar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Porém quando chegou o mês de julho, parece que tudo isso desceu por água abaixo. Como pode algo ao seu redor interferir tanto na sua vida que você começa a ver tudo cinza novamente?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como citei brevemente no meu post dos wallpapers, esse mês tá sendo bem caótico no trabalho e eu estou uma pilha de nervos com essa situação &lt;del&gt;(funcionário novo que não aprende o serviço de jeito nenhum, explicando 1000 vezes a mesma coisa)&lt;/del&gt;. Na verdade, outras pessoas do meu time também estão assim, então algo precisa ser feito para que os outros não pensem em abandonar o barco.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E eu espero que isso seja resolvido o mais breve possível para que eu possa ter paz novamente. Porque querendo ou não, isso mexe comigo. Volta aquela insatisfação por estar nesse cargo, onde parece que não vejo uma perspectiva de crescimento, aí junta todo o resto, eu fico por um triz para não largar tudo de uma hora pra outra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não sei como ainda não fiz isso para ser sincera. Só não fiz porque não quero ficar dependendo dos outros para ter meu dinheirinho, mas que dá vontade, dá.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Enquanto isso, estou tentando ler mais do que de costume, porque assim eu posso focar minha mente em outras coisas que me tragam um pouco de tranquilidade e paz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na sexta irei visitar outra cidade e estou esperançosa para que isso me traga um pouco de alegria, pelo menos vai ser algo diferente do que normalmente estou vivendo. Ainda não sei se vou postar sobre ela aqui, mas veremos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas é isso, tentar viver um dia de cada vez e pedindo aos céus para que a paz reine naquele lugar de novo.&lt;/p&gt;
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    <published>2026-07-29T14:59:00+00:00</published>
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    <id>https://diels-daydreams.bearblog.dev/as-vezes-eu-sonho-com-meu-pai/</id>
    <title>As vezes eu sonho com meu pai</title>
    <updated>2026-07-28T12:15:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>diels-daydreams</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;small&gt; &lt;a href='https://diels-daydreams.bearblog.dev/sometimes-i-dream-about-my-dad/'&gt;Versão EN&lt;/a&gt; &lt;/small&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu tenho muitos sonhos, poucos deixam alguma marca na minha memória.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Normalmente pesadelos são mais fáceis de lembrar. Talvez por causa do desespero e medo que me arrancam do sono e continuam a me assombrar acordada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por isso nunca lembro quando sonho com meu pai.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tudo que me sobra dos meus sonhos são fragmentos e a vaga sensação da presença dele.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu acordo pensando que ainda está aqui, uma reminiscencia das minhas ilusões, então de repente a realidade me atinge.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Logo vão fazer 10 anos. Não vai demorar muito para que tenha vivido mais &lt;em&gt;sem&lt;/em&gt; ele do que &lt;em&gt;com&lt;/em&gt; ele.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As vezes é como se ele nunca tivesse ido embora, as vezes é como se ele tivesse saído para uma viajem demorada e voltado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como as viagens que ele costumava fazer para o interior, indo visitar a família no Crato.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Luto é um negócio engraçado, algo em mim ainda espera que ele volte. Melhor, inclusive. Mesmo com poucas memórias, eu sei que o pai nos meus sonhos é melhor, mais gentil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quem sabe é ele fazendo uma visita? Seu espírito mais descansado e amoroso em morte querendo de alguma forma cuidar de mim?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nós não eramos próximos em vida. Para falar a verdade eu tinha muito medo dele. Em seus melhores dias ele contava alguma coisinha sobre o passado, corria com a gente na chuva e nadava na piscina.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na maior parte do tempo ele era distante. Contemplativo, quase vazio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando pequena eu imaginava ele como alguém cheio de raiva. Agora adulta eu vejo que ele era mais vazio que qualquer coisa, só que raiva é um sentimento que te preenche rápido, mas te deixa tão depressa quanto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Engraçado, o homem que me dava tanto medo é aquele que eu mais me identifico. Eu também, por muito tempo, tenho me sentido vazia. Eu também olho para o horizonte na mesma janela pensado o que fazer da minha vida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um dia eu vou esquecer dele, de quem ele era, do som da voz, do nariz torto. Tudo que vai me restar vão ser os sonhos que me deixam de dia e a vaga sensação de que ele ainda vai voltar.&lt;/p&gt;
&lt;small&gt;
&lt;div class="polaroid"&gt;
&lt;p&gt;&lt;img src="https://i.ibb.co/gbmgb8c6/20260728-091235.jpg" alt="Um homem e uma menininha alimentando um bezerro" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;ExpoCrato, circa 2012&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;center&gt;
٠ ✤ ٠ • ·· • —– ٠ ✤ ٠ —– • ·· • ٠ ✤ ٠ 
&lt;p&gt;Thanks for reading!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;٠ ✤ ٠ • ·· • —– ٠ ✤ ٠ —– • ·· • ٠ ✤ ٠&lt;/p&gt;
&lt;/center&gt;
&lt;/small&gt;
&lt;div class="reply-email"&gt;
  &lt;a href="https://letterbird.co/dielisdaydreaming"&gt;Reply to this post&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;
</content>
    <link href="https://diels-daydreams.bearblog.dev/as-vezes-eu-sonho-com-meu-pai/" rel="alternate"/>
    <published>2026-07-28T12:15:00+00:00</published>
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    <id>https://mikahgosto.bearblog.dev/beda-1-vivendo-julho-de-2026/</id>
    <title>Vivendo Julho de 2026</title>
    <updated>2026-08-01T16:10:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>mikahgosto</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;div style="text-align:justify;"&gt; 
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href='https://entreblogs.com.br/beda/2026'&gt;BEDA2026&lt;/a&gt; Texto 1/31&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esse texto foi escrito em 20/07/2026 e de fato só seria postado em algum dia de Agosto, ainda assim, vamos agradecer à deusa Bëwa por ele ter saído tão cedo (já que os outros saiam quase sempre depois do dia 10 ou mais tarde ainda).&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;Diferente do &lt;a href='https://mikahgosto.bearblog.dev/vivendo-junho-de-2026'&gt;mês de Junho&lt;/a&gt;, em que a sensação foi de que o mês tinha passado em branco, em Julho parece que o universo olhou para o que eu disse e falou:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;"Ah é!? Pois então toma essa ruma de coisas difíceis de lidar, vadia!"&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;😐😐😐&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas, ok... Acho que prefiro assim mesmo, sentindo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ali pelos primeiros dez dias do mês tomei uma decisão "mais radical" a fim de lidar com essa sensação de não estar presente: desinstalei 99% dos jogos que eu tinha baixado no tablete. Especialmente aquele da florista do qual &lt;a href='https://mikahgosto.bearblog.dev/quem-converte-nao-se-diverte'&gt;compartilhei aqui uma fofoca&lt;/a&gt; um tempo desse.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vez ou outra penso nele, às vezes acabo acordando por volta das 4 da manhã pra ir no banheiro, olho a hora e penso: &lt;em&gt;"o pedido do palácio já chegou uma hora dessas"&lt;/em&gt; &lt;sup class="footnote-ref" id="fnref-1"&gt;&lt;a href="#fn-1"&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; e simplesmente volto a dormir!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se fosse mês passado a rotina seria mais ou menos assim:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Eu desbloquearia a tela, começaria a jogar e voltaria a dormir lá pelas 6 da manhã.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Acordaria outra vez umas 8h e jogaria um pouquinho mais, dependendo do dia, levantaria de fato só lá pras 9h para começar a preparar o café da manhã.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Comeria assistindo algo com a família, voltaria para o quarto, daria uma olhada no jogo, pararia para tentar escrever alguma coisa no caderno até o horário do primeiro atendimento do dia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nessa brincadeira, o almoço ficava esquecido. Se ninguém mais se levantasse para fazê-lo ele saíria só lá pras 16h mesmo e olhe lá.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;O dia seguiria comigo entrando e saindo de alguns atendimentos ou supervisão, meu jeito de relaxar estava sendo exatamente entrar no jogo; interagir no jogo; de terça a domingo plantar e colher florzinhas que desse +20 pontos na competiçao da guilda só para ganhar um emblema de Florista inigualável pra mim e a guilda se manter no rank A, o que rendia boas recompensas que eram resgatadas a cada 100 pontos que você fizesse na competição.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nisso chegaria a hora de dormir, e eu sem sono, o olho seco de tanta tela, só iria dormir mesmo lá pras 1 da madrugada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por sorte nunca tive dificuldade de adormecer, eu só precisava largar a tela mesmo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tempo de qualidade com meu marido?
Inexistente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tempo para planejar a alimentação &lt;a href='https://mikahgosto.bearblog.dev/tentando-manter-uma-alimentacao-mais-saudavel'&gt;como eu prentia lá em março&lt;/a&gt;?
Ficou só na lembrança.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tempo para outros passatempos?
Cada vez mais difícil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tempo para trabalhar?
Tinha que ter, se não como eu ia ter dinheiro sobrando para comprar minhas florzinhas no jogo?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Agora corta para o começo de Julho e o momento que eu, querendo honrar a tradição que eu mesma comecei aqui no blog, fui parar para escrever a postagem sobre o mês dE Junho e cadê o mês na minha cabeça?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu buscava e só achava um espaço vazio enorme, um incomodo maior ainda, uma certeza que tinha algo de muito errado acontecendo e eu sabia muito bem o que era.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ignorei por mais uns dias, &lt;em&gt;como manda a cartilha da procrastinadora profissional&lt;/em&gt; e &lt;a href='https://mikahgosto.bearblog.dev/vivendo-junho-de-2026'&gt;resolvi fazer a postagem apenas com o compartilhamento de outros textos legais que eu li durante o mês&lt;/a&gt;, algo que eu já ia fazer mesmo, mas não esperava que eu fosse ter só isso para falar de um mês inteiro!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Senti falta desse momento de reflexão que tenho sempre que sento aqui, paro para resumir os pontos mais marcantes que vivi e compartilho aquilo que aprendi sobre mim mesma com você que está lendo aí do outro lado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ora, essa! Cadê aquela Micarla fiel ao seu plano anual de exercitar a própria voz?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cadê aquela dedicação de cuidar da própria alimentação? Cadê as ações demonstrando que eu amo estar na vida que eu estou hoje com meu marido?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cadê eu escrevendo páginas e páginas no caderno como tem sido de &lt;a href='https://mikahgosto.bearblog.dev/vivendo-fevereiro-de-2026-new'&gt;fevereiro&lt;/a&gt; pra cá?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Quando foi que eu me perdi?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa ruma de pergunta ficou fermentando dentro do meu coração por uns dias, elas estavam lá enquanto eu abria o jogo e seguia aquela rotina morna dedicada a ele.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O pensamento de que o problema era aquele até vinha, mas ao mesmo tempo eu não queria largar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;"Agora não, estamos no meio de uma competição. Eu acabei de juntar 5.88k de tickets que o jogo me dá para comprar no mercado mais uma florzinha de 23 pontos."&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;"Está tendo um evento para ganhar uma florzinha lilás tão linda!"&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;"Eu já até comprei umas 4 flores que dão 23 ou 25 pontos com meu próprio dinheiro ou de alguém próximo a quem pedi de presente."&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;"Mas eu vou sair justo agora e deixar tudo isso pra lá? Nananinanão!"&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu estava decidida a bolar um plano de ação para controlar o tempo no jogo e me manter nos dois mundos, ué.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Até que certa manhã, &lt;em&gt;a que seria a primeira do tal plano de ação&lt;/em&gt;, eu acordei e propositalmente não peguei o tablete!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Yaaay primeira vitória do dia!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Olhei para o lado, meu marido já estava acordando, logo em seguida pegou o celular dele e ficou lá falando com alguém pelo telegram, olhando o bluesky, o grupo do Entreblogs, etc, etc, etc...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nessa hora eu me senti deixada de lado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nessa hora eu percebi, &lt;em&gt;"putz...... capaz que ele tem sentido deixado de lado por mim, né?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aí eu lembrei da &lt;a href='https://mikahgosto.bearblog.dev/10-curiosidades-sobre-mim'&gt;nossa história&lt;/a&gt;, que a gente se conheceu pela internet, que a gente passava horas conversando pelo telegram, que ele saiu da pqp pra vir morar comigo em outra pqp!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Que nos nossos primeiros meses juntos presencialmente, era comum a gente acordar e ficar conversando qualquer coisa, fazendo carinho um no outro e depois levantando para fazer nosso &lt;em&gt;team work&lt;/em&gt; em honra ao nosso primeiro combinado de que, &lt;em&gt;com ambos estando bem deprimidos, se os dois sentissem dificuldade de levantar para começar o dia, então levantariamos juntos e dividiriamos todas as tarefas para que ficasse menos pesado&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nessa hora eu senti saudade do meu marido e ele estava bem ali do meu lado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Que absurdo Micarla, como você deixou chegar a esse ponto!?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Foi o que pensei, pois obviamente meu pensamento é sempre o meu pior crítico. Foram anos de terapia pra aprender a não dar ouvidos ao meu crítico interno, mas poha, dessa vez ele tinha razão, né? Não dava para me defender!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quer dizer, dar até dava, porque eu passei por um momento bosta em &lt;a href='https://mikahgosto.bearblog.dev/vivendo-abril-de-2026'&gt;Abril&lt;/a&gt;, bem quando eu tava hiper animada para começar a pôr em prática várias coisas visando meu bem estar e melhora da minha condição física. O que por consequência me levou direto para outras situações bosta do passado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No passado eu lidei com isso fugindo da realidade de alguma maneira, a diferença é que da primeira vez foram com livros, da segunda vez foi com a escrita e dessa terceira, foi um joguinho de flores.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Acho que chega uma hora na vida que você tem que oscilar entre se ser o réu, o advogado e o juiz ao mesmo tempo e aceitar a sentença sem tentar contornar, apenas ir lá e fazer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Às vezes a gente precisa de uma aceitação extrema de que somos humanos, fazemos merda, mas estamos vivos e aptos a concentar essa merda também. Então fui lá desinstalei o joguinho de flor e todos os outros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Deixei só 1 que é simples e não tem mil e um mecanismos para te prender ali dentro por horas e horas. Apenas o necessário para dias em que eu já pensei e lidei com tantas coisas depois de um dia de trabalho, que só preciso sentar/deitar e mover cores de um lugar para outro.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;Essa foi minha grande lição de Julho e enquanto escrevo isso (segunda-feira, 20 de julho de 2026 11:20) faltam onze dias para acabar o mês, estou me preparando para o BEDA, não somente no que diz respeito a escrever e postar todos os dias de agosto, mas também para &lt;strong&gt;voltar a viver de forma consciente e consistente com o que faz sentido pra mim&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href='https://mikahgosto.bearblog.dev/pre-beda-de-agosto'&gt;Integrei o projeto à minha rotina&lt;/a&gt; de forma a fazer tudo funcionar como uma belíssima orquestra, com direito a planos B, C e D, é claro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vamos ver o que mais vai acontecer em dez dias de Julho, se valer a pena você lerá a seguir, se não, ficamos por aqui e bora pra Agosto o/&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;Edit 01/08: PS: agora eu mal penso no jogo, passou, era só sintoma de abistinência psicológica mesmo :p&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;/br&gt;
&lt;/br&gt;
&lt;div style="text-align:center;line-height:40%;margin-bottom:50pt;margin-top:20pt;"&gt; 
&lt;p&gt; Tocando aqui 🧠:&lt;/p&gt;
&lt;p style="font-style:italic;"&gt;&lt;a href="youtube.com/watch?v=Cg457nCfnfY"&gt; O que é, o que é - Gonzaguinha &lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;02:45 ━━━━●───── 04:19&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   ㅤ ㅤ◁ㅤ ❚❚ ㅤ▷ ㅤㅤ&lt;/p&gt;
&lt;/br&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class="previous-post" href="/tema-de-julho-entreblogs" title="10 anos de hobbies e passatempos"&gt;Previous&lt;/a&gt; |
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&lt;p&gt;😉 &lt;a href="mailto:micarlajcandido@gmail.com?subject=Re: Vivendo Julho de 2026"&gt;E se quiser trocar uma ideia sobre isso, é só clicar aqui :)&lt;/a&gt;
&lt;/br&gt;
&lt;/br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align:center;"&gt;「 Ｂｅｂａ áｇｕａ 」 &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Notas&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;section class="footnotes"&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li id="fn-1"&gt;&lt;p&gt;"Tinha um evento recorrente padrão no jogo que era um carinha com uma carruagem e ele fazia uma grande pedido de flores para um evento no palácio, isso ocorria três vezes ao dia, como a gente podia alterar a hora que essas coisas aconteciam dentro do jogo eu programei para a carruagem vir às 4 da manhã às 14h e às 21h (que era o horário padrão do reset no jogo e começava "um novo dia")"&lt;a href="#fnref-1" class="footnote"&gt;&amp;#8617;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/section&gt;
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    <published>2026-08-01T16:10:00+00:00</published>
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    <title>Aparentemente, tenho um corpo</title>
    <updated>2026-07-24T01:35:00+00:00</updated>
    <author>
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    <content type="html">&lt;p&gt;Sou uma pessoa muito pouco ligada a certos aspectos da minha materialidade corporal. Essa é uma forma bastante ridícula de dizer que sou &lt;strong&gt;sedentária&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nunca gostei de praticar esportes, tenho aversão a qualquer tipo de atividade física. A única atividade que alguns consideram exercício e que eu realmente gosto de fazer - talvez o fato da minha espécie ter evoluído para isso tenha alguma relação - é caminhar. Não que eu ande horrores por aí, estou longe de uma boa quilometragem diária. Mas acho a caminhada uma atividade prazerosa, especialmente se não for realizada na intenção de exercitar o corpo e sim espairecer a cabeça.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fato é que sou aquele tipo de sedentária que a maioria das pessoas detesta, a famigerada magra de ruim. Magra de ruim pois não engordo mesmo nunca tendo feito nenhum tipo de restrição alimentar, nem mover uma palha para queimar algumas calorias. Mas não sou nenhuma máquina termogênica&lt;sup class="footnote-ref" id="fnref-1"&gt;&lt;a href="#fn-1"&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;, o segredo para tudo isso está em um equilíbrio na ingestão de alimentos. Tenho uma boa consciência alimentar e mastigo vagarosamente. Suspeito que esse segundo detalhe seja muito mais importante do que os afobados gostariam de acreditar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para ser ainda mais irritante, revelo que além de esbelta também sou muito saudável. Dores de cabeça? Não. Doenças mentais? Tive minhas fases melancólicas, o que considero ser parte da experiência humana - principalmente se você vive em nossa era com mais de dois neurônios e acesso à informação - mas nunca precisei tomar remédios. Insônia? Mas é nunca, durmo como um neném. Problemas de coluna? Nunca tive, perfeita. Ah, nem uma gastritezinha? Não, graças a DEUS. Mobilidade intestinal? Minha digestão é perfeita, cago mais bonito que o seu cachorro. Cólicas menstruais? Mal sinto, desculpa!&lt;sup class="footnote-ref" id="fnref-2"&gt;&lt;a href="#fn-2"&gt;2&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Compreende como é fácil pra mim esquecer completamente que possuo um corpo? Vivo na minha cabeça e esqueço desse maravilhoso veículo que é o meu corpo físico. Sou muito grata por ele. Mas eu tenho plena consciência da minha displicência e há alguns dias estou vivendo na pele a experiência de conversar com ele e constatar sua insatisfação comigo. Pela primeira vez... estou sofrendo de bruxismo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Oh, que horror.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O meu sedentarismo cobra um alto preço que é a tensão muscular permanente em meus trapézios e cervical. Só que, insuportável que sou, tenho uma tolerância muito grande para a dor. Não percebo que meus ombros são uma tora de madeira; é preciso uma noite muito da mal dormida para que se instale uma crise álgica de fato. Quando isso acontece (algumas poucas vezes nas minhas mais de três décadas de vida, diria que umas 5 ocasiões nos últimos seis anos), é muito doloroso e a dor irradia até o dedo mindinho. Então, apesar de ser muito sem noção e demorar para me tocar que estou COMPLETAMENTE TRAVADA, eu acho que posso dizer que conheço a experiência da tensão muscular.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas nada me preparou para a tensão &lt;strong&gt;mandibular&lt;/strong&gt;. É cruel, muito cruel. Uma dor que castiga a alma pois acaba com o melhor momento do dia, o meu soninho sagrado. Acordar e não me sentir descansada, com dor de cabeça de tanto apertar, uma sensação de peso generalizado. Tenebroso. Sinto muito por todos que convivem com essa condição. Espero não fazer parte desse grupo por muito tempo, estou tomando medidas para encerrar essa experiência.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fazendo yoga antes de dormir, massagens, cházinho, óleo essencial de lavanda. Eu, que sempre fui a melhor dormidora do mundo. Adormeço rápido, mas tenho acordado podre no dia seguinte. Talvez isso tenha a ver com umas outras coisitas espirituais com nome e sobrenome. Mas falar sobre isso já seria me abrir demais com vocês.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Amei falar esse bando de bobagem aqui. Rezem pela minha mandíbula, amigos. Quem sabe amanhã acordo plena!&lt;/p&gt;
&lt;div class="post-comments-box"&gt;
&lt;h4&gt;Quer comentar algo?&lt;/h3&gt;
Envie uma mensagem no &lt;a href="/deixe-uma-mensagem/"&gt;livro de visitas&lt;/a&gt; ou, melhor ainda, me escreva um &lt;a class="rss-email-link" href="mailto:umaestranha@tutamail.com"&gt;e-mail&lt;/a&gt;. Será um prazer ler o que você tem a dizer!
&lt;/div&gt;
&lt;section class="footnotes"&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li id="fn-1"&gt;&lt;p&gt;Existem muitos magros de ruim que são favorecidos por um maior percentual de gordura marrom no corpo. Os adipócitos marrons possuem elevadas quantidades de termogenina, uma proteína que atua interrompendo o fluxo de elétrons da cadeia respiratória, gerando calor ao invés de ATP (que quando sobra vira outro tipo de gordurinha de reserva, a sua pança mesmo). Essas pessoas costumam ter uma temperatura corporal um pouco mais alta que o normal; definitivamente não é o meu caso.&lt;a href="#fnref-1" class="footnote"&gt;&amp;#8617;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li id="fn-2"&gt;&lt;p&gt;Precisava fazer um adendo e explicar que já sofri com doenças dermatológicas que abalaram completamente a minha cabecinha, foram experiências tenebrosas. Mas escrever isso aí estragaria toda a bossa que eu estava fazendo nesse parágrafo.&lt;a href="#fnref-2" class="footnote"&gt;&amp;#8617;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/section&gt;
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    <published>2026-07-24T01:35:00+00:00</published>
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    <title>diretório</title>
    <updated>2026-07-30T14:34:00+00:00</updated>
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      <name>eskayvendo</name>
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    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;organizando em ordem alfabética outros conteúdos que você pode achar interessantes de consultar por aqui!&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href='https://eskayvendo.bearblog.dev/beda'&gt;BEDA&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;: desafio que fiz em agosto/2026, com todas as postagens linkadas.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href='https://eskayvendo.bearblog.dev/changelog'&gt;changelog&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;: alterações que fiz/pretendo fazer nesse blog.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;strong&gt;colofão&lt;/strong&gt;: informações sobre como esse blog foi feito, com créditos e links.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;strong&gt;sobre mim&lt;/strong&gt;: achou insuficiente a descrição da home? pois aqui você vai achar mais material pra fofocar sobre minha pessoa.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;strong&gt;vizinhança&lt;/strong&gt;: onde falo sobre blogs que acompanho e admiro.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;página atualizada a última vez há 3 dias, 1 hora&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;Quer responder essa postagem? &lt;a href="mailto:kay.j.batista@gmail.com?subject=Re: diretório"&gt;Fala que eu te escuto!&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
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