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  <title>Bear Blog Trending Posts</title>
  <updated>2026-06-18T11:51:00.097108+00:00</updated>
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    <name>Bear Blog</name>
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  <subtitle>Trending posts on Bear Blog</subtitle>
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    <title>A tristeza de procurar conteúdo brasileiro no YouTube</title>
    <updated>2026-06-16T16:55:31.084052+00:00</updated>
    <author>
      <name>makhai</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;Não veja o título e pense que sou mais um brasileiro com síndrome de vira-latas. Eu assisto majoritariamente a canais feitos por brasileiros e tenho preferência por eles. O que vou relatar aqui é um problema pessoal que enfrento quando tento buscar conteúdos mais específicos, e como isso é reflexo da nossa sociedade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu sou uma pessoa curiosa. Gosto de pesquisar diversos assuntos, que vão de coisas triviais sobre obras que aprecio até conceitos filosóficos que me chamaram a atenção. Meu problema começa quando tento buscar conteúdos sobre esses temas que, por coincidência, podem cair em vestibulares, editais de concursos e coisas do tipo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há diversos canais nacionais que trazem conteúdo de qualidade sobre várias áreas, mas, para determinados assuntos, é praticamente impossível encontrar alguém falando sobre eles sem que a intenção seja fazer alguém passar em alguma prova. É a velha decoreba, como minha mãe dizia. Não são pessoas falando sobre algo por simples interesse, onde existe alguém querendo ensinar e alguém querendo aprender. Aqui no Brasil, o que se vê é alguém tentando melhorar de vida e buscando quem ensine a decorar algo, enquanto te convence a comprar o acesso a uma determinada plataforma.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É nesse ponto que a engrenagem social se revela. O conteúdo não é ruim por acaso, ele apenas responde a lógica de sobrevivência. Quem produz sabe que o público não está ali por mera curiosidade e vontade de aprender, mas porque precisa urgente de uma aprovação, de um salário melhor, &lt;strong&gt;de uma saída&lt;/strong&gt;. E é exatamente essa urgência que faz com que aprendizado vire um produto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em um país desigual como o nosso, aprender algo por puro interesse se torna quase um absurdo. Não há incentivo para isso. Precisamos estar sempre buscando melhorar nossa condição e lutando contra um sistema que nos força a fazer cada vez mais.&lt;/p&gt;
</content>
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    <published>2026-06-16T16:55:31.084052+00:00</published>
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    <id>https://th.blog.br/o-medidor-de-caos-da-vida-adulta/</id>
    <title>O medidor de caos da vida adulta</title>
    <updated>2026-06-16T20:35:00+00:00</updated>
    <author>
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      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/thblog/image-128.webp" alt="image" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esqueceram de me avisar do trabalho que dá pra fazer o básico da vida adulta. Trabalhar, manter uma casa razoavelmente limpa, organizar as refeições do dia, lavar roupas, levantar uns pesos pesados na academia, fazer um esporte pra não ficar maluco, resolver as burocracias, ter algum tempo pra lazer e passar tempo com as pessoas que gostamos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cansei só de escrever essa listinha! Tá maluco. Mas aí a vida acontece e ALGO vai ficar sem fazer, e esse vai ser o seu &lt;strong&gt;medidor de caos da vida adulta&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As roupas sem dobrar são a minha maior briga e o que melhor representa a entropia sistêmica que tô cruzando em qualquer momento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas é que é assim, antes de me chamar de vagabundo (talvez eu seja mesmo), eu faço o possível pra organizar a vida com os inegociáveis. Tipo: vou comer certinho, fazer os exercícios, procurar dormir bem, do trabalho não tem como escapar e ter algum tempo de lazer e descanso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dentro dos inegociáveis, tem a parte da roupa. Eu preciso lavar, senão vou ficar sem cueca limpa kkkkkk aí não dá, então tem que lavar, não tem jeito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas dobrar, precisa mesmo? Eu consigo passar alguns dias sem dobrar a roupa e minha vida flui normalmente. Às vezes eu prefiro ter um tempo de lazer. Às vezes eu quero escrever no blog (mas não me julgue ainda por estar escrevendo isso e não dobrando roupas)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Será que a pilha de roupas sem dobrar não é um símbolo, um lembrete da nossa incapacidade de controlar tudo ao nosso redor? Queremos tudo em ordem, mas a vida não é tão simples, tão previsível como gostaríamos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Talvez a pilha de roupas me lembra que a vida pode ser um pouco mais além de ser funcional o tempo todo. Um lembrete de que dá pra deixar certas coisas pra depois e viver a vida também, afinal, a vida não deve ser só trabalho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em tempo de Copa, o Uruguai jogou ontem, e vou deixar essa frase do meu Uruguaio mais querido:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;La vida no es solo trabajar. Hay que dejarle un buen capítulo para la locura que tenga cada uno. &lt;br /&gt;
-Pepe Mujica&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Talvez seja isso. Ou talvez eu seja vagabundo mesmo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;P.S: A M.N. é a mais afetada dessa história toda das roupas sem dobrar, pq eu uso a poltrona dela (sim, dela por usucapião). Mas não faz mal. Eu movo as roupas pra cama pra ela poder deitar. E aí, quando vou dormir, eu volto as roupas pra poltrona. Tudo certo por aqui.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/thblog/image-129.webp" alt="image" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h3 id=algumas-atualizacoes&gt;Algumas atualizações&lt;/h3&gt;&lt;p&gt;Estou adorando que o formato de resposta tá pipocando no Discover do Bear Blog. Acho que essa é uma forma muito legal de usarmos o blog como nosso espaço pessoal, mas também dando espaço pra pessoas comentarem (também do espaço delas, e no tempo delas).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Acho que é interessante o "não imediatismo" da coisa, quase que uma troca de cartas públicas numa coluna de jornal. Acho que isso faz parte de uma internet saudável e muito divertida que podemos construir, permitindo uma troca de ideias fluida e despretensiosa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ah, e nesse exato momento, França e Senegal empatam em 0 a 0. VAMOS SENEGAL! Pra cima. Acabou de ter revisão do Var e ele não deu pênalti pra França, coisa linda! É, pelo jeito eu vou dobrar roupa só depois que a copa acabar...&lt;/p&gt;
&lt;h3 id=esse-post-tambem-e-uma-resposta-ou-tipo-isso&gt;Esse post também é uma resposta. Ou tipo isso..&lt;/h3&gt;&lt;p&gt;Não é bem resposta, mas esse post converge com esses dois:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href='https://mikahgosto.bearblog.dev/infinitos-rascunhos/' target='_blank'&gt;mikahgosto: Infinitos Rascunhos&lt;/a&gt;, onde eu botei pra jogo esse rascunho que estava quase pronto fazia tempo.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/vai-ter-faxina/' target='_blank'&gt;semdominio: Vai ter faxina!&lt;/a&gt;, onde ela compartilha suas percepções ao redor do tema. Eu adorei o conceito de bagunça ativa, e passei a olhar com mais carinho pra minha baguncinha relacionada com as coisas que eu gosto de fazer. Vale muito a leitura! (e não, a roupa sem dobrar não é bagunça ativa é bagunça vagabunda mesmo)&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;Então além do formato resposta, temos o formato "Convergência"? Ou tem nome melhor? É, acho que essa questão precisa de especialistas pra opinar.&lt;/p&gt;
</content>
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    <published>2026-06-16T20:35:00+00:00</published>
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    <title>O dia que eu entendi machado de assis</title>
    <updated>2026-06-14T23:13:00+00:00</updated>
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      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;e aí, de boa?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/thblog/image-126.webp" alt="image" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Você se lembra de quando entendeu o quão incrível a literatura pode ser? Eu me lembro do exato momento em que as coisas clicaram pra mim, e é isso que vou contar hoje.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vamos do início. Eu já tinha o hábito da leitura desde cedo, porém acabei sendo bem vagabundo no ensino médio, onde tínhamos as aulas mais aprofundadas de literatura/português. Tinha algumas coisas concorrentes rolando na minha vida nesse período, então eu escolhi algumas matérias pra só ir empurrando com a barriga mesmo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isso às vezes me incomoda um pouco. De um lado, eu sinto que se tivesse aproveitado melhor essas aulas (com uma professora muito boa) eu teria mais facilidade pra navegar nos gêneros, autores, períodos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De outro lado, eu entendo que enquanto adolescente eu ainda não tinha carga de vida suficiente pra entender a profundidade das coisas. E a gente adolescente é meio burrinho mesmo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Li (tentei ler) Dom Casmurro lá pros 12, 13 anos, nem terminei de tão chato. Acho que parei na parte do seminário. Li de novo ano passado e a percepção é muuuuuuuuuuuuuuito diferente. Porém, caro leitor, aguarde. Dom Casmurro é papo pra outro dia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Passado o ensino médio eu estava na rotina de trabalho e faculdade. Nessa época eu trabalhava de manhã/tarde e estudava à noite, fazendo muitos trajetos de ônibus. Lia muito no Kindle, já que me permitia ler no escuro e carregar pouco peso em livros. Nada contra quem gosta do cheiro dos livros novos, mas me adaptei muito com Kindle e foi super necessário pra eu poder ler na época.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pois bem, estava eu lendo "As memórias póstumas de Brás Cubas", na minha tentativa de ler os clássicos e recuperar o conhecimento que eu deixei escapar no ensino médio. Estava gostando muito do livro, tudo bastante dinâmico, interessante, fluindo bem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao longo do livro reparei que uma parte estava ficando mais maçante. Tipo mais lento, agarrado, tedioso. E foi que o bruxão do cosme velho me lança esse parágrafo:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. &lt;strong&gt;Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/thblog/image-125.webp" alt="image" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E aí eu fiquei CARALHOOOOOOOO. OU SEJA: no começo do livro que contava a juventude, os capítulos eram energéticos, rápidos, divertidos, irônicos. Ao longo do envelhecer, a escrita passa a replicar a ideia de que a vida nem sempre anda linear, como ele mesmo diz, um estilo que lembra um bêbado caminhando. Vai, volta e resmunga.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ah! Que momento especial. Lembro como se fosse ontem. Aí eu entendi uma coisa que nunca tinha parado pra pensar: quem escreve consegue controlar o ritmo da leitura (!!!!). Conseguem deixar mais dinâmico ou mais tedioso conforme a história pede.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;COMO ASSIM nossas emoções durante a leitura podem ser manipuladas pelo ritmo da escrita? Aparentemente era isso mesmo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Depois disso, eu comecei a entender os livros de outra forma, passei a entender melhor os estilos dos autores e autoras, suas variações e preferências. Consegui me aprofundar e curtir cada estilo de cada um. Como se a partir desse ponto eu entendesse que nem todo livro é "igual" no sentido de ser uma história e pronto. Cada livro vai ter o tchã do autor/autora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É isso por hoje! Obrigado por ler até aqui. Se você se lembra de quando a literatura passou a fazer sentido pra você de uma forma diferente, me conte no "&lt;a href='/deixe-um-salve' target='_blank'&gt;deixe um salve&lt;/a&gt;". Eu sou curioso e gosto de saber como foi essa jornada pra outras pessoas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Abraço!&lt;/p&gt;
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    <published>2026-06-14T23:13:00+00:00</published>
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    <id>https://eskayvendo.bearblog.dev/ted-lasso-e-meu-ranco-por-boas-pessoas/</id>
    <title>Ted Lasso &amp; meu ranço por pessoas boas</title>
    <updated>2026-06-16T15:20:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>eskayvendo</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;Assisti dois episódios de Ted Lasso e preciso falar a respeito. Nenhuma análise de importância pode ser extraída em tão pouco, por isso hoje meu motor não é tentar parecer esperto — eu sempre acho que desisti de me fingir de sabidinho, mas às vezes ainda me pego nesse velho hábito —, mas sim dar uma vazão pras risadas e lágrimas que deixei escapar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;Deux sabe que ultimamente vivo com ranço de gente que só faz análises assim, na base da emoção (“esse é o MELHOR livro do ano”, “com certeza esse é o PIOR livro já escrito”) e não, não é que eu odeie gente emocionada ou ache que as pessoas não podem só gostar/odiar as coisas em paz, mas acho meio chato viver em extremos. Um dia, quem sabe, eu desenvolvo um texto só sobre a falta de nuance que parece atingir a percepção de muita gente atualmente. Mas hoje, é só de Ted Lasso que vou falar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É muito difícil que eu me lembre de personagens que são boas pessoas, até porque, na maioria das vezes, nem sequer consigo sentir muita afinidade por eles. Tendo a achar que essa minha predisposição a revirar os olhos quando surge uma personagem meio “ain porque ela é tão legal, ela é tão galera!” seja uma combinação de duas coisas:&lt;/p&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;skill issue&lt;/em&gt; da autoria, que não sabe como escrever uma pessoa boa que não pareça só, sabe… uma figura 2D, extraída diretamente de um livreto religioso ensinando crianças sobre como se comportar.&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;p&gt;eu ter me desenvolvido na base de watchmen e seus derivados tão sombrios, tão perturbados. (não falo isso como algo bom, mas sim como mera constatação. hoje em dia acho que tanta misantropia é só uma construção pra lá de individualista do capital, desesperado pra segregar as pessoas e destruir comunidades. mas enfim, quem se importa, né? /ironia)&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;p&gt;Minha visão sobre a bondade na ficção sempre foi muito cínica, impaciente, cheia de desprezo. Hoje em dia, apesar de ver muitas obras fazendo um trabalho pra lá de sofrível ao tentar representar Pessoas Boas™, acho que minha fúria se abrandou. Eu me tornei “mole”, mais disposto a entender e relevar defeitos nessas caracterizações.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Escrever Pessoas Boas assim, com letra capital, é meio complicado porque acho que muitos de nós não conseguimos elencar de cabeça uma pessoa real que cumpra os requisitos sem, em algum momento, “escorregar” — as pessoas são contraditórias, então faz parte, mas quando se trata de criar arte a falta de referência pode ser um complicador enorme. Escrever sobre aquilo que nunca vimos requer uma sensibilidade e cuidado que poucos estão dispostos a desenvolver, pois dá trabalho. (Isso mesmo, eu acho que Pessoas Boas são um tipo de Unicórnio. Pronto, falei!)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Então… Ted Lasso. Dois episódios. Pensamentos cujo combustível veio diretamente da Fábrica dos Emocionados, Endereço Rua 10 Estrelas, situado no bairro Mudou-a-Química-do-Meu-Cérebro-ville. Posso até tentar dar uma disfarçada jogando algum comentário técnico por aqui — quer parecer sabidinho no audiovisual? mencione a fotografia —, mas a realidade é que fiquei pegado por Ted Lasso porque múltiplas emoções tomaram conta do meu painel de uma vez só: encantamento, raiva, divertimento, descrença.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ted Lasso enquanto personagem é muita coisa: pra começar, ele é um idiota, como define a Sra. Whelton, a dona do time de futebol que resolve contratá-lo. Ted Lasso faz piadas de tiozão que não ofendem ninguém e que te fazem rir pelo constrangimento de pensar que &lt;em&gt;ele&lt;/em&gt; vê alguma graça nelas. Ted Lasso é um homem que surpreende por gestos simples, como perguntar o nome de um dos funcionários dos bastidores do time, Nathan, que provavelmente não é reconhecido nem pelo RH. Ted Lasso é estranhamente gentil, não só para um homem, mas para um ser humano num geral.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quem já conheceu um Ted Lasso? Eu com certeza nunca vi alguém semelhante na natureza, infelizmente (não me leve a mal, eu conheci, sim, pessoas adoráveis, boas e carinhosas, mas Ted Lasso não se parece com ninguém que eu já tenha visto). Se uma figura dessas é tão rara, então por que sua representação não me deixou incomodado e sim, emocionado? Por que eu chorei quando Ted Lasso meramente olhou fascinado pra uma garota jogando bola com seus amigos ou quando ele ofereceu uma festa de aniversário pra um jovem jogador há muito tempo longe de casa?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vira e mexe converso com minha esposa sobre a razão de escrevermos, cada um elencando nossos motivos — inclusive ela publicou uma &lt;a href='https://mikahgosto.bearblog.dev/o-que-me-mantem-escrevendo/' target='_blank'&gt;reflexão a respeito&lt;/a&gt;, que eu recomendo bastante! Tanto ela como outras pessoas já me disseram que escrevem para poder entender o que estão pensando ou sentindo, e acho que isso é o que define perfeitamente o que faço agora, enquanto redijo esse texto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;O que tem em Ted Lasso que provocou tamanha reação em mim?&lt;/em&gt;, é a primeira pergunta que me surge, mas tantas outras vão brotando que preciso respirar fundo e dizer a mim mesmo pra ir com calma, pra não correr demais. Vou descobrir aos poucos, conforme escrevo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ted Lasso é um bobalhão, mas não só isso: Ted Lasso me parece um homem terrivelmente sábio. Ted Lasso não só “emana energia de gente boa” ou “é sabor boa pessoa”; Ted Lasso &lt;em&gt;é&lt;/em&gt;, inegavelmente, uma boa pessoa e não sei pra vocês, mas uma Pessoa Boa evoca um respeito e admiração muito maior do que qualquer chefe de estado ou bilionário poderia receber da minha parte. Uma bondade gentil, sem arrogância nem expectativas de reconhecimento. Uma bondade tão genuína que só acontece; é um momento que passa e quando você vê a pessoa se foi, te deixando congelado no lugar. (Você não se mexe pois ainda está absorvendo aquele gesto de entrega tão pequeno e ao mesmo tão significativo, que te desarmou com tanto cuidado que te deixa com vergonha.)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aliás, preciso fazer uma pequena correção: eu disse alguns parágrafos atrás que nunca encontrei uma Pessoa Boa assim, &lt;em&gt;in natura&lt;/em&gt;, mas percebi que foi uma inverdade. A maioria das crianças que encontrei &lt;em&gt;são&lt;/em&gt; pessoas boas. O que acontece para mudá-las… bom, a gente sabe como funciona. Muitos de nós estivemos no mesmo caminho, eu acho, sendo quebrados aos poucos por pais, mães ou até famílias inteiras, tendo que ouvir para deixarmos de ser bobinhos, pra criarmos dentes, pra não deixarmos os outros passarem a perna na gente, pra nos impormos, pra sermos espertos, pra isso e aquilo e mais aquilo outro. Se no início devemos ser complacentes até demais, ultrapassando os limites da nossa autonomia e desejo — “beija seu avô!”, “empresta seu brinquedo pro amiguinho” —, depois somos ridicularizados por confiarmos demais, por sermos inocentes ou gentis com quem não devíamos. Ouvimos que somos “sangue de barata”, que não temos “culhões”, e por aí vai. Não me surpreende a evidente escassez de Pessoas Boas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas bem, não estamos aqui pra terapeutizar. Estamos aqui pra analisar ficção &lt;del&gt;(ou seja, terapeutizar, mas de um jeito menos evidente)&lt;/del&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p id="section-1"&gt;Acho que evito falar sobre a forma como sou impactado por certas obras não porque quero soar Profissional &amp; Sério, mas porque isso pode ser uma coisa constrangedoramente expositiva, como carregar seu coração na mão^&lt;a href="#section1"&gt;[¹]&lt;/a&gt; — é perigoso andar por aí correndo o risco de ser apunhalado, às vezes por mero entretenimento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Talvez parte do meu ranço por Pessoas (que se acham) Boas seja porque muitas delas &lt;strong&gt;usam a bondade como uma forma de obter alguma coisa&lt;/strong&gt;, e não apenas porque &lt;em&gt;querem&lt;/em&gt; ser boas. Muita gente utiliza de uma suposta bondade como ferramenta, às vezes por que quer amansar um adversário, às vezes para se colocar como superior ao outro. E vai ver que é por isso que Ted Lasso me causa uma inveja tão absurda: eis aqui um homem sem escudo e sem bandeira de autopromoção, sem medo do outro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ted Lasso tem seus problemas — está longe do seu filho, passando por complicações evidentes na relação com a esposa —, mas sua reação a eles não é violenta ou raivosa. Rodeado por “gente como a gente” — pessoas contraditórias, frustradas, egoístas, atormentadas, chatas e/ou desagradáveis —, Ted Lasso não é gentil por ser alienado ou estar numa bolha que sempre corresponde a ele; muito pelo contrário, as pessoas parecem até que bem inclinadas a serem escrotas com ele só porque sim.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma das coisas que mais achei fascinante no personagem foi que ele não aparenta perder a própria paz tentando desvendar os pensamentos sombrios dos outros ou mergulhando numa ansiedade sem fim ao querer descobrir se existem segundas ou terceiras intenções por trás dos gestos e falas dos outros, ou mesmo se culpando por receber essa chuva de babaquice sobre ele. As pessoas são o que são, e Ted Lasso só tem poder sobre o que ele mesmo é. Ele não se pergunta se as pessoas merecem ou não que ele seja gentil; ele só é, porque é isso o que significa ser uma boa pessoa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;(Alguns diriam que ele é fraco, que só não se quebra porque está num cenário de ficção e o roteiro vai favorecê-lo onde for interessante favorecer, mas meu hot take é de que se as pessoas fossem mais gentis sem propósito, sem selecionar “beneficiários” para serem agraciados com sua bondade, talvez o reflexo social de foder o coleguinha fosse menor. Não sei, vai ver só estou sendo otimista demais.)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ted Lasso é tão terrivelmente sincero que é isso o que o torna engraçado pra mim — e capaz que pra muitas outras pessoas. Não me parece que Lasso esteja engolindo sapo enquanto sorri de forma relaxada, que sorria por estar cavando um “cessar-fogo” dos tantos insultos que recebe da parte de repórteres inconvenientes ou de seus jogadores mal-criados. Se Higgins, o secretário meio assecla, meio alívio cômico da Sra. Welton, sempre dá um sorrisinho nervoso por querer ser poupado das falas ferinas da chefe, Ted Lasso só não se abala. Lasso não sorri por performance como a Sra. Welton, nem por ser meio “doidinho” como Kelly, modelo e namorada de um dos jogadores-problema &lt;del&gt;(eu diria que tal personagem é o idoso Ney deles, mas Jamie ainda não caiu nenhuma vez em dois episódios, então vou poupá-lo do comparativo)&lt;/del&gt;. Lasso só sorri porque &lt;em&gt;quer&lt;/em&gt; sorrir e está feliz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Que loucura, né?&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;Tendo assistido apenas dois episódios, é muito difícil fazer qualquer tipo de previsão para onde vai se desenrolar a narrativa, mas chuto que não é necessariamente a intenção fazer a história tomar rumos ambiciosos; não acredito que o objetivo principal seja tornar o time o melhor da Inglaterra pois &lt;del&gt;os troféus são os amigos que fazemos pelo caminho&lt;/del&gt; tornar os jogadores melhores como pessoas e também como um coletivo é bem mais significativo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se puder depositar aqui uma expectativa financiada 100% por mim mesmo, eu acharia ótimo descobrir como Ted Lasso se tornou o cara que é hoje — ver se encontro, assim, um pedaço do mapa para esse caminho que tanto me atrai. De viver a vida como se ela fosse a melhor coisa que me aconteceu, aposentar as armas (o peso delas é terrível, sério) e poder convidar aqueles que esbarrarem em mim a fazer o mesmo.&lt;/p&gt;
&lt;h3 id=nota&gt;Nota:&lt;/h3&gt;&lt;p id="section1"&gt;&lt;a href="#section-1"&gt;[¹]&lt;/a&gt;: Inclusive, isso me fez lembrar dos Odds, uma espécie alienígena de Doctor Who. Eu nunca fui muito fã de DW, mas assiti algumas tantas temporadas com minha amiga que ama a série, e me recordo de ter ficado muito impactado no episódio em que eles apareciam. Uma espécie alienígena que se torna gentil e não violenta por estar sempre carregando o próprio coração na mão, e ainda por cima acaba sendo escravizada por isso? Well, Metáforas Foram Feitas.
&lt;/p&gt;
---
&lt;p&gt;Quer responder essa postagem? &lt;a href="mailto:kay.j.batista@gmail.com?subject=Re: Ted Lasso &amp;amp; meu ranço por pessoas boas"&gt;Fala que eu te escuto!&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
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    <published>2026-06-16T15:20:00+00:00</published>
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    <title>[Re: th.blog e mikahgosto] De onde vem o meu amor pelos livros?</title>
    <updated>2026-06-15T13:35:00+00:00</updated>
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      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;O assunto dos livros e da leitura está com a corda toda entre nós, ao lado do futebol e da Copa do Mundo. Ah... como eu amo essa mistura das mais grandiosas artes! E é por isso também que adoro o Bear Blog: nos apresentamos com as mais variadas faces, práticas, gostos, dedicações e interesses – e nada disso parece estranho; é só a gente aqui, escrevendo, criando, deixando sair as coisas da nossa cabeça, sem se importar muito com o que elas são exatamente. E, de vez em quando, damos a sorte de encontrar outros blogueiros que conversam com a nossa proposta, por mais maluca que ela seja. Isso não é incrível!?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
Esse texto aqui continua a discussão proposta por dois blogs:&lt;sup class="footnote-ref" id="fnref-1"&gt;&lt;a href="#fn-1"&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;th.blog: &lt;a href='https://thblog.bearblog.dev/o-dia-que-eu-entendi-machado-de-assis/'&gt;O dia que eu entendi machado de assis&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;mikahgosto: &lt;a href='https://mikahgosto.bearblog.dev/o-que-me-mantem-escrevendo/'&gt;O que me mantém escrevendo?&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
Pretendo deixá-lo suscinto &lt;sup class="footnote-ref" id="fnref-2"&gt;&lt;a href="#fn-2"&gt;2&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;, porque sei que esse assunto permite uma ampliação infinita. Afinal, a questão é “ler e a arte de escrever”, e seremos acompanhados pelos maiores mestres da literatura de língua portuguesa. Isso porque a pergunta feita por th não é nada simples: &lt;strong&gt;quando a literatura passou a fazer sentido para você de uma forma diferente?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fui uma criança muito solitária e os livros me salvaram desde uma tenra idade. Me lembro de ler com entusiasmo &lt;em&gt;A bolsa amarela&lt;/em&gt;, de Lygia Bojunga, com assombro, &lt;em&gt;O país sem nome&lt;/em&gt;, de Marco Leal e de me divertir muito com os clássicos para garotas dos anos 2000: &lt;em&gt;O diário da princesa&lt;/em&gt;, de Meg Cabbot e &lt;em&gt;Poderosa&lt;/em&gt;, de Sérgio Klein (além de suas inúmeras variantes, que se produziram aos montes na época, mas que ficaram menos marcadas em minha memória). Passava horas esparramada no sofá, nas tardes frias, lendo livros e comendo dadinho, aquele doce pequenininho de amendoim.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No entanto, meus preferidos, e aqueles que moldaram a minha imaginação e o meu modo de ser foram, evidentemente, a série &lt;em&gt;Harry Potter&lt;/em&gt;, de Hermione Granger (sim, aqui nesse blog, Hermione é plenamente capaz de se tornar a autora dos livros, mesmo aos onze anos de idade, uma vez que aqui não estamos em uma democracia, mas em uma monarquia do meu gosto) e o esplendoroso &lt;em&gt;Senhor dos ladrões&lt;/em&gt;, de Cornélia Funke. Como eu queria estar dentro daquele universo criado por elas!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A minha psicóloga começou a assistir aos filmes de &lt;em&gt;Harry Potter&lt;/em&gt; pela primeira vez recentemente e tivemos conversas muito engraçadas por conta disso. Outras nem tanto: afinal, será que eu não me sentia meio Harry Potter, debaixo do armário da escada, quando ficava sozinha em casa por horas a fio, me virando e me cuidando com o que eu “sabia”? (e o que exatamente eu poderia &lt;em&gt;saber&lt;/em&gt; nessa idade?). O fato é que eu lia sem parar uma saga de não sei quantas páginas aos oito, nove anos de idade e (nossa!), como eu queria ser amiga do Rony, como eu idolatrava a genialidade de Hermione, como eu queria ter a coragem do Harry. Mais pra frente, me encantei por Lupin, Sirius, Tonks, Fred e George e todas as suas loucuras de jovens. Eu queria estar lá dentro, respirar aquele ar frio de Hogwarts. E, portanto, é claro que os livros eram o meu prazer – na realidade, eram eles que me tiravam desse universo solitário e cheio de adultos que não me entendiam completamente. Então, os livros funcionaram na minha vida como o Hagrid funcionou na vida do Harry: eles chegaram no dia do meu aniversário, como um presente inesperado, e me tiraram daquele lugar de solidão para sempre.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Bom, eu cresci, fui prestar vestibular sem saber para o quê. Nem sabia o que eu “queria ser”, mas estudei muito em um colégio rigoroso durante o Ensino Médio. Ali, mais uma vez, os livros eram a minha fuga. Então, ao contrário do meu amigo th, as aulas de Literatura e Português eram a minha salvação. Como eu não queria pensar em qualquer outra coisa, me agarrei à lista de livros do vestibular. Lia, como meu amigo th, no transporte público. Ora a caminho das aulas, ora a caminho de matar aulas. Mas sempre li. Meio que sem saber o porquê mesmo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O primeiro foi Jorge Amado, &lt;em&gt;Capitães da areia&lt;/em&gt;, e eu, como toda garota, me apaixonei perdidamente por Pedro Bala (mas tive também uma queda pelo Gato!). E, mais uma vez, a história de crianças perdidas me envolveu, e me enterneci profundamente com todos aqueles personagens largados aos seus destinos em uma cidade de Salvador extremamente violenta com os marginalizados. Que horror o destino de Sem-Pernas! Nunca me esqueci das páginas que narraram seu feito no Elevador Lacerda.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Depois, a lista foi se avolumando: &lt;em&gt;Vidas secas&lt;/em&gt;, de Graciliano Ramos (mestre máximo, primeira prateleira do Brasil), &lt;em&gt;Viagens na minha terra&lt;/em&gt;, de Almeida Garrett (Não me recordo de ter lido, pois a professora deu muitos &lt;em&gt;spoilers&lt;/em&gt; a fim de “explicar melhor” as idas e vindas da trama porque o autor intercala passado, presente e futuro. Me decepcionei muitíssimo e não li só de revolta.); &lt;em&gt;Til&lt;/em&gt;, de José de Alencar (Entendi pouquíssimo, li mais o dicionário do que o livro); &lt;em&gt;Sentimento do mundo&lt;/em&gt;, de Carlos Drummond de Andrade (Aqui me senti capaz de entender a poesia. Ah! Que momento grandioso para mim).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;O cortiço&lt;/em&gt;, de Aluísio Azevedo, também me conquistou. A narrativa intercala a casa de Miranda, o comerciante português, com a realidade do cortiço de João Romão, que fica logo ali, ao lado. As tramoias que se dão entre os dois personagens, o já “bem-sucedido” e o que “deseja ascender na vida” são fascinantes. Azevedo também cunha personagens femininas inesquecíveis que habitam o cortiço, como Rita Baiana, Bertoleza, Pombinha e Leónie. Há também o Firmo&lt;sup class="footnote-ref" id="fnref-3"&gt;&lt;a href="#fn-3"&gt;3&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;, companheiro de Rita, capoeirista e valente, que sempre enfrentava os portugueses da região. É uma sociologia do Brasil contada em um ritmo de novela das sete. Fantástico!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E, em meu coração, carrego até hoje &lt;em&gt;Memórias póstumas de Brás Cubas&lt;/em&gt;, de Machado de Assis, e &lt;em&gt;A cidade e as serras&lt;/em&gt;, de Eça de Queiroz (coincidentemente, os dois autores donos de uma das mais fofocadas “tretas literárias” da história). Enfim, dois gênios grandiosos, são eles quem colocaram o sarrafo lá em cima.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eça aborda um assunto que (agora percebo) me afeta, me agrada e me estimula muito: a diferença entre urbano e rural. E não faz isso com afetações, exageros ou ironia. Rende homenagem às duas possibilidades, ainda que prefira, no final, a vida no campo. Gosto de Jacinto, o personagem condutor, quando ele se encontra imerso na região do Douro (que eu, na minha inocência adolescente, imaginava toda dourada!!). E gosto também de Jacinto cheio de parafernálias urbanas, em Paris, com a vida toda acomodada em palacetes. Tudo nesse livro é lindo, lindo, lindo... Até hoje guardo o meu exemplar surrado, sem capa, lido em 2012.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/semdominio/20260615_103007.webp" alt="20260615_103007" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Diferente é o meu exemplar de Brás Cubas, como vocês puderam notar na foto acima. Essa versão eu comprei no ano passado. Está novinha, impecável. É como eu sinto que devo tratar Machado de Assis, bastião do Brasil no mundo e quiçá universo afora. Ao ler Machado, entendi pela primeira vez que um livro pode fazer o narrador conversar o tempo inteiro &lt;em&gt;comigo&lt;/em&gt;. E que esse mesmo narrador é capaz de me colocar pra dentro do jogo! O leitor é personagem, porque ele também é chamado pra dançar, como se Brás Cubas sempre nos importunasse, nos provocasse: e aí? Vai pensar o que disso que eu falei? Vai fazer o que comigo agora? Vai dormir em paz com essa minha revelação? Como ele é irônico, irreverente, impossível! Em alguns momentos você se acaba de rir, em outros, quer meter-lhe um soco no meio das fuças. Brás Cubas &lt;em&gt;te movimenta&lt;/em&gt;. Acrescente a esse mar de emoções outros personagens incríveis, como Virgília, Lobo Neves e o também glorioso Quincas Borba. Nunca me esqueci dos capítulos “XVI – Uma reflexão imoral” e “XXXI – A borboleta preta”. É de uma cretinice mordaz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Assim como aconteceu com th, a leitura de Brás Cubas me transformou para sempre. O mundo se torna mais vasto depois que lemos Machado. Ele é mesmo &lt;em&gt;irreversível&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ps.: Mikahgosto, me desculpe! Juro que achei que esse texto fosse conversar também com você. Acontece que eu fui me estendendo demais na parte da literatura, e não consegui inserir as questões da escrita (porque, na minha vida, uma coisa esteve sempre ligada com a outra). Em breve, faço outro texto só sobre isso, porque me inspirei bastante com esse último post que você fez sobre o ato de escrever.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Quer comentar esse texto?&lt;/strong&gt; Dê um alô no &lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/guestbook/'&gt;Guestbook&lt;/a&gt; do blog.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;&lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/ressaca-de-brasil/'&gt;Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/pequenas-atualizacoes-da-minha-vida/'&gt;Próximo&lt;/a&gt;&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Para escrever para mim, clique &lt;a href='https://letterbird.co/garota-30anos' target='_blank'&gt;aqui&lt;/a&gt;. Caso aguarde uma resposta, verifique também a sua caixa de spam.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;section class="footnotes"&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li id="fn-1"&gt;&lt;p&gt;Adorei essa invenção do livre-arbítrio do th e aproveitei o meu livre-arbrítio para roubar dele! Fica super legal quando queremos responder a algum texto e a resposta seria grande demais para caber em um comentário no Guestbook. Se quiserem ver as respostas dele, cliquem nos links a seguir: &lt;a href='https://thblog.bearblog.dev/re-ruadafeira-post-shutter-therapy/'&gt;re: ruadafeira, sobre o post "Shutter Therapy"&lt;/a&gt; e &lt;a href='https://thblog.bearblog.dev/re-blogdoth-e-semdominio-primeiro-jogo-da-copa-do-mundo/'&gt;re: blogdoth e semdominio - primeiro jogo do brasil na copa do mundo&lt;/a&gt;&lt;a href="#fnref-1" class="footnote"&gt;&amp;#8617;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li id="fn-2"&gt;&lt;p&gt;Acho que não consegui.&lt;a href="#fnref-2" class="footnote"&gt;&amp;#8617;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li id="fn-3"&gt;&lt;p&gt;Por quem eu também tive uma queda. Os hormônios da juventude que se apaixonam por todo mundo! Tô me divertindo aqui com vocês ao relembrar todas essas paixonites da adolescência. Nem me lembrava de tudo isso. Notem que nessa época eu tinha um padrão: prefiria os malandros.&lt;a href="#fnref-3" class="footnote"&gt;&amp;#8617;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/section&gt;
</content>
    <link href="https://semdominio.bearblog.dev/re-thblog-e-mikahgosto-de-onde-vem-o-meu-amor-pelos-livros/" rel="alternate"/>
    <published>2026-06-15T13:35:00+00:00</published>
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    <id>https://ruadafeira.varzea.recife.br/as-pessoas-leem-o-que-escrevo/</id>
    <title>As pessoas leem o que escrevo</title>
    <updated>2026-06-15T12:40:49.486301+00:00</updated>
    <author>
      <name>ruadafeira</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;Eu ainda me surpreendo quando alguém me manda um email comentando algo que escrevi aqui. Sou acostumado a escrever pro vazio, é muito interessante as interações que tenho tido por aqui. Todas me surpreenderam positivamente.&lt;/p&gt;
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--&gt;
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&lt;/div&gt;

--&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href="mailto:mauricio.melo@tutanota.com?subject=Re:As pessoas leem o que escrevo"&gt;Responda por E-mail📨&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href='https://bearblog.dev/discover/random-post/' target='_blank'&gt;Estou com sorte!🍀&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class="previous-post" href="/violencia-fisica-contra-violencia-psicologica" title="Violência física contra violência psicológica"&gt;Previous&lt;/a&gt; &lt;a class="next-post" href="/vou-pra-vara" title="Vou pra vara"&gt;Next&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
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    <published>2026-06-15T12:40:49.486301+00:00</published>
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    <title>Festa de gala</title>
    <updated>2026-06-17T14:00:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>semdominio</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/semdominio/2026-06-16t212149z_1132606200_up1em6g1mtqcb_rtrmadp_3_soccer-worldcup-fra-sen.webp" alt="2026-06-16T212149Z_1132606200_UP1EM6G1MTQCB_RTRMADP_3_SOCCER-WORLDCUP-FRA-SEN" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gala, do francês antigo: alegria, prazer. Kylian Mbappé joga o tempo inteiro sorrindo. Se diverte com o que faz, sente prazer consigo mesmo de uma forma quase obscena, transformando cada testemunha em acidental &lt;em&gt;voyeur&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A seleção francesa joga tão bem que a gente nem sente o esforço, parece que tudo está organizado para &lt;em&gt;funcionar&lt;/em&gt;. E quando pensamos que não funciona, como no primeiro tempo do jogo contra Senegal, percebemos o quanto estamos sendo enganados por aquelas meras impressões transmitidas pela televisão. Na realidade, a França tem um ritmo cadenciado que funciona como um rolo compressor. Se você ainda não foi esmagado, é só porque ele está a alguns metros de distância. Calma, o momento chegará.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sob o comando do “ditador” Mbappé, a França, palco da maior revolução da história moderna, mantém um jogo de igualdade – são tantos craques que fica difícil colocar alguém em um pedestal. E Mbappé, ciente da companhia, parece ter preguiça, poupar monumental esforço; perde um ou dois gols no primeiro tempo, talvez porque tem uma segurança extraordinária nas possibilidades futuras. Elas certamente chegarão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O camisa 10 exala aquela tranquilidade que beira a displicência. Eu não vi Ademir da Guia jogar, mas eu li Décio Pignatari escrever sobre Ademir da Guia: “Ademir é um craque por desfastio e joga o seu futebol sutil como quem, soberano e sobranceiro, está matando tempo balneariamente no gramado, à luz dos refletores e sob as vistas perplexas de trinta mil espectadores”&lt;sup class="footnote-ref" id="fnref-1"&gt;&lt;a href="#fn-1"&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;. Associo essas palavras com Mbappé. Parece que tudo depende do seu apetite. &lt;em&gt;Quando ele quer&lt;/em&gt;, em questão de poucos segundos, sozinho, decide tudo. Sabe do tamanho da sua estrela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
Estrela também é oportunismo, e craque não é feito somente de marra e vontade, mas também de sorte. Porque sorte, sorte mesmo, é a combinação da oportunidade com a capacidade de realização. Haaland marcou duas vezes na sua estreia na Copa do Mundo com a Noruega, em uma goleada de 4x1 – placar que garante a primeira colocação do grupo, deixando para trás a própria seleção francesa, do faminto Mbappé. A comemoração: uma postura meditativa. Diz ele, em entrevista&lt;sup class="footnote-ref" id="fnref-2"&gt;&lt;a href="#fn-2"&gt;2&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;, que meditar ajuda muito, que se encontrar em paz faz bem. Afinal, até mesmo o viking precisa alinhar os chakras com o universo, convocar forças maiores para dobrar o destino em direção ao &lt;em&gt;seu bem&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;figure style="text-align:center;"&gt;
    &lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/semdominio/captura-de-tela-2026-06-16-195023.webp  "alt="Haaland" style="width:100%;"&gt;
   &lt;/figure&gt;
&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quem também intercede em campo para abençoar os craques da seleção argentina são os deuses do futebol, os anjos sagrados e toda a mística maradoniana, que não dispensa um altíssimo grau de religiosidade. Não tem jeito, futebol mexe com tudo. E, quando se trata de Messi, o sagrado caminha da idolatria messiânica ao lance que dá certo só por um milagre. Mas as preces não rogam somente pelo ídolo estelar: até Dibu Martinez, o insano goleiro argentino, joga os 90 minutos mais acréscimos protegido por uma aura celestial da torcida mais vibrante que já foi vista na edição desse ano da Copa do Mundo. Para o jogador adversário, parece que não basta a bola entrar, porque ainda é preciso ultrapassar uma turba ensandecida atrás do gol.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;figure style="text-align:center;"&gt;
&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/semdominio/e2.webp" alt="Enzo" style="width:80%;"&gt;
&lt;figcaption style="font-size:0.85em;"&gt;Cruz alada, tatuagem de Enzo Fernández, meio-campista argentino.&lt;/p&gt;
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt;E porque Messi já é considerado se não um deus, ao menos uma figura associada ao divino, do lado de Maradona, ele não é julgado pelo tribunal dos homens. Aos 30 minutos do primeiro tempo fez uma falta que expulsaria qualquer jogador “mortal” de campo. Messi, sobrenatural, não recebeu nem cartão amarelo. O futebol também é assim. A justiça é aquilo que &lt;em&gt;se faz&lt;/em&gt;, independentemente de “ser justo” ou não. O VAR é só uma camada a mais que dá ares de solidez e de verdade para a arbitrariedade do juiz. No máximo, discutiremos o lance polêmico durante a semana seguinte e nada mais. O que conta é o que fica em campo. Messi não foi expulso, e marcou os 3 gols da Argentina ao som de uma massa de adoração.&lt;/p&gt;
&lt;figure style="text-align:center;"&gt;
    &lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/semdominio/messi.webp" style="width:100%;"&gt;
    &lt;figcaption style="font-size:0.85em;"&gt;Na página da Wikipedia em inglês, Messi aparece alado.
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se na França há uma “ditadura da igualdade”, elevada à máxima potência pela excelência técnica, na Argentina só há espaço para a loucura. A idolatria que a &lt;em&gt;hinchada&lt;/em&gt;, os jogadores, o técnico e o país têm por Lionel Messi, somada às características sublimes e até monstruosas desse jogador, fazem com que a seleção argentina jogue leve. Não há, como na França, rolo compressor – a maestria azul-celeste reside na dança em torno do gol adversário. Como no tango, rodam, rodam, rodam, e depois se curvam, não em direção ao corpo da companheira de dança, mas em direção às traves. A bola entra com amor. É paixão em estado puro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;figure style="text-align:center;"&gt;
    &lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/semdominio/aa-1.webp" style="width:100%;"&gt;
    &lt;figcaption style="font-size:0.85em;"&gt;Jogadores da Argentina comemoram o segundo de Messi, com ele no centro e a torcida atrás. Onde quer que Lionel esteja, faixas e bandeiras apoiadas nas grades dão o tom de templo do futebol.
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
Gala, do italiano: elegância, pompa. Iranianos e iraquianos praticam a arte da bola sob uma pressão que vai além do campo. São acossados o tempo inteiro pela chamada justiça estadunidense. Senegal olha a França de igual para igual, mostrando que não vai mudar &lt;em&gt;o seu modo&lt;/em&gt; de jogar para se adaptar ao rival. Postura da mais alta classe. A estreante seleção de Cabo Verde barrou a grandiosa campeã europeia, em um empate que deixou o mundo inteiro com um gostinho de vitória&lt;sup class="footnote-ref" id="fnref-3"&gt;&lt;a href="#fn-3"&gt;3&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;. Nem a alta cúpula da Espanha, incluindo o príncipe Lamine Yamal, conseguiu marcar contra Vozinha, o goleiro que conquistou os corações do planeta. Derramei lágrimas pesadas nesse confronto, só pela emoção de ver que o futebol é o campo de &lt;em&gt;todas as possibilidades&lt;/em&gt;. Mas não sei se essas lágrimas valem muito, porque eu sou meio chorosa mesmo...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esse é o Futebol com F maiúsculo. Deixa a gente à flor da pele com os craques da bola e os craques da vida. O mundo só tem a crescer quando essas duas qualidades se encontram na mesma pessoa. Na &lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/re-thblog-e-mikahgosto-de-onde-vem-o-meu-amor-pelos-livros/'&gt;“monarquia do meu gosto”&lt;/a&gt;, a nobreza vem do gesto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;figure style="text-align:center;"&gt;
    &lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/semdominio/captura-de-tela-2026-06-17-103852-1.webp" style="width:100%;"&gt;
&lt;figcaption style="font-size:0.85em;"&gt;O goleiro Vozinha, em uma noite que entrou para a história do futebol mundial.
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Quer comentar esse texto?&lt;/strong&gt; Dê um alô no &lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/guestbook/'&gt;Guestbook&lt;/a&gt; do blog.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/pequenas-atualizacoes-da-minha-vida/'&gt;Anterior&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Para escrever para mim, clique &lt;a href='https://letterbird.co/garota-30anos' target='_blank'&gt;aqui&lt;/a&gt;. Caso aguarde uma resposta, verifique também a sua caixa de spam.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;section class="footnotes"&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li id="fn-1"&gt;&lt;p&gt;Décio Pignatari. Ademirável da guia. &lt;em&gt;Terceiro tempo&lt;/em&gt;. Cotia: Ateliê Editorial, 2014.&lt;a href="#fnref-1" class="footnote"&gt;&amp;#8617;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li id="fn-2"&gt;&lt;p&gt;Ge. Ele fez de novo! Entenda por que Haaland, da Noruega, comemora seus gols meditando. Disponível em: &lt;a href='https://ge.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2026/06/16/ele-fez-de-novo-entenda-por-que-haaland-comemora-seus-gols-meditando.ghtml'&gt;https://ge.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2026/06/16/ele-fez-de-novo-entenda-por-que-haaland-comemora-seus-gols-meditando.ghtml&lt;/a&gt;&lt;a href="#fnref-2" class="footnote"&gt;&amp;#8617;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li id="fn-3"&gt;&lt;p&gt;O oposto do Brasil, que nos deixou com um empate com gosto de derrota. Para ver comentários sobre esse jogo, leia &lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/ressaca-de-brasil/'&gt;Ressaca de Brasil&lt;/a&gt;.&lt;a href="#fnref-3" class="footnote"&gt;&amp;#8617;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/section&gt;
</content>
    <link href="https://semdominio.bearblog.dev/festa-de-gala/" rel="alternate"/>
    <published>2026-06-17T14:00:00+00:00</published>
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    <id>https://mikahgosto.bearblog.dev/post-de-dia-dos-namorados/</id>
    <title>Seria o relacionamento saudável um mito?</title>
    <updated>2026-06-12T23:23:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>mikahgosto</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;div style="text-align:justify;"&gt;  
Já parou para pensar que às vezes um relacionamento saudável, bem como pintam, parece uma coisa de outro mundo? 
&lt;p&gt;A maioria das pessoas que atendo na clínica são mulheres e muitos dos casos possuem questões sobre relacionamentos. A maioria está comigo há 1 ano ou mais e várias vezes esse pensamento chegou para mim, seja em forma de pergunta, de afirmação ou uma dúvida que fica martelando na nossa cabeça como uma coceira chata num ponto das costas que nossas unhas não alcançam.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando se vive uma relação tóxica ou até mesmo que não chega a ser tóxica, mas que se encontra adoecida por questões de um que se tornam dos dois, pensar no trabalho que dá para construir um relacionamento saudável, faz parecer algo distante do tipo que só acontece em filmes ou livros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Muitos casais existem como se estivessem em uma competição de um contra o outro e no fim tudo que se ganha são brigas, ressentimentos e feridas que se tornam tão profundas que podem até mesmo afetar todas as relações que essa pessoa tem ou virá a ter na vida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;São mulheres de idades e de histórias de vida diferentes vivenciando algo parecido demais para ser só um punhado de casos isolados. Nossa cultura romantiza demais o sofrimento no amor (ou na vida como um todo, pra falar a verdade), tem muitas mulheres por aí que crescem acreditando que amar é se sacrificar pelo outro, fazer do outro o centro da sua vida e esquecer de si, que só o amor basta, que ciúmes é sinal de paixão e brigas sinônimo de intensidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A mesma lógica que acontece nos trabalhos quando normalizando um chefe sem noção ou uma empresa que pouco se importa com quem nela trabalha, nos relacionamentos isso aparece em companheiros que humilham, controlam, invalidam ou simplesmente não cuidam, ou até cuidam, mas basta uma desavença para tudo ser ignorado e você que lute.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sair de um emprego ruim ou de um relacionamento ruim requer uma coragem imensa, são ciclos e mais ciclos de "não aguento mais" e "ok vamos tentar outra vez" e é assim que muitas de nós começamos a duvidar que relações saudáveis existem mesmo, afinal, todo casal briga, né? Talvez seja eu que estou exigindo demais e quem muito escolhe acaba sem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando esse tipo de pensamento aparece diante de mim eu escuto com o dobro de cuidado, não só como psicóloga, mas também como uma mulher que já esteve nesse lugar e viveu por anos um relacionamento que mais machucava do que contribuía para a minha felicidade. E nem digo isso demonizando o cara, não é como se ele simplesmente acordasse decidido a ser um péssimo companheiro, era só ele existindo com as coisas dele eu com as minhas e os dois se espetando no processo que nem dois cactos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quantas vezes você se  dispôs a melhorar aspecto x ou y na expectativa que o outro te acompanhasse e nada durou uma semana? Quantas vezes você já conversou, explicou, fez de tudo para que o outro entendesse seu lado, mas antes mesmo de terminar a falar o outro já interrompeu para se defender ou até mesmo atacar? Quantas vezes vamos tentar outra vez? Qual é o limite de tolerância para uma relação que não te faz mais bem?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já vi na prática que nem todo mundo sabe que existem diversas formas de violência, que não é somente bater e machucar o corpo da parceira ou parceiro que é considerado violência, existe formas mais sutis que se disfarçam de temperamento forte, "falo mesmo a verdade", "estava só de cabeça quente", "foi só no calor da raiva que me fez jogar esse guarda roupa em cima de você, por que &lt;strong&gt;você&lt;/strong&gt; me tirou do sério e eu não tenho responsabilidade nenhuma de aprender a me auto regular".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;(Isso foi específico demais, eu sei, foi de propósito...)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ouvir essas desculpas também já fez eu duvidar de mim mesma ou que seria possível mesmo conduzir um desentendimento sem partir para a grosseria, tratamentos de silêncio ou ataques, mas eis que entra agora, o motivo principal de eu estar escrevendo tudo isso em pleno dia dos namorados:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Hoje eu sei que relacionamentos saudáveis são reais e todas essas palavras também são para uma pessoa muito especial para mim! Praticamente postagem sim, postagem não eu falo dele, o cara que me mostrou na prática outra forma de existir a dois.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;(É agora que você pode sair à francesa se estiver só e for demais para você ler isso aqui).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É como eu digo lá na página inicial desse blog, quando escrevo meus papéis se misturam, o que eu vivo também reflete no meu trabalho e o que vejo no meu trabalho também me faz pensar no que vivi, até porquê eu amo o que eu faço e psicologia é muito mais do que técnica e teoria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Hoje eu quero agradecer tudo que aprendi vivendo ao seu lado. Coisas que se não fossem por você eu só teria palavras ensaiadas para oferecer àquelas pessoas que precisam ouvir que sim, relações saudáveis existem e elas merecem muito mais do que estão tendo hoje em dia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Aprendi que respeito e cuidado estão acima de tudo.&lt;/strong&gt; Tanto eu quanto você já falamos coisas que magoaram o outro, mas nunca vi você usar minhas fragilidades como arma contra mim, pelo contrário, você as guarda como se fosse uma florzinha muito frágil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Aprendi que autonomia não ameaça o amor.&lt;/strong&gt; Celebramos as conquistas (e os textos) um do outro com alegria de verdade, sem competir, sem diminuir, sem julgar aquilo que me faz vibrar. Nunca senti que precisaria escolher entre nossa relação e qualquer outra coisa, que o que quer que eu decida fazer na vida, terei seu apoio e bom senso crítico para contribuir com a construção daquilo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Aprendi que o amor mora nas ações pequenas e concretas.&lt;/strong&gt; Nos dias que nenhum dos dois tá afim de levantar, levantamos juntos para dividir a carga de seja lá o que estiver nos cansando no momento. Um combinado simples feito em nossos primeiros dias juntos que honramos como se  fosse a promessa mais importante do mundo! Pra mim é y.y&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Aprendi que eu posso mais.&lt;/strong&gt; Sempre que penso que cheguei ao meu limite, eu percebo que consigo um pouco mais quando lembro que aquilo que eu estou fazendo é por você também. Aguento mais um tempinho em pé, aguento dar mais alguns passos, terminar de lavar a louça ou estender as roupas no varal, ainda que algo em mim esteja doendo como sempre está.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Aprendi que minha vulnerabilidade está segura com você.&lt;/strong&gt; Você já me viu chorar por coisas que eu mesma julguei bobeira, mas nunca riu, minimizou ou disse "é só isso?" ou "nossa, que drama!", você me abraça e permanece ao meu lado. E nem precisa dizer nada, mas você sempre encontra algo incrível para me dizer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Aprendi que eu posso descansar e ser eu mesma.&lt;/strong&gt; E talvez tenha sido a lição mais difícil depois de anos de invalidação por todos os lados. O medo instante de errar e sofrer represálias que era tão comum no passado hoje é inexistente e mesmo quando ele dá as caras, você está lá para me lembrar que tudo bem se eu errar, tudo bem ser você mesma. Com isso pude enfim aprender quem sou eu quando não estou em estado de alerta emocional constantemente e descobrir que gosto mesmo de quem eu sou.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nós não existimos numa performance de relação bem sucedida com fotos e declarações pra todos mundo ver (apesar de ser exatamente isso que estou fazendo agora, rs). Simplesmente somos nós mesmos e isso nos basta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Toda vez que alguém menciona ter dúvidas sobre aquele relacionamento ser ou não ser bom, saudável ou seguro eu penso em você. Não digo seu nome, é claro, mas é a lembrança de nós dois que sustenta a minha resposta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Você me deu a certeza que me faltava para olhar nos olhos de uma mulher exausta e dizer com convicção "Existe, eu sei que existem relacionamentos melhores e você com certeza merece."&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se não fosse por você, eu sei que ajudaria essas mulheres, mas com aquela coceirinha chata no juízo, talvez eu fizesse as palavras certas, mas sem acreditar plenamente nelas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esse texto é um presente, uma confissão pública de gratidão e amor. O relacionamento saudável não é um mito. É a gente rindo de algo que só nós entendemos, é construir uma vida onde o amor não dói nem exige nossa parca saúde mental, é quando a gente levanta e vai fazer o que tem que ser feito juntos.&lt;/p&gt;
&lt;/br&gt;
&lt;/br&gt;
&lt;div style="text-align:center;line-height:40%;margin-bottom:50pt;margin-top:20pt;"&gt; 
&lt;p&gt; Tocando aqui 🧠:&lt;/p&gt;
&lt;p style="font-style:italic;"&gt;&lt;a href="https://music.youtube.com/watch?v=gA1nKo3q3t4&amp;si=PCGdNwx-zkbf7tlt"&gt; Marisa Monte - Ainda Ben &lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;01:45 ━━━━●───── 03:36&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   ㅤ ㅤ◁ㅤ ❚❚ ㅤ▷ ㅤㅤ&lt;/p&gt;
&lt;/br&gt;
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&lt;p&gt;𔓘 &lt;a href="mailto:micarlajcandido@gmail.com?subject=Re: Seria o relacionamento saudável um mito?"&gt;E se quiser trocar uma ideia sobre isso, é só clicar aqui :)&lt;/a&gt;
&lt;/br&gt;
&lt;/br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align:center;"&gt;「 Ｂｅｂａ áｇｕａ 」 &lt;/p&gt;
</content>
    <link href="https://mikahgosto.bearblog.dev/post-de-dia-dos-namorados/" rel="alternate"/>
    <published>2026-06-12T23:23:00+00:00</published>
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    <id>https://blogdoth.bearblog.dev/hoje-tem-brasil/</id>
    <title>Hoje tem Brasil!</title>
    <updated>2026-06-13T19:08:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>blogdoth</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;Hoje é dia de ver a seleção brasileira jogar!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu não gosto de futebol, nunca gostei, mas de quatro em quatro anos eu paro em frente à TV para ver os jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aqui em casa as coisas são diferentes. Quem gosta de futebol é a minha mulher. Quando se trata de Flamengo e Brasil ela faz questão de assistir a todos os jogos. Já chegamos até a ir ao Maracanã para ver o Flamengo jogar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mesmo não curtindo futebol, devo admitir: assistir a um jogo do Flamengo ao vivo, num estádio, é emocionante! Quando dei por mim estava tomando banho de cerveja e comemorando o gol com uns caras que nunca vi na vida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Hoje eu vi um story no Instagram de alguém dizendo que Copa do Mundo vai além de futebol. Para nós, brasileiros, é também sobre memória.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E isso ressoou muito comigo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa época de Copa do Mundo traz muitas lembranças legais da minha infância. Principalmente das Copas de 94 e 98.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma memória forte que eu tenho da Copa de 98 é do meu pai instalando um telão para exibir os jogos ao vivo para os clientes do bar que ele tinha naquela época. Era muito legal ver a alegria das pessoas, a interação, todo mundo segurando a respiração junto naquele momento decisivo do pênalti.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As ruas enfeitadas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os brindes que a Coca-Cola fazia, como os Mini Craques.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;São pequenas coisas, mas que ficaram guardadas em algum cantinho da memória e voltam à tona sempre que a Copa começa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Este ano estou com muita esperança. Na verdade, uma "quase certeza" de que finalmente o Hexa vem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vamos Brasil!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Hoje vou assistir ao jogo com a Bianca e os pais dela. Acho que vai ser nossa última Copa sem ter criança em casa. Na próxima, quem sabe, teremos um mini Thiago ou uma mini Bianca correndo pela casa e torcendo pelo Brasil sem nem entender direito o que está acontecendo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E eu espero estar ali.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Continuando a não gostar de futebol.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas amando tudo o que vem junto com ele.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Este blog não tem comentários, se quiser conversar comigo sobre este post ou apenas dar um oi &lt;a href="mailto:87thiagoandrade@gmail.com?subject=Re:%20Hoje tem Brasil!"&gt;me envie um e-mail.&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
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    <published>2026-06-13T19:08:00+00:00</published>
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    <id>https://blogdoth.bearblog.dev/ninguem-ta-te-vendo/</id>
    <title>Ninguém tá te vendo</title>
    <updated>2026-06-16T09:05:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>blogdoth</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;Você já parou para pensar que daqui a 100 anos praticamente todas as pessoas que você conhece estarão mortas?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O mundo vai ser um lugar completamente diferente. A empresa onde você trabalha talvez nem exista mais e a casa onde você mora terá novos moradores. As ruas podem mudar de nome, os prédios podem ser demolidos e até as fotos que você guarda no celular talvez desapareçam em algum canto esquecido da internet.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pouquíssimas pessoas vão realmente lembrar que você existiu. A não ser, claro, que você se torne uma personalidade muito conhecida ou produza algo tão relevante que atravesse gerações. Mas sejamos sinceros: para a maioria de nós isso não vai acontecer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por que estou dizendo isso?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em 2025 eu publiquei aqui no blog um texto chamado &lt;a href='https://blogdoth.bearblog.dev/manual-pratico-da-desimportancia/'&gt;Pequeno Manual da Desimportância&lt;/a&gt; onde eu falo sobre o fato de ninguém estar te olhando tanto assim como voce imagina.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ninguém passa o dia te invejando, te odiando ou esperando você cometer um erro. Na verdade, a chance maior é que tenha muita gente torcendo por você e querendo seu bem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No teatro da vida do outro somos apenas o elenco de apoio. Então faça as suas coisas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entre naquele curso. Comece aquele projeto que você vive adiando. Mude de ideia se precisar. Falhe, tente de novo, desista e recomece quantas vezes achar necessário. Ninguém liga.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Daqui a 100 anos quase todo mundo terá ido embora mesmo. Então faça a sua vida valer a pena. Vai lá e faça o que você quiser, desde que não seja nada fora da lei ou que machuque outras pessoas.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Este blog não tem comentários, se quiser conversar comigo sobre este post ou apenas dar um oi &lt;a href="mailto:87thiagoandrade@gmail.com?subject=Re:%20Ninguém tá te vendo"&gt;me envie um e-mail.&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
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    <id>https://semdominio.bearblog.dev/ressaca-de-brasil/</id>
    <title>Ressaca de Brasil</title>
    <updated>2026-06-14T20:42:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>semdominio</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;O futebol altera meu humor mais do que eu gostaria. De acordo com a sabedoria dos astros, todos nós devemos ficar de olho nos movimentos da lua, que fazem oscilar as nossas emoções. Eu, no entanto, consulto também o oráculo da bola: quem vai jogar contra quem? Qual é o estádio que receberá a partida? Qual é a escalação, o resultado, o esquema tático? Quem são os craques? Um olho no horóscopo e outro na página de esportes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Hoje acordei sem rumo, com aquele torpor da ressaca. Mas não bebi! É o amargor futebolístico que costuma vir depois daquelas derrotas colossais, que nos deixam meio prostrados e meio perdidos na vida. O problema é que não perdemos, e isso torna as coisas ainda mais estranhas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sensação de derrota, mesmo sem ter perdido. Por quê?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No futebol, como na vida, gosto de levar tudo até às últimas. E faço uma coisa que considero extremamente contrária à boa saúde e ao bom senso: acompanho as coletivas dos técnicos, assisto às entrevistas protocolares dos jogadores e me informo das últimas percepções dos comentaristas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Depois do empate de 1x1 contra a seleção de Marrocos, graças ao golaço de Vinícius Júnior, Bruno Guimarães foi questionado pelo repórter ao final do jogo: e aí? Agora é fazer saldo de gols em cima do Haiti no próximo jogo? A pergunta faz sentido, afinal, para o Brasil se classificar como primeiro do grupo vamos depender do saldo de gols&lt;sup class="footnote-ref" id="fnref-1"&gt;&lt;a href="#fn-1"&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;. O meio-campista responde: não podemos prometer golear o Haiti, primeiro temos que ganhar. Eu interrompo mentalmente a entrevista. Pô! Se não vai ganhar do Haiti, vai ganhar de quem?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;À primeira vista pode parecer arrogância falar assim da seleção haitiana, que retorna para a Copa do Mundo depois de 52 anos, com certeza, com muita garra. Acontece que no universo do esporte (que emula em tantos sentidos as batalhas) o respeito de verdade vem da vontade de ganhar. Dois times dando o &lt;em&gt;seu melhor&lt;/em&gt;: esse é o verdadeiro respeito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nesse sentido, podemos imaginar que menosprezamos o Marrocos? Talvez. Alguns comentários antes da estreia ressaltavam a seleção brasileira como se ela fosse a única vencedora possível. Outros diziam que o Brasil não poderia “ter medo” do Marrocos. Acontece que o Marrocos é sim uma grande seleção, que com toda certeza tem seus craques, sua torcida e, acima de tudo, sua qualidade própria. Jogam com inteligência, velocidade e personalidade. Faltou muito arroz com feijão para que o Brasil encarasse o Marrocos de igual para igual. Surpresa? Talvez para quem menospreza o Marrocos ao imaginar que o Brasil não tinha que suar a camisa pra vencer a partida. Marrocos é muito grande? Ou fomos nós que jogamos de forma pequena, fazendo com que essa distância parecesse ainda maior?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Contra o Haiti e a Escócia será preciso jogar pra cima, sem medo, de peito aberto! Bora, Brasil! Cura essa ressaca com um café forte ou com outro porre logo no café da manhã – ainda dá tempo de evitar um banho de água fria, que pode vir mais cedo do que desejávamos. Como nós vamos “bailar” sem altivez?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Quer comentar esse texto?&lt;/strong&gt; Dê um alô no &lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/guestbook/'&gt;Guestbook&lt;/a&gt; do blog.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;&lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/caderno1/'&gt;Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/re-thblog-e-mikahgosto-de-onde-vem-o-meu-amor-pelos-livros/'&gt;Próximo&lt;/a&gt;&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Para escrever para mim, clique &lt;a href='https://letterbird.co/garota-30anos' target='_blank'&gt;aqui&lt;/a&gt;. Caso aguarde uma resposta, verifique também a sua caixa de spam.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;section class="footnotes"&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li id="fn-1"&gt;&lt;p&gt;A classificação em primeiro lugar é preferível, porque aí evitamos o possível enfrentamento contra seleções fortes como França, Espanha e Alemanha, que ironicamente (e para nos enterrar de vez), emplacou um cabalístico 7x1 contra Curaçao em uma tarde de domingo. Mas Copa é isso. Em algum momento o bicho vai pegar, não adianta calcular muito. No entanto, é preferível o atraso desse tipo de confronto, uma vez que o Brasil parece precisar de &lt;em&gt;mais tempo&lt;/em&gt;.&lt;a href="#fnref-1" class="footnote"&gt;&amp;#8617;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/section&gt;
</content>
    <link href="https://semdominio.bearblog.dev/ressaca-de-brasil/" rel="alternate"/>
    <published>2026-06-14T20:42:00+00:00</published>
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    <title>Deixa acontecer naturalmente</title>
    <updated>2026-06-10T13:38:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>semdominio</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;Mais uma manhã na minha vida em que acordo, tomo meu café da manhã e a minha cabeça, sozinha mesmo e sem muito esforço, escreve um texto inteirinho aqui para o blog. Uau! Me pergunto se algum dia eu vou acordar e simplesmente isso não vai mais acontecer. Certamente eu me sentiria um pouco triste, e, a essa altura do campeonato, estranhamente &lt;em&gt;desesperada&lt;/em&gt; (?) Eu sempre achei meio absurdo imaginar como alguém mantinha uma coluna em um jornal: como ter tanto para falar? E, mais, como essa pessoa conseguia organizar diariamente todos aqueles pensamentos a ponto de deixar que eles fossem publicados? Será que ela  sonhava todos aqueles textos, acordava, escrevia rapidamente e mandava publicar logo cedinho?&lt;sup class="footnote-ref" id="fnref-1"&gt;&lt;a href="#fn-1"&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Agora eu entendo. Se você deixar, a coisa simplesmente acontece. Não tem muito mistério.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Hoje o pensamento que brotou enquanto comia pão com queijo branco (pois é, meu fígado ainda não suporta muita variedade) foi: &lt;strong&gt;aquarela&lt;/strong&gt;. Essa técnica de pintura parece muito simples à primeira vista, mas logo te consome em raiva e frustração quando você tenta replicar aquelas coisinhas tão simples, tão suaves, tão delicadas com seus parcos conhecimentos e ferramentas. Infelizmente, é preciso dizer que a aquarela requer algumas ferramentas especiais sem as quais ela simplesmente não funciona: o papel de gramatura alta, os pincéis com cerdas delicadas e as tintas minimamente adequadas, linha estudante. É claro que você pode ser um autodidata esplendoroso e conseguir resultados magníficos com aquarela escolar, pincéis rudes e papel um pouquinho mais grosso. Na arte, tudo é possível! Mas esse não é o meu caso. Nesse campo, &lt;em&gt;toda&lt;/em&gt; a minha “facilidade” veio da rotina que envolve preencher incontáveis sketchbooks, me perder em inúmeros erros, não suportar olhar para várias “obras” que foram feitas por mim. Depois de um tempo, você aprende a amar até essas rejeitadas. Mas o começo é duro... você quer ser um pintor, e quer estar em contato com coisas belas. Mas suas mãos e seu grandioso cérebro não conseguem entender como produzir aquilo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Minha caminhada com a aquarela vem de anos. Desde a pandemia, quando comprei meu primeiro sketchbook e pensei “vou começar a desenhar” (sem saber absolutamente nada sobre isso do ponto de vista prático), eu namorava as pinturas de aquarela que via em perfis de artistas que encontrava na internet. Comecei a me admirar com o sumi-ê e louvava William Turner como se louva um deus. Mas eu estava, evidentemente, longe demais daquilo tudo. Tinha acabado de comprar meu primeiro kit de aquarela, aquele da Pentel em tubo, bem baratinho, porque queria experimentar. Encontrava meus primeiros pincéis de pelo sintético e redondos e o primeiro bloco para aquarela, da Canson, quase escolar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E, diante de tamanha simplicidade do desejo, eu ouvia de todo os cantos as pessoas dizerem que a aquarela é a mais difícil das técnicas molhadas. Essa frase já se tornou um clichê, mas temos que admitir que talvez ela fale &lt;em&gt;a verdade&lt;/em&gt;. As manchas soltas que formam uma figura são um problema de complicação tamanha. Então, no caminhar desses muitos anos, adotei uma solução prática: passei a utilizar a aquarela junto com um meio seco, como o lápis, para que eu pudesse desenhar tudo aquilo que eu não conseguia fazer propriamente com a aquarela. No começo desse ano, atingi resultados que me satisfizeram, como esse sketchbook que montei para captar cenas e personagens de um dos meus filmes preferidos de todos os tempos, &lt;em&gt;Meu amigo Totoro&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/semdominio/dsc_6759.webp" alt="DSC_6759" /&gt;
&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/semdominio/dsc_6760.webp" alt="DSC_6760" /&gt;
&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/semdominio/dsc_6761.webp" alt="DSC_6761" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não estou aqui para diminuir esse tipo de mistura entre técnica molhada e seca. Inclusive o próprio Studio Ghibli a utiliza em quase todas as suas obras – e isso é absolutamente fantástico. A arte é livre para tudo!! Mas vejam que eu apenas contornei o meu problema inicial, buscando não me frustrar mais com o descontrole proporcionado pela técnica da aquarela pura. Depois de reler a minha &lt;a href='link'&gt;listinha de coisas que ando fazendo&lt;/a&gt; e perceber que estou afastada das minhas práticas artísticas, resolvi voltar para aquarela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E por que especificamente a aquarela? Porque a minha cabeça já está muito cheia de pensamentos, escritas e leituras (para o blog, para o projeto de pesquisa, para manter a minha compulsão literária). Tenho relativamente mais sucesso com o grafite, os marcadores, os pastéis e até mesmo com a tinta a óleo (apesar de pouquíssima prática, porque não suporto seu cheiro. Quase sonho acordada, com desejos febris, com o dia que conseguirei superar essa barreira). No entanto, esse relativo sucesso vem também de muito pensamento; o pintor carrega, ao lado do seu aspecto “descontrolado”, toda uma mania, uma obsessão pelos detalhes, um &lt;em&gt;esforço mental de concepção&lt;/em&gt;. O sonho é também a ambição, e no final das contas, a quimera precisa se apoiar em cima de alguma coisa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A aquarela &lt;em&gt;bagunça&lt;/em&gt; o pensamento do pintor. Inocente, eu acreditava que o pintor &lt;em&gt;dominava&lt;/em&gt; essa mancha. Pensava que ele era tão genial que conseguia prever o movimento da aquarela. Imaginava que ele a dobrava a seu gosto meio que na marra, meio que naquele tipo de experiência que constrói um vencedor. Imaginava que o pintor era como Cristiano Ronaldo e Lionel Messi: garantia a excelência em cima de uma consciência sobre o corpo que &lt;em&gt;parece&lt;/em&gt;, para nós, meros mortais, inconsciência.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
E lá fui eu, na noite do dia 08, tentar dominar as minhas manchas. Vejam o resultado.&lt;/p&gt;
&lt;div style="text-align:center;"&gt;
    &lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/semdominio/dsc_6755.webp" style="width:100%;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Observem também que quando as coisas querem, elas se voltam contra nós!!! Fui tirar a fita crepe que protegia as margens e ela arrancou algumas partes da superfície do papel. Depois de pensar um pouco, acredito que isso tenha ocorrido por conta do excesso de água, que comentarei mais abaixo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Larguei tudo! Meio frustrada, meio caindo de sono. A aquarela tinha me vencido mais uma vez.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na mesma noite, me rendi a um péssimo hábito: assistir a vídeos no YouTube na cama antes de dormir. Sim, eu sei... não me orgulho. No entanto, fui presenteada pelo algoritmo que tudo lê (até os nossos pensamentos e desejos profundos) com um vídeo apelativo: O MAIOR ERRO DOS INICIANTES EM AQUARELA.&lt;/p&gt;
&lt;div style="display:flex; justify-content:center;"&gt;
&lt;iframe
src="https://www.youtube.com/embed/hp8r-VszEEw?si=YCwg64pL1ITo1FpH"
style="width:100%; max-width:560px; aspect-ratio:16/9;"
allowfullscreen&gt;
&lt;/iframe&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Pensei: vou assistir esse aqui e depois durmo mesmo. Acontece que esse vídeo foi tipo “cavalo de Tróia do bem”: parecia furada, mas me salvou!! Fui dormir empolgada, pensando que amanhã daria mais uma chance para a aquarela com base nas dicas obtidas em rápidos 10 minutos. Esse Liron Yanconsky (autor do vídeo) fez tudo parecer tão fácil, tão simples, tão singelo... não falou nenhuma novidade extraordinária, mas falou de um jeito que eu &lt;em&gt;entendi&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Resumindo à minha maneira, as dicas são essas:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Aplicar a aquarela em blocos, deixá-la interagir e, depois, agir em cima daquilo que acontecer. O pensamento vem por cima daquilo que foi colocado quase que “por acaso”. Messi e Ronaldo são competência, maestria, suprassumo do primor técnico, tático, físico, espiritual etc. etc. Mas, vê-los jogar também parece &lt;em&gt;um sonho&lt;/em&gt;.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Usar mais pigmento, sem dó!! Os iniciantes molham demais a aquarela, o que deixa as cores muito suaves e impede que os contrastes, parte essencial para gerar &lt;em&gt;interessância&lt;/em&gt; em toda obra visual, ocorram na pintura.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Escolher o tamanho de pincel de acordo com a área que você deseja cobrir. Não seja econômico, ou seja, não utilize um pincel pequeno para uma área maior, pois isso vai deixar manchas indesejáveis. Seja generoso.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Aquarela é amor, é liberdade, não é domínio!!!&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
Motivada pelo vídeo da noite anterior, no dia 09 me aventurei mais uma vez nas batalhas com a aquarela. Dessa vez, munida dos conhecimentos de meu amigo Yanconsky. E qual foi a minha surpresa quando notei uma melhora, ainda que o resultado tenha ficado estranho.&lt;/p&gt;
&lt;div style="text-align:center;"&gt;
    &lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/semdominio/dsc_6757.webp" style="width:80%;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Na realidade, dessa primeira tentativa apreendi mais uma dica que guardo para o meu eu-futuro:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Saber quando parar. A pera do lado esquerdo tinha ficado legal, mas aí eu fui lá e preenchi tudo com essa mancha esverdeada por cima e todas as camadas de baixo se perderam.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;Não desisti&lt;sup class="footnote-ref" id="fnref-2"&gt;&lt;a href="#fn-2"&gt;2&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;. A primeira pintura é como a primeira panqueca: nunca fica boa, absorve demais o óleo da panela ou gruda no fundo quando não tem gordura suficiente. A segunda panqueca, no entanto, é sempre deliciosa! Quando percebi que a coisa ia dar certo, já na primeira camada, fiz alguns registros com a câmera do celular. Vejam o processo quase todinho da segunda panqueca.&lt;/p&gt;
&lt;div style="display:flex; gap:10px; justify-content:center;"&gt;
    &lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/semdominio/p0.webp" style="width:33%; aspect-ratio:1/1; object-fit:cover;"&gt;
    &lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/semdominio/p1.webp" style="width:33%; aspect-ratio:1/1; object-fit:cover;"&gt;
    &lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/semdominio/p3.webp" style="width:33%; aspect-ratio:1/1; object-fit:cover;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
Eu amei essa pintura de verdade. Do ponto de vista técnico, sei que ela precisa de ajustes em muuuitos aspectos. Mas ela também tem suas qualidades: variações de tipos de mancha, uso de cores pigmentadas, observação de várias camadas, sombras que oferecem contraste. E, de uma perspectiva íntima, ela é um marco do dia em que eu amei a aquarela e não a dominei, como achei por tantos anos que deveria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/semdominio/dsc_6758.webp" alt="DSC_6758" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com os colunistas, com Lionel e Cristiano, com os pintores, estou aprendendo a deixar acontecer. Naturalmente. Com a aquarela, deixando “que o amor encontre a gente”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align:center;"&gt;
&lt;em&gt;Caminhei bravamente na direção da batalha, e me deparei com o sonho.&lt;/em&gt;
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E para quem ficou curioso com o godê de aquarela do &lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/vai-ter-faxina/'&gt;texto de ontem&lt;/a&gt;: não, eu não limpei as tintas e, ainda assim, as pinturas ficaram incríveis. Talvez os pintores tenham mesmo razão em manter a "sujeira". Mas fiz a faxina de todo o resto! Consegui ajustar a pilha de livros em alguns espaços remanescentes da estante e de outros armários. Troquei lençóis, limpei banheiros etc e tal.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Quer comentar esse texto?&lt;/strong&gt; Dê um alô no &lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/guestbook/'&gt;Guestbook&lt;/a&gt; do blog.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;&lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/vai-ter-faxina/'&gt;Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/beterraba-com-quinones/'&gt;Próximo&lt;/a&gt;&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Para escrever para mim, clique &lt;a href='https://letterbird.co/garota-30anos' target='_blank'&gt;aqui&lt;/a&gt;. Caso aguarde uma resposta, verifique também a sua caixa de spam.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;section class="footnotes"&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li id="fn-1"&gt;&lt;p&gt;Alimentando os nossos dados quantitativos inúteis: você, leitor, que me lê desde o primeiro texto do blog, hoje completa a leitura de 45 páginas de texto editado no Word, com a fonte Calibri, tamanho 12. É, eu falo pra caramba...&lt;a href="#fnref-1" class="footnote"&gt;&amp;#8617;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li id="fn-2"&gt;&lt;p&gt;E procurei uma &lt;a href='https://br.pinterest.com/pin/140806234024886/'&gt;referência&lt;/a&gt;, para não inventar da minha cabeça toda a questão de luz e sombra e contrastes.&lt;a href="#fnref-2" class="footnote"&gt;&amp;#8617;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/section&gt;
</content>
    <link href="https://semdominio.bearblog.dev/deixa-acontecer-naturalmente/" rel="alternate"/>
    <published>2026-06-10T13:38:00+00:00</published>
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    <id>https://mikahgosto.bearblog.dev/o-que-me-mantem-escrevendo/</id>
    <title>O que me mantém escrevendo?</title>
    <updated>2026-06-14T17:00:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>mikahgosto</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/mikahgosto/castelo-ratimbum-90s.gif" alt="castelo-ratimbum-90s" /&gt; Senta que lá vem história e uma ruma de link&lt;/p&gt;
&lt;div style="text-align:justify;"&gt; Recentemente encontrei o blog do &lt;a href=https://www.robertbirming.com/about/&gt; Robert Birminghan&lt;/a&gt;, e resolvi ler todos os posts dele, acabei indo parar num texto dele do começo do blog ainda falando sobre escrita, tema que sempre me chama atenção. 
&lt;p&gt;Já nem lembro mais qual foi o primeiríssimo dele que li, mas estacionei nesse &lt;a href=https://robertbirming.com/why-we-write/&gt;aqui&lt;/a&gt; em que ele compartilha as respostas de várias pessoas a uma pergunta que ele fez nessa postagem &lt;a href=https://robertbirming.com/why-write/&gt;"por que escrevo"&lt;/a&gt; isso lá em 2024 e lembrei que ao longo desse ano essa pergunta já foi e voltou na minha cabeça diversas vezes, já foi tema de muitas das minhas &lt;a href="https://eskayvendo.bearblog.dev/morning-pages-ou-de-qualquer-horario/"&gt;páginas matinais&lt;/a&gt; e eu sempre acabo pensando a mesmíssima coisas:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Escrevo para sobreviver a mim mesma.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Mas como o tema sempre me prende, comecei a ler os textos de todos que apareciam na postagem dele, alguns já estão fora do ar, infelizmente, mas a maioria ainda está lá e isso foi bem gratificante para mim! Tem respostas de gente de vários países então li tudo com a tradução do navegador mesmo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com alguns me identifiquei tanto que parecia que eu mesma tinha escrito o negócio! Mas como sempre, foi um tanto agridoce para mim pensar nisso de novo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não é de agora que eu escrevo, nem é a primeira vez que eu publico coisas na internet, a primeira vez foi lá por 2012 em pleno auge de 50 tons de cinza eu estava na fase de ler livros hot e participava de um grupo no Facebook ainda que compartilhava traduções não oficiais de livros da gringa. Nesse grupo uma pessoa lançou uma postagem incentivando a galera a continuar a história nos comentários, eu respondi e dias depois a pessoa me chamou para participar de um blog com ela e outras 4 garotas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A gente escrevia histórias curtas um capítulo por dia, uma história por semana e essa foi minha primeiríssima experiência compartilhando qualquer coisa minha com outra pessoa. Eu sempre fugia dos capítulos de hot fazia de tudo pra não escrever isso pois achava muito constrangedor e por sorte elas compreendiam bem. Até hoje a pessoa que me convidou escreve e publica livros de forma independente, a Val Totta &lt;a href="https://clubedeautores.com.br/livros/autores/v-totta"&gt;(clique aqui caso queiram curiar os livros dela)&lt;/a&gt;, mas eu tive que sair quando comecei a faculdade de psicologia em 2013, não dava para conciliar as duas coisas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gostei muito desse período, mas é agridoce por pensar que eu poderia ter saído do grupo de uma forma melhorzinha, eu tentei manter as duas coisas e no final deu bem ruim, pois elas ficaram chateadas com meus atrasos (nada mais justo, eu sei) no fim saí e nunca mais nos falamos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Durante a faculdade eu só existi pra faculdade então tudo que lia e escrevia era por e para ela. Até que veio 2016, fui obrigada a trancar o curso por 2 anos para me recuperar de uma cirurgia e voltar a andar. No ano seguinte a essa interrupção, conheci os animes e as fanfics, e vivenciei meu segundo momento compartilhando coisas na internet, tem até hoje mais de 100 histórias publicadas &lt;a href="https://www.spiritfanfiction.com/perfil/yangdoyin/historias"&gt;aqui&lt;/a&gt;, a grande maioria fanfics de Haikyuu, mas eu ainda flertava com as histórias originais nessa época e aqui acolá tem uma dessas também. Hoje em dia eu não indicaria nenhuma, mas vai de cada um.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Voltei pra faculdade em 2018 e pra tentar não ficar com muita coisa fora do FIES e gastar uma fortuna pra finalizar a graduação, suspendi minha vida de novo e vivi para a faculdade cursando em um único semestre 9 disciplinas e 2 estágios, nem sei como sobrevivi, mas estamos aqui né.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na época da pandemia em meus últimos meses de graduação participei de um &lt;a href="https://shiritorii.wordpress.com"&gt;blog&lt;/a&gt; coletivo sobre animes e postei algumas coisas. Não terminamos em bons termos também, infelizmente, mas vi hoje que minhas postagens ainda estão lá e sou muito grata à Sayuri por nunca ter apagado, mesmo que ela deva odiar o fato de meu nome aparecer ali eu acho.&lt;/p&gt;
&lt;h3 style="text-align:center;text-indent:150pt;"&gt;  𖡼.𖤣𖥧𖡼.𖤣𖥧  𖡼.𖤣𖥧𖡼.𖤣𖥧   &lt;/h3&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Indiquei um dos meus animes preferidos &lt;a href="https://shiritorii.wordpress.com/2020/09/20/run-with-the-wind-muito-mais-do-que-um-simples-anime-de-corrida-para-mim/"&gt;nessa postagem&lt;/a&gt;, e essa é minha postagem favorita até hoje! Ela ficou toda colorida e com várias mídias, eu gosto até hoje de escrever dessa forma, mas tenho evitado por aqui pois sei que isso me faria procrastinar.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/mikahgosto/img-20260614-wa0006-1.webp" alt="IMG-20260614-WA0006" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;p&gt;Fiz &lt;a href="https://shiritorii.wordpress.com/2020/09/13/tudo-o-que-voce-pensou-que-sabia-mas-provavelmente-nao-sabia-sobre-osts-um-guia-cheio-de-exemplos/"&gt;este guia&lt;/a&gt; cheião de exemplos de OSTs de animes pois eu estava viciada nisso na época sendo a segunda favorita.
&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/mikahgosto/img-20260614-wa0007-1.webp" alt="IMG-20260614-WA0007" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;p&gt;Entre &lt;a href="https://shiritorii.wordpress.com/author/yangdoyin/"&gt;outras postagens relacionadas a música e animes&lt;/a&gt; que era o tema sobre o qual eu mais gostava de falar por lá. Até hoje acho o Shiritori o blog mais bonito que eu já vi e o pessoal que escreve super dedicado (ou escrevia, não tenho certeza se ainda tá ativo considerando a data da última postagem), esse sim eu super indico tem muita coisa interessante por lá.&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;h3 style="text-align:center;text-indent:150pt;"&gt;  𖡼.𖤣𖥧𖡼.𖤣𖥧  𖡼.𖤣𖥧𖡼.𖤣𖥧   &lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;De 2017 para cá vou e volto na ideia de escrever um livro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Começo, paro, volto, desisto outra vez mas nunca consigo ficar sem escrever nadica de nada e dessa vez parece que entrei na fase dos ensaios, do blog pessoal e das Zines. Recentemente estive na das newsletter e até comecei uma, mas não vingou, acho que caí no que diz &lt;a href="https://www.robertbirming.com/how-kill-blog/"&gt;essa postagem aqui&lt;/a&gt; e acabei matando a pobrezinha muito cedo. Tá nos meus planos trazer os textos de lá para cá pelo menos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isso acontece pois eu costumo me cobrar excessivamente em tudo que faço, mas sinto que aos pouquinhos algo está se ajustando dentro de mim e pelo menos por aqui no Bear blog, essa autocobrança excessiva tem me dado uma trégua, tanto que eu apenas abri o editor e comecei a escrever isso aqui sem pensar demais e decidida de ao final apenas postar, pronto e acabouse.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Eu me sinto feliz quando escrevo, dá aquela sensação de que a vida finalmente faz sentido.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Lembro até hoje de que ali pela época das fanfics eu ter imaginado uma do anime de Fairy Tail que se chamaria Cupidos e cada capitulo seria a história de um casal que eu shipava na época, mas tinha nessa plot uma parte autoral também que eram os próprios cupidos enquanto personagens, eles eram meus narradores e contavam que todo tipo de livro que existe só existe por ser realidade em algum lugar das diversas dimensões que existem e que a tal musa inspiradora de uma pessoa escritora nada mais é do que a visão dessa realidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu sempre amei fantasia e acho até que demorei para descobrir isso, mas isso aí seria outra história. Nunca esqueci essa plot de Cupidos, talvez ela seja sempre só uma ideia e acho que tudo bem também.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tem tanta coisa que eu amaria escrever! Mas o bichinho da comparação sempre me ferroa junto com a autocobrança e acabo deixando a ideia de lado depois de alguns dias de prática.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu mesma preciso botar pra dentro o que digo a algumas das pessoas que atendo de que &lt;strong&gt;um livro&lt;/strong&gt; (ou o que quer que vocÊ escreva) &lt;strong&gt;não vai nascer pronto e que a primeira versão é o seu material bruto para moldar até chegar no ponto certo de publicar.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Escrever aqui no Bear blog tem sido minha busca pelo antídoto a esse veneno e por enquanto parece que tá dando certo. Escrever esse post fez meu dia, eu sempre sinto isso quando consigo deixar tudo de lado e apenas escrever. Saudades das vezes que virei a noite escrevendo pois a tal da musa inspiradora se apossou de mim me fazendo ver algumas realidade aleatória existente por aí.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Enquanto lia as postagens do pessoal que respondeu ao Robert, cheguei à seguinte conclusão e com ela encerro o texto de hoje:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Se leio para fugir do presente, escrevo para sobreviver a ele enquanto preciso permanecer por aqui e para que no futuro eu perceba como eu sobrevivi ao agora. Escrevo para não me perder de mim mesma enquanto vivo.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/br&gt;
&lt;/br&gt;
&lt;div style="text-align:center;line-height:40%;margin-bottom:50pt;margin-top:20pt;"&gt; 
&lt;p&gt; Tocando aqui 🧠:&lt;/p&gt;
&lt;p style="font-style:italic;"&gt;&lt;a href="https://music.youtube.com/watch?v=SJdr0kCWqdo&amp;si=sc6pdAGTr4i_ydhk"&gt; Taichi Mukai - Michi &lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;01:45 ━━━━●───── 03:52&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   ㅤ ㅤ◁ㅤ ❚❚ ㅤ▷ ㅤㅤ&lt;/p&gt;
&lt;/br&gt;
&lt;/div&gt;
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&lt;p&gt;𔓘 &lt;a href="mailto:micarlajcandido@gmail.com?subject=Re: O que me mantém escrevendo?"&gt;E se quiser trocar uma ideia sobre isso, é só clicar aqui :)&lt;/a&gt;
&lt;/br&gt;
&lt;/br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align:center;"&gt;「 Ｂｅｂａ áｇｕａ 」 &lt;/p&gt;
</content>
    <link href="https://mikahgosto.bearblog.dev/o-que-me-mantem-escrevendo/" rel="alternate"/>
    <published>2026-06-14T17:00:00+00:00</published>
  </entry>
  <entry>
    <id>https://blogdoth.bearblog.dev/copa-nunca-foi-apenas-sobre-futebol/</id>
    <title>Copa nunca foi apenas sobre futebol</title>
    <updated>2026-06-14T13:45:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>blogdoth</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo não foi lá o que a gente esperava, mas pelo menos não perdemos, né? Espero que os próximos jogos sejam vitoriosos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu não entendo patavinas de futebol, mas em certos momentos da partida tive a impressão de que o Vini Jr. estava se esforçando mais do que os outros para mudar o resultado do jogo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Talvez eu esteja viajando. Talvez quem entende de futebol esteja lendo isso e pensando: "Meu Deus, esse cara não faz ideia do que está falando". E é verdade. Não faço mesmo. Minha análise tática se resume a identificar quem parece estar correndo mais e quem faz cara de quem está preocupado com o resultado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas acho que é justamente isso que gosto na Copa do Mundo. Durante um mês inteiro, todo mundo é técnico de futebol, tem repertório tático e faz comentários "inteligentes", como um comentarista com anos de carreira.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Definitivamente, Copa nunca foi apenas sobre futebol. É sobre juntar gente na sala, vestir a camisa amarela esquecida no armário e compartilhar aquela esperança de que, dessa vez, vai dar certo. E se não der, daqui a quatro anos a gente sofre tudo de novo, como manda a tradição.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas eu quero muito que dê certo! Bora, Seleção! Vamos trazer essa taça pra casa.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Este blog não tem comentários, se quiser conversar comigo sobre este post ou apenas dar um oi &lt;a href="mailto:87thiagoandrade@gmail.com?subject=Re:%20Copa nunca foi apenas sobre futebol"&gt;me envie um e-mail.&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;hr /&gt;
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</content>
    <link href="https://blogdoth.bearblog.dev/copa-nunca-foi-apenas-sobre-futebol/" rel="alternate"/>
    <published>2026-06-14T13:45:00+00:00</published>
  </entry>
  <entry>
    <id>https://ruadafeira.varzea.recife.br/pudim/</id>
    <title>Pudim</title>
    <updated>2026-06-17T13:55:33.878660+00:00</updated>
    <author>
      <name>ruadafeira</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;Eu tenho um problema que estou ganhando muito peso, desde que comecei o trabalho presencial, não tenho conseguido ir pra academia com regularidade. Tenho almoçado fora, geralmente no mesmo lugar, e nesse lugar tem um pudim muito gostoso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu tava comendo esse pudim praticamente todo dia, o que começou a me preocupar depois que as pessoas começaram a comentar "tu não ta muito gordo pra ta comendo pudim todo dia não" e a chamarem minha atenção.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Reduzi o consumo de pudim pra 1x na semana, mas o que tá me incomodando é a dona do restaurante que fica querendo me empurrar pudim, antes de eu começar a dizer que eu não quero mais, ela já servia o pudim na mesa antes mesmo de eu pedir. Agora na hora que vou pagar ela deixa o pudim no balcão e pergunta se eu quero.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu acho isso uma sacanagem, me sinto um pouco constrangido de negar, mas eu tenho negado. De certa forma, isso é um bom exercício pra dizer não, coisa que eu tenho dificuldade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu não adiciono açúcar nas comidas, tomo café sem açúcar, suco sem açúcar etc. Mas comer pudim todo dia acho que deve ser péssimo ainda mais com histórico de diabetes na família.&lt;/p&gt;
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</content>
    <link href="https://ruadafeira.varzea.recife.br/pudim/" rel="alternate"/>
    <published>2026-06-17T13:55:33.878660+00:00</published>
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    <id>https://techdemo.com.br/dilema/</id>
    <title>Dilema</title>
    <updated>2026-06-10T17:59:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>techdemo</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;p&gt;Não lembro há quanto tempo comecei a me interessar pelos ensinamentos budistas e também hindus, mas desde o começo tento incorporar na minha vida os preceitos de cada filosofia que fazem sentido pra mim.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com isso, esse texto fala de um dilema que tive hoje, relacionado ao princípio da não-violência física contra qualquer organismo vivo, algo que sigo rigorosamente. Desde que abracei esse princípio, não matei mais nenhum inseto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas hoje me deparei com uma situação que nunca tinha considerado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Encontrei um inseto quase morto. Pode não corresponder à realidade, mas na minha cabeça ele parecia estar sofrendo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Foi então que surgiu a dúvida:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu deveria acabar com aquele sofrimento?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ou deveria simplesmente deixar a ordem natural das coisas seguir seu curso?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Obviamente, como sempre, fui pesquisar tanto a visão filosófica quanto a biológica da situação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No lado biológico, descobri que a questão é muito menos resolvida do que eu imaginava. Os insetos têm um sistema nervoso bastante diferente do nosso, mas ainda existe muito debate sobre se eles sentem dor da forma como entendemos esse conceito. &lt;del&gt;provavelmente devo ter perdido essa aula no ensino fundamental pq estava jogando Nintendo DS.&lt;/del&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pra minha infelicidade, como alguém que gosta de respostas exatas, dessa vez não tem nada concreto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No lado filosófico, a situação não foi muito diferente, mas acabou sendo mais próxima do que eu esperava: mais nuances do que certezas. A ideia da não-violência continua sendo central, mas questões como intenção, compaixão e interferência no sofrimento tornam a discussão muito maior.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No final, percebi que fui pesquisar esperando uma resposta definitiva pro dilema, mas acabei encontrando duas áreas completamente diferentes me dizendo, cada uma à sua maneira:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;"Sei não, complicado, hein kkkk."&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Sou uma pessoa empática até demais, isso me deixou mais reflexivo do que deveria e gastei uns 20min fácil nessa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Bom, no final, achei melhor não interferir no processo natural.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Até a próxima （￣︶￣)↗&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;center&gt;
&lt;a href="#"
   onclick="copyEmail(event)"
   title="Copiar e-mail"&gt;
  &lt;i class="fa-solid fa-envelope"&gt;&lt;/i&gt; Comente via E-mail!
&lt;/a&gt;
&lt;script&gt;&#13;
  function copyEmail(event) {&#13;
    event.preventDefault();&#13;
    const email = "contato@techdemo.com.br";&#13;
&#13;
    navigator.clipboard.writeText(email).then(() =&gt; {&#13;
      alert("E-mail copiado para a área de transferência.");&#13;
    });&#13;
  }&#13;
&lt;/script&gt;
&lt;/center&gt;
&lt;/div&gt;
</content>
    <link href="https://techdemo.com.br/dilema/" rel="alternate"/>
    <published>2026-06-10T17:59:00+00:00</published>
  </entry>
  <entry>
    <id>https://blogdoth.bearblog.dev/cansaco/</id>
    <title>Cansaço</title>
    <updated>2026-06-17T09:05:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>blogdoth</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;Agora eu estou numa de assistir filmes dos anos 2000. Acho que é porque hoje em dia não tem saído tanto filme com roteiros bons no mainstream.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tem dias que a gente chega do trabalho e só quer assistir um filme fácil na TV. Aquele filme que tem início, meio e fim e que não exige muita força cognitiva para entender a história. Um filme que não tenta ser genial a cada cena e nem te deixa procurando vídeos no YouTube para entender o final.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Alguns exemplos são O Homem Sem Sombra, A.I., O Homem que Copiava e 60 Segundos. Filmes que prendem a sua atenção e cumprem sua função de garantir o simples e puro entretenimento após um longo dia de trabalho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tenho pegado cada vez mais ranço de filmes com finais abertos à interpretação ou simplesmente que não têm um final. Eles apenas acabam.
Talvez eu esteja ficando velho. Ou talvez eu só esteja cansado mesmo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nossa vida cotidiana  já tem um monte de pontas soltas. É problema sem solução, conversa interrompida, projeto adiado, boleto chegando...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Então, quando eu sento no sofá, tudo o que eu quero é uma história que saiba para onde está indo. Quero ver o mocinho vencer ou perder, o bandido se dar mal e os créditos subirem com aquela sensação de que a história realmente acabou.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tem se falado muito sobre a nostalgia dos anos 2000, os jovens buscando a estética Y2K, mas na minha opinião não é como se estivéssemos nostálgicos, acho que é cansaço mesmo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No livro A Sociedade do Cansaço (que eu ainda não li, mas vi uma referência num vídeo do YouTube e depois dei um Google)  o autor  Byung-Chul Han diz que a gente vive numa época em que precisa produzir, aprender, opinar e se reinventar o tempo todo. Até o descanso parece ter virado uma tarefa que precisa ser otimizada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Talvez esteja aí a raíz desse nosso desejo por histórias mais simples e bem amarradas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estamos todos exaustos.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Este blog não tem comentários, se quiser conversar comigo sobre este post ou apenas dar um oi &lt;a href="mailto:87thiagoandrade@gmail.com?subject=Re:%20Cansaço"&gt;me envie um e-mail.&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
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    <link href="https://blogdoth.bearblog.dev/cansaco/" rel="alternate"/>
    <published>2026-06-17T09:05:00+00:00</published>
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  <entry>
    <id>https://blogdoth.bearblog.dev/brasil-70-a-saga-do-tri/</id>
    <title>Brasil 70 - A Saga do Tri</title>
    <updated>2026-06-15T11:14:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>blogdoth</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;Ontem eu assisti de uma vez só todos os episódios da série Brasil 70 - A Saga do Tri, que mostra como foi a participacao do Brasil na Copa de 1970 no México. Como eu não entendo nada de futebol achei a série espetacular.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gostei principalmente do jeito que eles representaram a importância da torcida para os jogadores, por meio de um casal que viaja até o México para assistir os jogos e apoiar a Seleção Brasileira.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os "especialistas" em futebol disseram que a série transformou o Pelé num tapado e cometeu um monte de erros históricos, bom, como disse a Glória Pires na cobertura do Oscar de 2016: "não sou capaz de opinar."&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Rodrigo Santoro e Marcelo Adnet estavam ótimos como os comentaristas dos jogos, e o ator que faz o Pelé (Lucas Agrícola) é bem parecido com ele.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu terminei a série com lágrimas nos olhos, achei emocionante todos os desafios que a Seleção Brasileira teve que enfrentar para realmente jogar como um time unido e ganhar a copa de 1970.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Que essa história de superação e vitória se repita agora em 2026 com os jogadores escalados pelo técnico Carlo Ancelotti.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Este blog não tem comentários, se quiser conversar comigo sobre este post ou apenas dar um oi &lt;a href="mailto:87thiagoandrade@gmail.com?subject=Re:%20Brasil 70 - A Saga do Tri"&gt;me envie um e-mail.&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;h3 id=posts-populares&gt;POSTS POPULARES&lt;/h3&gt;&lt;p&gt;

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    <published>2026-06-15T11:14:00+00:00</published>
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    <id>https://mikahgosto.bearblog.dev/infinitos-rascunhos/</id>
    <title>Infinitos Rascunhos</title>
    <updated>2026-06-16T18:45:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>mikahgosto</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;div style="text-align:justify;"&gt; Esse texto é em resposta à seguinte postagem feita por Felipe no blog dele, o tecdemo: &lt;a href=https://techdemo.com.br/32-rascunhos-e-nenhuma-publicacao/&gt;32 rascunhos e nenhuma publicação&lt;/a&gt;. 
&lt;p&gt;Eu lembro do meu marido comentar esse texto no início de Maio e de a gente conversar um pouco a respeito do que normalmente nos impede de compartilhar o que escrevemos de fato com o mundo. Só mais de um mês depois eu parei pra ver o texto do Felipe ao dar uma lida no que tinha lá pelo Discovery aqui do Bear Blog e voltei a lembrar daquela conversa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como alguém que já passou anos sem compartilhar nadica de nada que se passava na minha cabeça, senti uma imensa vontade de responder e cá estamos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vou pegar como exemplo essa postagem mesmo, eu sequer conheço o cara, foi literalmente o primeiro texto dele que eu li, embora meu marido leia bastante os textos dele e comente uma coisa ou outra comigo, que motivo exatamente eu teria para responder o cara assim do nada?&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Será que ele vai me achar metida a besta? Será que vou soar pedante ao me intrometer onde não fui chamada? O cara já está em terapia, será que ao ver que eu sou psi também ele vai achar ruim ou a psicóloga dele vai achar ruim outra psicóloga aleatória respondendo o Felipe e ai ela poderia pensar "qual é vadia, ta querendo roubar meu paciente!?". Isso se ele considerar minha resposta relevante o suficiente para comentar com ela, pff até parece, ok vou desistir de responder o Felipe e torcer para a tal serendipidade acontecer com ele e ele topar com &lt;a href=https://www.robertbirming.com/bad-blog-posts/&gt; aquele post dahora que eu achei &lt;/a&gt;sobre isso um dia desses, se bem que o Robert que escreveu e o blog dele é famosinho, é capaz de ele já conhecer ele e já ter lido justamente aquele texto né? Capaz até que ele fez essa postagem meio que comentando como ele mesmo se sente sobre isso depois de ler o texto do Robert...&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Agora vamos analisar friamente os pensamentos acima pois, admito, eu realmente pensei todas essas coisas quando comecei a digitar essa postagem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas será que isso importa? Importa tanto assim pra mim o que ele ou a psicóloga dele pensariam de mim respondendo seu texto? Por que motivo eu estou assumindo que eles achariam essas coisas e não exatamente ao contrário, já que ok, existe 50% de chance de eles não gostarem, mas também existe 50% de chance de gostarem!?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Será que isso no fundo é o que meu lado mais critico e ranzinza pensa de mim? (Spoiler: sim).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu sempre comento que para esse tipo de pergunta existem duas respostas:&lt;/p&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;A resposta geral com base em estudos cientificos reais que analisa uma amostragem específica de uma população específica e conclui o que normalmente leva a tal situação&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;A resposta que só eu posso dar pois parte da minha vida e da minha história.&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;p&gt;Por isso a gente pode estudar mundos e fundos, a gente ainda vai viver e sentir como qualquer pessoa que não estudou a respeito daquilo. Qual é a resposta que só você pode dar a esta questão? O que quer que você responda, podemos levar em consideração a resposta geral alcançada após estudos e pesquisas, mas a peça que falta vai estar dentro do que você viveu.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em resumo, a resposta que só eu posso dar à mesma questão que aflige o Felipe é que:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cresci sob altas expectativas dos meus pais e aprendi por isso a eu mesma ter altíssimas expectativas sobre meu próprio desempenho. Fui a filha que não deu trabalho, a aluna que tirava notas boas e que todo mundo achava que eu "seria alguém na vida" nos moldes do capitalismo, concursada ganhando bastante dinheiro com uma vida de conforto e coisas que só uma realidade assim pode comprar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa não é a minha vida, eu não sou uma gênia, não suporto estudar pra concurso embora quisesse, trabalho em dois empregos para sustentar a vida que tenho com minha família pois a clínica ainda não se sustenta sozinha e obviamente, não estou nem perto de ser rica, no máximo, no maáááximo chego perto do que tem sido chamado pobre Premium.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Percebe que nada disso tem uma relação obviamente direta que diz respeito a compartilhar meus próprios pensamentos? Depois de muito tempo em terapia foi que eu cheguei à essa conclusão aí, quando a gente procrastina ou apenas deixa de fazer algo, por trás sempre tem muitos sentimentos e pensamentos emaranhados, no meu caso a base da minha procrastinação e dificuldades de compartilhar com o mundo meu pensamento era o fato de que eu estava longe demais das expectativas que criaram e eu criei para mim e se eu mostrasse meus pensamentos logo saberiam que eu não "sou tão inteligente assim", nessa lógica eu poderia dizer que sou uma fraude (a isso também chamam de síndrome do impostor), que eu não tive capacidade de alcançar o que se esperava de mim, logo era melhor eu não ser vista pois quem não é visto, não é lembrado, certo?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Agora é a parte que entra a realidade. Acompanha comigo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Eu estudei sobre isso&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Eu vivenciei isso&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Eu sei e gosto de escrever sobre as minhas experiências pessoais e compartilhar com as pessoas.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;Logo:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Eu tenho base para responder o Felipe&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Isso está dentro do que eu sei&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Eu consigo me expressar de uma forma minimamente interessante e estou motivada a compartilhar isso aqui&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;Então:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Porque não responder o Felipe?&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Porque ter medo do que Felipe ou outra pessoa vai achar?&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Se não valer para o Felipe, tem uma caralhada de gente no mundo, para alguém há de servir.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;Resultado: você está lendo isso agora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isso é só um exercício reflexivo. É só mais uma possibilidade dentre diversas outras que existem, mas acho que ainda assim pode contribuir em algo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Insira nele a resposta que só você pode dar e duvide do seu crítico interno. Se o que você escreveu ainda não está bom para você, compartilhe-o assim mesmo, para alguém estará bom, eu tenho certeza. Se for verdade que ainda não está bom, você parece o tipo de pessoa que vai buscar a melhoria, ter compartilhado o texto no seu momento atual seria então um registro da sua passagem pelo mundo que por menor que seja é a sua passagem pelo mundo, se te apetece compartilhar com alguém, compartilha.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A gente vai estar sempre mudando de toda forma, mesmo o texto que já chegou no seu melhor de hoje, poderá ser superado por você mesmo no futuro e tudo bem já que o destino só segue para frente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu levei alguns anos para chegar a essa conclusão, eu precisei vivenciar muita coisa para ser capaz de estar compartilhando isso agora, mas isso também só foi possível por no passado eu ter lido outras pessoas que estavam "à minha frente" em idade ou em experiência de vida e compartilharam o seu percurso e isso chegou até mim. Não foi o texto desse alguém do passado que resolveu todos os problemas, mas foi uma das coisas que me fez parar e pensar "ei, tem outras pessoas que já passaram por aqui e elas deixaram as suas pegadas".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E é isso para mim, o que eu escrevo deixo como pegadas do caminho que eu segui, ta nascendo gente o tempo todo desde o momento em que eu nasci, então sempre vai ter alguém à frente ou atrás em relação ao meu momento atual.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E ai? Isso tudo fez sentido? Tenho certeza que cada pessoa leitora desse texto tem capacidade de contribuir com a resposta que só essa pessoa pode dar. Espero que você consiga superar o que quer que seja isso que te impede de compartilhar seus pensamentos com o mundo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Citando o Robert mais uma vez:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Nós nos construímos cada vez que escrevemos uma postagem no blog e clicamos em "Publicar" para compartilhá-la com o resto do mundo. &lt;a href=https://www.robertbirming.com/creating-yourself/&gt; Creating Yourself&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Um abraço.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;PS: Se você curtiu aquela forma de pensar "se, então, logo..." pesquisa por silogismo e já que estamos aqui, pesquisa também por questionamento socrático, foram dois tópicos que me ajudaram bastante a alcançar esse lugar :)&lt;/p&gt;
 &lt;/div&gt;
&lt;/br&gt;
&lt;/br&gt;
&lt;div style="text-align:center;line-height:40%;margin-bottom:50pt;margin-top:20pt;"&gt; 
&lt;p&gt; Tocando aqui 🧠:&lt;/p&gt;
&lt;p style="font-style:italic;"&gt;&lt;a href="https://music.youtube.com/watch?v=ZMtw1n8tL4I&amp;si=cUdyeM_OLakLuDMq"&gt; Whish I Knew You - The Revivalists &lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;01:45 ━━━━●───── 03:57&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   ㅤ ㅤ◁ㅤ ❚❚ ㅤ▷ ㅤㅤ&lt;/p&gt;
&lt;/br&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class="previous-post" href="/saudades-de-ouvir-musica" title="Saudades de ouvir música"&gt;Previous&lt;/a&gt; |
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;𔓘 &lt;a href="mailto:micarlajcandido@gmail.com?subject=Re: Infinitos Rascunhos"&gt;E se quiser trocar uma ideia sobre isso, é só clicar aqui :)&lt;/a&gt;
&lt;/br&gt;
&lt;/br&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align:center;"&gt;「 Ｂｅｂａ áｇｕａ 」 &lt;/p&gt;
</content>
    <link href="https://mikahgosto.bearblog.dev/infinitos-rascunhos/" rel="alternate"/>
    <published>2026-06-16T18:45:00+00:00</published>
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    <id>https://semdominio.bearblog.dev/pequenas-atualizacoes-da-minha-vida/</id>
    <title>Pequenas atualizações da minha vida</title>
    <updated>2026-06-16T13:14:00+00:00</updated>
    <author>
      <name>semdominio</name>
      <email>hidden</email>
    </author>
    <content type="html">&lt;p&gt;Pequenas atualizações da minha vida, a quem possa interessar. Aviso: são de caráter totalmente particular e talvez desinteressante.&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;p&gt;Consegui aquele trabalho que &lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/beterraba-com-quinones/'&gt;venho falando com vocês&lt;/a&gt; que envolve leitura e escrita. É um trabalho temporário em uma editora de livros didáticos. Ontem recebi os primeiros materiais para revisão e estou animada e um tanto preocupada, porque acho que isso vai tomar bastante do meu tempo e do meu cérebro. Sei que não vou mais conseguir dar o meu 100% aqui nos textos do blog, e isso me entristece um pouco. Mas vou continuar, mesmo que às vezes eu venha com 70%, 50%... já aviso que alguns dias posso chegar aqui lá pelos 10%.&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;p&gt;Com a conquista do trabalho temporário e a saída do desemprego, comecei a ter vontade de comprar as coisas. Eu não sou uma pessoa consumista e nem tenho apreço por marcas caras etc e tal. No entanto, vinha diminuindo minhas despesas o máximo possível, uma vez que o dinheiro não estava entrando tanto quanto antes. Como minhas primeiras aquisições, comprei um pincel de aquarela profissional (coisa que desejo há mais de anos – agora sinto que chegou o momento, porque eu finalmente me sinto capaz de entendê-lo), um sketchbook de aquarela para testar a sensação de pintar em um caderno, um moletom em um bazar aqui da rua por 10 reais, hashis de metal para comer igual aos personagens de dorama, e, como sempre, livros. Nem todos eles chegaram, ainda estão a caminho via correios. Os que chegaram: &lt;em&gt;Os parceiros do rio Bonito&lt;/em&gt;, de Antonio Candido, que comprei por conta da pesquisa porque envolve o universo do caipira, e &lt;em&gt;A leste dos sonhos&lt;/em&gt;, de Nastassja Martin porque estou amando ler o &lt;em&gt;Escute as feras&lt;/em&gt;. Esse, pelo que eu entendi, é resultado da pesquisa acadêmica que ela fez sobre o povo even, da península de Kamtchátka.&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&lt;img src="https://bear-images.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/semdominio/20260616_095853.webp" alt="20260616_095853" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;p&gt;Escrevi um texto que me orgulhei muito e que estreia a série &lt;em&gt;Caderno de mulheres&lt;/em&gt;, que em breve vai ficar como uma &lt;em&gt;page&lt;/em&gt; aqui no blog. Pretendo deixar esse caderno bem recheado, mesmo que não seja com tanta constância. São tantas coisas incríveis que as mulheres fazem, pequenas e também grandiosas. Queria reunir tudo isso em um lugar meu, e aproveitei para dividir também com vocês. Se você ainda não leu, vai lá! Esse primeiro é sobre Louisa May Alcott, o livro &lt;em&gt;Little women&lt;/em&gt; (1868), o filme &lt;em&gt;Adoráveis mulheres&lt;/em&gt; (2019) e outras coisitas mais.&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/caderno1/'&gt;[Caderno de mulheres #1] Louisa May Alcott e suas mulherzinhas&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;p&gt;Abriu um Starbucks na esquina da minha casa e isso me deixou &lt;em&gt;extremamente&lt;/em&gt; feliz de um jeito inesperado. Eu tenho uma história com esse café de muitos e muitos anos – e não é fetiche pela marca. Ele era o meu refúgio quando eu precisava sair de casa a todo custo, simplesmente porque você pode ficar horas por lá e ninguém vem te encher o saco falando pra você sair. Só que ele ficava meio longe de mim, tinha que pegar transporte público para chegar lá e andar mais um pouquinho. Me senti dentro de uma pintura surrealista quando percebi, no domingo passado, que um desses abriu aqui na esquina. Pretendo ir lá em breve, quem sabe até para escrever um texto para o blog tomando o meu chocolate quente.&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;p&gt;Chegamos aos mais de 300 visitantes por aqui, com menos de um mês de blog no ar. Não sei nem como me sentir em relação a isso. Com certeza era uma coisa que eu não esperava quando comecei a escrever esses textos. Sempre imaginei esse lugar como um diálogo interno, e é incrível ver que tantas pessoas já leram essas conversas solitárias. Uau! Estou muito feliz com essa perspectiva que vocês me abriram. Na verdade, até extasiada.&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;p&gt;Também estou insana com a Copa do Mundo a ponto de sonhar que presencio Lionel Messi jogar bola. Isso já está ultrapassando todos os meus limites...&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;Por hoje é só, pessoal! Hoje de tarde vou dar início às revisões do meu trabalho novo. Me desejem sorte, paciência e torçam para que o texto chegue em minhas mãos já moderadamente bem escrito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com amor,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Uma garota de 30 anos&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Quer comentar esse texto?&lt;/strong&gt; Dê um alô no &lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/guestbook/'&gt;Guestbook&lt;/a&gt; do blog.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;&lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/re-thblog-e-mikahgosto-de-onde-vem-o-meu-amor-pelos-livros/'&gt;Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href='https://semdominio.bearblog.dev/festa-de-gala/'&gt;Próximo&lt;/a&gt;&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Para escrever para mim, clique &lt;a href='https://letterbird.co/garota-30anos' target='_blank'&gt;aqui&lt;/a&gt;. Caso aguarde uma resposta, verifique também a sua caixa de spam.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;hr /&gt;
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    <published>2026-06-16T13:14:00+00:00</published>
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